O dia começou bem cedo, antes da hora apontada para o encontro. 9h30, sem surpresas, atrasou uns minutos. É assim que começam dias especiais que contam -- com a perspectiva de aventuras insuspeitas. De que falam as pessoas que se conhecem há anos? Da vida toda, todas as horas do dia, até à madrugada.
A cidade ruge e agita-se a cada passo, numa emotiva confusão de sons, cheiros e cores, que há muito era esperada -- Lisboa será sempre a casa a que se regressa com todo o prazer. Muitas horas mais tarde e alguns sacos de compras depois, novo encontro a horas mais ou menos marcadas, sem atrasos. De que falam as pessoas que acabam de se conhecer? Da vida quase toda, todas as horas da tarde, até à despedida.
À hora quase marcada, com caras que ficaram conhecidas, falou-se do medo, da morte, da alegria, da vida. Falou-se de tudo, até do que ficou subentendido. Falou-se de quase nada. No fim, uma gratidão imensa e um carinho enorme por todas as queridas pessoas que escolheram estar comigo -- foram o melhor de tudo.
A despedida da cidade acompanhou a subida do nevoeiro. Uma inclinação do dia que arrefeceu o ar. Deixo o bulício para trás. Trago a mochila pesada e o coração cheio. Há dias assim.





