Ouço na rádio um cientista explicar que a lua de ontem não foi bem uma super lua, foi apenas uma lua um bocadinho maior, e que o desapontamento de muitos observadores do fenómeno estava mais na expectativa errada do que no incumprimento da referida. O jornalista termina o comentário, mencionando a lua tal como o cientista explicou? Nada disso, chamando-lhe super lua, como se o esclarecimento anterior de nada tivesse servido. E não serviu.
Mostrar mensagens com a etiqueta Natureza humana. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Natureza humana. Mostrar todas as mensagens
21/01/2019
25/10/2016
Os moralistas da treta
Sempre que acontece algum percalço/acidente com uma criança, lá vêm os moralistas da treta dar conselhos sobre a melhor forma de conservar hermeticamente os mais pequenos, como se a infância fosse um período amorfo em que tudo corre conforme o previsto e não há cá lugar a desvios.
Não defendendo a negligência dos adultos, que a há em muitos casos, talvez fosse bom que estes comentadores opiniosos se lembrassem do tempo em que foram crianças e dos sustos que terão eventualmente, e escrevo «eventualmente» porque devem ter sido todos uma espécie de cães de loiça muito quietos e sossegados que atravessaram a infância postos em sossego para grande consolo das almas dos seus ricos paizinhos, repito, os sustos que eventualmente terão dado aos adultos que os supervisionavam.
Assim de repente, lembro-me da história de a minha mãe ter enfiado um feijão no nariz e não ter dito à minha avó, pelo menos até ter ficado com o nariz tão inchado que só na farmácia a salvaram de males maiores; ou de o meu pai contar que uma tarde de Verão se esqueceu de avisar a tia da futebolada com os amigos, tendo deixado a senhora em prantos a pensar que ele tinha caído a um poço; ou daquela vez em que o meu irmão mais velho se escondeu junto ao telhado da casa dos meus avós e fez toda a gente procurá-lo a tarde inteira, porque teve medo de dizer onde estava; ou ainda aquela vez em que um dos meus irmãos mais novos decidiu ir ver as pedras da praia e desaparecer por uns terríveis instantes que nos convenceram que o garoto tinha ido mar dentro.
24/10/2016
Preeminência parda
Reclamamos uma elevação moral acima das cabeças vulgares dos outros. Eu sou. Eu faço. Como mais ninguém. Desprezamos o indivíduo, que relegamos para o nível de pouco confiável, incapaz de observar o mesmo rigor que nos define os dias. São gajos incompreensíveis, esses, que usam do engano e da desonestidade para confundir almas incautas. Que Alá lhes dê chatos e braços curtos para se coçarem! Ao fim da noite, quando se fazem as contas e cada um recebe a paga que lhe cabe, a superioridade escangalha-se no nada e afinal somos todos feitos da mesma matéria animal e capazes das mesmas acções desprezíveis.
24/08/2016
02/08/2016
25/07/2016
24/07/2016
28/06/2016
E mais nada
Toda a minha vida conheci pessoas que se definem como honestas de pensamento que dizem tudo o que pensam e sentem, goste-se ou não de ouvir; que têm ideias muito firmes e as partilham, a qualquer preço; muito verdadeiras e directas. São aquelas que, antes de opinarem, avisam «eu sou muito frontal, digo o que tenho a dizer e mais nada».
Toda a minha vida conheci pessoas que acusaram outras de mesquinhez, vingança, ressabiamento, não saber ouvir e calar, despeito e o mais que aqui caiba, quando ouviram o que não gostaram, ou quando alguém expressou discordância pelo que ouviu.
Curiosamente, as pessoas do segundo tipo foram exactamente as mesmas do primeiro, tão exigentes com a sua liberdade de expressão e o direito à opinião, tão pouco prontas a reconhecê-los no outro.
A estas pessoas, largo-as. São de uma convivência difícil e cansativa -- para além de pouco produtiva, para ambas as partes. É uma pena, algumas até tinham um potencial muito grande.
![]() |
| Shary Boyle |
11/06/2016
Cala-te, Mundo!
Já não posso ouvir o teu grasnar constante de quem só tem boca e não tem ouvidos. Eu acho, eu acho, eu acho... Experimenta perder-te umas horas -- pela minha rica saúde.
30/05/2016
Tiros nos pés
| Friend & Johnson - Geof Kern - Portraits |
Tudo se resume a poder. Desde que se nasce que se luta pelo poder, pela imposição da vontade. Leva-se este espírito faccioso pela vida fora. O que resulta daqui raramente é bom.
11/05/2016
06/05/2016
Lido não sei onde
as pessoas nem sempre são capazes de assumir as suas próprias dificuldades e acham que são as outras que não estão preparadas para ouvir
21/04/2016
Da inutilidade dos pedidos tornados públicos
![]() |
| Figueira da Foz |
I could've been
So many things
But it would never be enough for you
I was the one
You counted on
But I was never the one for you
Now I know
I lost you a long time ago
First Aid Kit
Sometimes it's hard to be alone
É fácil sentir empatia por uma música que tente resgatar um amor perdido. Ou por um poema. Ou por um romance. Ou por um filme. O pelo que for... Porque em cada um de nós habita uma centelha salvífica que acredita que pode pôr bem o que esteve tantas vezes mal, até então. A verdade é que, por mais bonitas e empáticas que sejam estas declarações de intenções, não passam disso mesmo, intenções que esbarram nos factos e na realidade que sofre de uma falta de poesia confrangedora.
EMPTY - Eva & Manu
18/04/2016
What are you so afraid to lose?
Da série o Spotify é o meu melhor amigo
It takes a lot to know a man - Damien Rice
15/04/2016
04/04/2016
11/03/2016
12/02/2016
É o fogo que arde sem se ver

Estes são os enamoramentos que mais custam a sarar. É uma perda dupla, são duas feridas abertas e profundas que levam o seu tempo longo a sarar. Dói perder um amor, dói perder um melhor amigo, dói a dobrar perder os dois, de uma só vez, numa só pessoa.
Subscrever:
Mensagens (Atom)





