22/05/2020

A selva é redonda

Hoje, uma turma do 5.º ano dizia não gostar de poesia, porque é só corações. E eu lembrei-me de um poema que fala de macacos e bananas e partilhei com eles. Depois, deu uma saudadezinha...



A selva é redonda


Os macacos comem bananas porque
era a fruta que tinham mais à mão.
Se tivessem mais à mão morangos, os
macacos comeriam na mesma bananas,
porque os morangos são muito difíceis de
descascar. As bananas são comidas por
macacos porque são os animais com mais
mãos que têm ali à mão. As bananas não
têm mãos mas têm casca, que é uma espécie
de mão à volta da banana. As bananas prefe-
riam ter mãos mas saiu-lhes antes casca.
Ser casca não deve ser fácil, passar a vida
a ser deitado fora. Os árbitros de futebol
têm duas mãos, uma para cada cartão.
Os macacos também arbitram as bananas,
comendo-as. Os macacos não mostram
os cartões às esposas. Preferem seduzi-las
usando a inteligência. Não sei como vim
parar à selva. Talvez tenha corrido demais
atrás da bola.


Rui Costa

09/04/2020

27/02/2020

Carnaval tardio

[Cover Flow] Ordinarius - Disseram que voltei americanizada

23/02/2020

20/10/2019

I will be beside you

Phildel - Beside You

17/10/2019

Música de hoje: boa ou má?

Falámos hoje de música, da qualidade do que se ouve e por que se ouve má música. Afinal, o que conta mais, a letra ou o ritmo? Não se concluiu grande coisa...


19/09/2019

A Estória do Gato e da Lua



Ficha Técnica 
Realizador: Pedro Serrazina 
Produção: Jorge Neves /Filmógrafo 
Técnica: Animação (Desenho sobre papel) 
Argumento: Pedro Serrazina 
Música: Tentúgal 
Origem: Portugal 
Ano: 1995 
Duração: 5’ 30’’ 
Classificação etária: maiores de 6 anos



Sinopse ‐ A Estória do Gato e da Lua joga livremente com uma série de transições, justaposições e contrastes visualmente muito fortes, entre luz, sombra, curvas e diagonais, sugerindo uma história de uma lua branca e de um gato preto que, afinal, e simbolicamente, também pode ser branco. A narrativa (voz de Joaquim de Almeida) evoca uma obsessão apaixonada de um gato que, enfeitiçado, procura incessantemente o espectro brilhante e atraente da amada lua. Um flashback desvenda‐nos episódios do passado e retoma o início da paixão. Quedando‐se estarrecido perante a lua, o gato salta de telhado em telhado, viaja à volta do mundo num pequeno barco, e perde‐se na escuridão da noite, (a música de Tentúgal reforça intensamente a proposta visual e narrativa). No desfecho, depois de uma belíssima sucessão de formas a preto e branco que reproduzem as desilusões e desesperos da vida, todas as obsessões se consubstanciam na espera, materializando‐se finalmente numa espantosa metamorfose gráfica.

06/09/2019

Talvez a forma da água não seja suficiente para aprisionar o amor, mas é capaz de me levar para junto de ti.

24/07/2019

Mãaee!

Descobriu o poder da palavra «Mãe» e de como ela lhe abre portas para a novidade. Descobriu também a entoação certa para captar a atenção e ter as respostas que precisa.
«Mãaee, fkfgsldjÇ?»
«Sim, é uma maçã.»
«Mãaee, lhksjsal?»
«Sim, é uma uva.»
«Mãaee, kfkgjjasj?»
«Sim, é uma pera.»
E daqui vai toda uma conversação, por horas e horas.

19/07/2019

Dos papões

Atrás da porta, erecto e rígido, presente,
Ele espera-me. E por isso me atrapalho,
E vou pisar, exactamente,
A sombra de Ele no soalho!


-"Senhor Papão!"
(Gaguejo eu)
"Deixe-me ir dar a minha lição!
"Sou professor no liceu..."

Mas o seu hálito
Marcou-me, frio como o tacto duma espada.
E eu saio pálido,
Com a garganta fechada.


Perguntam-me, lá fora: "Estás doente?"
- "Não!", (grito-lhes)... "porquê?!" E falo e rio, divertindo-me.
Ora o pior é que há palavras em que paro, de repente,
E que me doem, doem, doem..., prolongando-se e ferindo-me...


Então, no ar,
Levitando-se, enorme, e subvertendo tudo,
Ele faz frio e luz como um luar...
E ouço-lhes o riso mudo.


- "Senhor Papão!"
(Gaguejo eu) "por quem é,
"Deixe-me estar aqui, nesta reunião,
"Sentadinho, a tomar o meu café...!"



Mas os mínimos gestos e palavras do meu dia
Ficaram cheios de sentido.
Ter de mais que dizer..., ah, que maçada e que agonia!
Bem natural que eu seja repelido.


Fujo. E na minha mansarda,
Volvo-lhe: - "Senhor Papão!
"Se é o meu Anjo-da-Guarda,
"Guarde-me!, mas de si! da vida não."



O seu olhar, então, fuzila como um facho.
Suas asas sem fim vibram no ar como um açoite...
E até no leito em que me deito o acho,
E nós lutamos toda a noite.


Até que, vencido, imbele
Ante o esplendor da sua face,
De repente me prostro, e beijo o chão diante de Ele,
Reconhecendo o seu disfarce.


E rezo-lhe: - "Meu Deus! perdão...: Senhor Papão!
"Eu não sou digno desta guerra!
"Poupe-me à sua Revelação!
"Deixe-me ser cá da terra!"



Quando uma súbita viragem
Me faz ver (truque velho!...)
Que estou em frente do espelho,
Diante da minha imagem.


José Régio