
31/10/2014
Coração Pulmão e Estômago
Interior de uma rapariga apaixonada -- ou como só tu dás sentido à fisiologia do meu corpo.

30/10/2014
A julgar pelo tempo...
Poema à Primavera
Miguel Torga
Depois do Inverno,
morte figurada,
A primavera,
uma assunção de flores.
A vida
Renascida
E celebrada
Num festival de pétalas e cores.
28/10/2014
Prurido ocasional
Sem motivo aparente, lembrei-me de ti e contei pelos dedos os meses que passaram desde que nos abandonaste. São já tantos.
Este céu passará
Ruy Belo
Este céu passará e entãoteu riso descerá dos montes pelos rios
até desaguar no nosso coração
foto: minha, céu da Figueira
Etiquetas:
Aquiles devia ter escolhido a vida longa,
Da poesia,
Ruy Belo
27/10/2014
Nem eu compreendo as mulheres
| Liu Wen by Mario Testino for Vogue China December 2013 |
A não gosta de B. Dir-se-ia com muita razão, sabendo o agravo que B fez a A. Entretanto passaram anos, não muitos, os suficientes para que os ânimos serenassem. Ora, B viveu um acontecimento particular que se tornou público e A, que se esperaria mantivesse o desdém compreensível, traduzido em afastamento superior, manifestou-se com uma não-manifestação, mostrando a meio mundo que o seu desdém não está assim tão vivo quanto se faria supor. Entretanto, B não sabe de nada e C, D, E, F e o resto do alfabeto, preferiram ignorar A, tornando a sua não-manifestação manifestada ainda mais ridícula. Eu, que já me esqueci que letra sou, suspiro de alívio por não ter FB e poder ignorar alegremente questiúnculas que só servem para mostrar quão feio é o ser humano.
25/10/2014
Aprendi a gostar de cemitérios
O amor verdadeiro
[...]
Não acredito. Volta para casa.
Não volto, vamos fazer isto de uma forma civilizada.
Civilizada? Tu vais ver.
Ao fim de seis dias, sem qualquer hipótese, comecei a ver. Voltei para casa.
A minha mulher, em desespero, atentou contra a sua existência sem a elegância das boas famílias. A sua tia disse-me, com um sorriso desfeito, saía eu do quarto de hotel
Faz o que tens a fazer.
Nunca mais a vi.
[...]
Patrícia Reis (2009). Antes de ser feliz. Dom Quixote. pp. 51-52
[...]
Não acredito. Volta para casa.
Não volto, vamos fazer isto de uma forma civilizada.
Civilizada? Tu vais ver.
Ao fim de seis dias, sem qualquer hipótese, comecei a ver. Voltei para casa.
A minha mulher, em desespero, atentou contra a sua existência sem a elegância das boas famílias. A sua tia disse-me, com um sorriso desfeito, saía eu do quarto de hotel
Faz o que tens a fazer.
Nunca mais a vi.
[...]
Patrícia Reis (2009). Antes de ser feliz. Dom Quixote. pp. 51-52
24/10/2014
Felizmente passou
23/10/2014
Dá-se o caso
de ter a cabeça vazia de ideias, a inspiração seca de espanto, as mãos cansadas de segurar.
Só os olhos não se cansam de se fechar.
Só os olhos não se cansam de se fechar.
| Amy Judd |
22/10/2014
21/10/2014
Obrigada, Senhor
pelo sol que nos deste, pelos 36 graus que alegraram o dia e murcharam as flores. Pelo champanhe que correu solto, o bolo que sempre era de coco e limão, e o vinho branco, aquele vinho branco, que não largou o meu copo. Obrigada pela serenidade que me deste, e eu gastei toda, enquanto me informavam sobre o adiantado da minha idade e a minha posição na hierarquia fraternal. Obrigada também por me teres dado paciência e não força ou o chão teria tido bem mais do que o vermelho das pétalas a enfeitá-lo. E obrigada, Senhor, por me teres dado ossos tão resistentes, principalmente os dos pés.
Ámen
![]() |
| o J e a C |
15/10/2014
Tem piedade, Senhor
Tem piedade, Senhor,
dos meus ombros desnudos e dos meus joelhos descobertos, que estremecem na antecipação do frio. Tem piedade dos meus sapatos, Senhor, os meus sapatos tão baratinhos e tão elegantes. E do meu vestido, aquele que me custou mais do que alguma vez pensei e hei-de usar até para ir ao supermercado e cortar a relva do jardim. Tem também piedade dos sapatos de cetim prata que a minha mãe comprou nos restos dos saldos e vão tão bem com o vestido azul da tradição, envolvido em tule, porque a ocasião não pede grande casacos. Tem piedade, meu Deus, do meu cabelo, que pela primeira vez se vai compor em mãos profissionais, para não desfazer nas fotografias, e gosta tanto do tempo chuvoso para se rebelar. E tem piedade dos vestidos a varrer o chão, dos pés descobertos em sandálias, das mães que levam filhos pequenos, dos sapatos do rapaz e do véu da rapariga e dá-nos um Domingo radiante de Verão.
Ámen.
14/10/2014
I wasn't listening
I forget where we were - Ben Howard
Oh, hey,
I wasn't listening
I was watching Syria blinded by the sunshine strip
You, you were in the kitchen
Oh, your mariner’s mouth the wounded with the wounder's whip
And that's how summer passed oh,
The great divide and range of green green grass
Oh, maybe it was peace at last, who knew
Hello love, my invincible friend
Hello love, the thistle and the burr
Hello love, for you I have so many words
But I, I forget where we were
Oh, hey,
I wasn't listening,
I was stung by all of us, the blind leading out the bored
And as per usual,
You were skipping and laughing eyes at the bedroom door
Don't take it so seriously, no
Only time is ours, the rest we'll just wait and see
Maybe you're right, babe, maybe
Oh, no, and that's how summer passed
Oh, your, great divide and range of green green grass
And, oh, maybe I hold on fast to you
Hello love, my invincible friend
Hello love, the thistle and the burr
Hello love, for you I have so many words
But I, I forget where we were
I, I forget where we were
I forget where we were
I forget where we were,
Oh, no, and that's how summer passed
Oh, your, great divide
And range of green green grass
Oh, maybe it was peace at last, who knew
13/10/2014
Caída aos pés
Invento razões para acalmar o meu coração. Justifico o injustificável, para abafar o bicho-monstro que me sussurra premonições ao ouvido. Adormeço, tapando-me com camadas de vontades que não chegaram a ser verdade. Acordo com a alma estilhaçada, caída aos pés.
09/10/2014
Já ninguém põe??
O desgraçado do verbo pôr foi banido da gramática nacional. Agora toda a gente coloca, ninguém quer pôr, porque alguém se lembro que «quem põe são as galinhas». E como ninguém quer estar fora de moda, há que colocar até o que se põe.
Não tarda, daremos beijos apaixonados ao colocar-do-sol e as crianças aprenderão onde é que as pitinhas colocam o ovo. Quando nos quisermos ir embora, basta colocar-nos a andar ou colocar-nos nas putas -- que é para onde apetece mandar os colocadores compulsivos.
08/10/2014
06/10/2014
Pronta para caminhar até ao apeadeiro mais próximo
![]() |
| "Elie Saab Haute Couture" Daniela De Jesus by Benjamin Kanarek for Elle Vietnam, October 2014 |
05/10/2014
P.S.: Manel Cruz, acho que te amo!
Acho que sofro de paixão platónica pelo Manel Cruz. Seja na versão Ornatos, Pluto, Foge Foge Bandido, Super Nada, em parcerias, este homem canta-me a vida num despudor tal, que até me dá vergonha. Não me lembro de uma música que não goste.
Obrigada, Charmoso, pela música com que nos recebes, esta ainda não conhecia.
BARRAKO 27 - OUVI DIZER C/ MANEL CRUZ & DJ GUZE
As minhas saudades tuas - Foge Foge Bandido
04/10/2014
Isto é só um convite
Convite
Pluto
Sim, não falo só por mim, eu quero-te a provar do que é teu
Agora, sim, eu falava do que eu sinto
É por força do desejo ser eu
Por força do que é meu, és tudo o que eu vejo
Ontem, tudo o que eu queria era subir ao teu corpo
Eu passei no teu medo e esqueci o teu ego
És tudo o que eu vejo
Ontem, tudo o que eu queria era subir ao teu ego
Eu passei no teu medo e esqueci o teu corpo
És tudo o que eu vejo
De repente o assunto é assunto
E tu mergulhas bem fundo, fugindo do amor
Cá estarei no fim dessa espera até ao tempo do que era
E não volta a ser
Sim, não falo só por mim eu quero-te a provar do que é teu
Agora sim eu falava do que eu sinto
É por força do desejo ser eu
Por força do que é teu és tudo o que eu vejo
Agora desisto
sempre que eu insisto
eu esqueço que existo
Isto é só um convite
Pluto (2004). "Convite" in Bom Dia.
Eu passei no teu medo e esqueci o teu corpo
És tudo o que eu vejo
De repente o assunto é assunto
E tu mergulhas bem fundo, fugindo do amor
Cá estarei no fim dessa espera até ao tempo do que era
E não volta a ser
Sim, não falo só por mim eu quero-te a provar do que é teu
Agora sim eu falava do que eu sinto
É por força do desejo ser eu
Por força do que é teu és tudo o que eu vejo
Agora desisto
sempre que eu insisto
eu esqueço que existo
Isto é só um convite
Pluto (2004). "Convite" in Bom Dia.
02/10/2014
Mistérios
Sempre foi para mim um mistério de difícil resolução como algumas entradas do blogue, sem particular interesse, são campeãs de visitas, partilhas e comentários, e outras, que me levaram a alma ao serem escritas, desaparecem ignoradas entre as primeiras.
01/10/2014
As estrelas que paguem a conta
Finalmente vi A culpa é das estrelas. Asseguraram-me homens feitos e rapazes pouco impressionáveis que era de chorar do princípio ao fim, mas de chorar mesmo, daquele tipo de chorar que encharca lenços, que pede ajuda à fralda da camisa, que deixa os olhos e o nariz numa lástima, que até dá dores de cabeça.
Este é um chorar que conheço bem, passámos umas temporadas juntos, dias e noites inteiras, incluindo refeições e momentos de lazer. De vez em quando, ainda volta, diz que vem matar saudades - nunca viu uns olhos castanhos ficarem tão líquidos, quase transparentes, como os meus, sempre que me visita.
Foi preparada para tudo que o vi. De peito aberto e lenço por perto. E chorei, chorei muito, nas partes erradas do filme e também nas certas. Não porque a história não me comovesse, não que as personagens não fossem tão deliciosamente normais que quase nos esquecêssemos que é um filme, mas porque perder pessoas dói.
Perder pessoas que amamos é uma violência para a qual nunca estamos preparados. Quer elas vão de repente, quer saibamos que têm de ir; quer morram, quer apenas se mudem, dói. De zero a dez, muitas vezes são um onze - e isto foi o que realmente me fez chorar nas partes certas do filme e nas erradas também.
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