Ultrapassar um amor é tarefa dura, exigente ao corpo, à mente, ao coração e à carteira - que também se ressente da necessidade de preencher o vazio que um amor perdido deixou.
É preciso um grande auto-controlo, perseverança, assertividade. É precisa uma grande dose de coragem em ignorar o objecto amado que, caso o drama seja mais intenso, se passeia em frente ou debaixo dos nossos olhos, excluí-lo do campo de visão e do pensamento.
Também não é de desprezar o auto-consolo e a capacidade de dar palmadinhas nas próprias costas, abraços imaginários e palavras de reforço - «deixa lá, vais encontrar melhor» -, enquanto os olhos se passeiam pela montra de uma sapataria ou pelo balcão dos gelados.
É preciso o inevitável tempo, para arrumar a frustração e a mágoa de saber que éramos feitos um para o outro, que tínhamos tudo para uma convivência pacífica e cheia de bons momentos, impossibilitada pela logística da partilha do espaço e dos bens ou por questões de pormenor familiar ou pela inevitável falta de tempo para construir uma relação forte e duradoura.
Estou no momento a trabalhar para a indiferença, habituando-me a não considerar o meu objecto amado como parte de mim, mesmo sabendo que não é o melhor para ambos.





