24/10/2016

Preeminência parda

Reclamamos uma elevação moral acima das cabeças vulgares dos outros. Eu sou. Eu faço. Como mais ninguém. Desprezamos o indivíduo, que relegamos para o nível de pouco confiável, incapaz de observar o mesmo rigor que nos define os dias. São gajos incompreensíveis, esses, que usam do engano e da desonestidade para confundir almas incautas. Que Alá lhes dê chatos e braços curtos para se coçarem! Ao fim da noite, quando se fazem as contas e cada um recebe a paga que lhe cabe, a superioridade escangalha-se no nada e afinal somos todos feitos da mesma matéria animal e capazes das mesmas acções desprezíveis.