Uma Rapariga Simples
Em 2008, num inverno agreste não só pelo rigor do tempo, um pairar de olhos distraídos pelo texto de Arthur Miller encontrou motivos mais do que suficientes para baptizar o novo espaço virtual.
Ela tinha odiado a sua própria cara quando era criança mas sabia que tinha classe e, pelo menos, uma vez por dia fixava-se nisso e no seu corpo robusto e no seu longo pescoço elegante. E claro, na sua ironia. Era e queria ser uma snobe. Uma Rapariga Simples
Tudo certo, tudo verdade. Se sou snobe, não sei. Sei que há na família uma certa arrogância em muito ajudada pelos centímetros a mais que medimos acima de toda a gente, uma tendência à obstinação, um menosprezo pela opinião alheia. Talvez isto explique muita coisa. Ainda que em minha defesa tenha o sangue paterno, mais fervente e simples, a equilibrar os pratos da minha balança.
São raros os momentos em que escrevo para leitores gerais, o tu dos meus textos tem sempre existência no Registo Civil, independentemente da sua morada actual. E é escrita autobiográfica, porque este espaço é para isto mesmo, largar lastro e descomplicar.





