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18/11/2016

Estou tão com a cabeça

noutro lado que até me esqueci que estava a responder a um inquérito. Ai...

Mario Giacomelli :: from ‘Le mie Marche’, 1970 / related image from Passato series

25/10/2016

Os moralistas da treta

Sempre que acontece algum percalço/acidente com uma criança, lá vêm os moralistas da treta dar conselhos sobre a melhor forma de conservar hermeticamente os mais pequenos, como se a infância fosse um período amorfo em que tudo corre conforme o previsto e não há cá lugar a desvios.

Não defendendo a negligência dos adultos, que a há em muitos casos, talvez fosse bom que estes comentadores opiniosos se lembrassem do tempo em que foram crianças e dos sustos que terão eventualmente, e escrevo «eventualmente» porque devem ter sido todos uma espécie de cães de loiça muito quietos e sossegados que atravessaram a infância postos em sossego para grande consolo das almas dos seus ricos paizinhos, repito, os sustos que eventualmente terão dado aos adultos que os supervisionavam.

Assim de repente, lembro-me da história de a minha mãe ter enfiado um feijão no nariz e não ter dito à minha avó, pelo menos até ter ficado com o nariz tão inchado que só na farmácia a salvaram de males maiores; ou de o meu pai contar que uma tarde de Verão se esqueceu de avisar a tia da futebolada com os amigos, tendo deixado a senhora em prantos a pensar que ele tinha caído a um poço; ou daquela vez em que o meu irmão mais velho se escondeu junto ao telhado da casa dos meus avós e fez toda a gente procurá-lo a tarde inteira, porque teve medo de dizer onde estava; ou ainda aquela vez em que um dos meus irmãos mais novos decidiu ir ver as pedras da praia e desaparecer por uns terríveis instantes que nos convenceram que o garoto tinha ido mar dentro.

E, como estas, inúmeras trapalhadas feitas pelos mais novos. Se há história/negligência no caso da criança desaparecida em Ourém? Pois, pode haver, mas também pode tratar-se do caso simples de uma criança a fazer das suas. Não é preciso tratar a família como se fossem uns idiotas.

30/06/2016

Depois da histeria, um pouco de serenidade

Agora que passou o choque da emoção e esta aventura já vai no segundo dia - uma fartura de tempo, portanto, parece-me importante fazer uma pausa e contextualizar aquele texto que pode, ou não, ver a luz do dia.

Não há em mim qualquer vontade de ser famosa, até porque sei muito bem que fama não significa mérito ou qualidade. Também não pretendo começar uma carreira ligada à escrita, por saber que não seria capaz de o fazer.

Tanto assim é que partilhei aqui no blogue, em 2013, uma troca de opiniões com um querido amigo que me incentivava a atirar-me às letras.







Noell Oszvald


Se assim é, porquê este livro?

Este livro é sobre mim (grande novidade) e um acontecimento muito violento que vivi. Foi a forma que tive de entender o que aconteceu, gastar o sofrimento que dali adveio e, de certa forma, arrumar assunto e pessoa. Até conservar-lhe uma série de características que começo a esquecer, quatro anos passados.

Por isso, este é um livro que detesto, profundamente. Quase odeio. A que não consigo voltar, que me deixou prostrada quando escrevi o último ponto final e que quase deu cabo do resto quando há uns meses o revi para a editora dar início ao processo do crowdpublishing.

Mas este livro é também o resultado da última ordem do meu morto. «Escreve», disse ele, depois morreu-me e escrever foi a única forma de o manter vivo dentro de mim. E, por causa desta ordem, comecei mesmo a escrever no blogue, a assumir os meus poemas, a perder a vergonha de dizer «isto é meu!».

Por isso, este é um livro que amo, profundamente. Se chegar a ser papel impresso, guardá-lo-ei junto dos livros que ele me deixou e então o ciclo ficará completo.


Se me agrada ter quase de impingir às pessoas que comprem um livro que desconhecem e podem nem vir a gostar? Nem por isso. 
Se há coisas que gostava que tivessem sido diferentes? Também.
Mas é o que há.

Se gostarem, se quiserem ajudar, claro que ficarei muito feliz. Senão, aceito com toda a naturalidade.


Um amor morto é uma estranha companhia, está na hora de o deixar em paz.

28/06/2016

Uma emoção sem limites

Já aqui tinha deixado duas coisas que me aconteceram e que não contava com elas: escrever um conto para a Preguiça Magazine e ter um programa singelo na Foz do Mondego Rádio. Faltava uma, para acabar a trilogia de atropelos inesperados à paz dos meus dias: o meu livro.

Meus queridos leitores, comentadores, anónimos e todos os que por aqui passam, é com muita emoção e uma pontinha de orgulho e muitos pozinhos de medo que vos apresento aquele que foi um dos projectos mais difíceis que levei a cabo e quase acabou de vez que a minha sanidade mental...




~


O livro está na plataforma de crowdfunding, é certo, e se quiserem ajudar a que ele veja a luz, é convosco. Eu só queria mesmo contar-vos a novidade.


Agora vou ali contar a novidade à família, já volto. :))

05/04/2016

17/03/2016

Em defesa do homem oprimido

Para consolo e descanso de quem me lê, é preciso que alguns nevoeiros de dúvida sejam dissipados. Não sou, nem nunca fui, pessoa de andar a transferir para uns o mal que outros fizeram (também não posso jurar sobre o que há de mais sagrado que NUNCA o tenha feito, só posso garantir que não o faço como forma de vida), vai daí que, lá porque proferi uma afirmação sobre uma ou duas pessoas (duas ou três, vá) do sexo masculino que cruzaram a minha vida, não quer dizer que agora tenha para mim que TODOS os frágeis seres másculos que povoam o mundo entrem nessa tal afirmação. À partida, nem deveria ser preciso sacudir nevoeiros, mas, para que não haja nenhum espírito de erro no nosso meio, mais vale fazê-lo. 

Homens fofos e queridos e puros e castos, vinde a mim sem medo, que eu não mordo (salvo casos particulares, em território demarcado, cumprindo as normas de segurança).


greyfaced:

Andreas Feininger
Andreas Feininger

13/02/2016

05/01/2016

Preciso de um incentivo para voltar ao ginásio





Às vezes, as mulheres conseguem embaraçar-me tanto...

27/10/2015

Conspurcação deste espaço com temas políticos

Sou assumidamente uma naba no que à política diz respeito. Aumenta o meu grau de nabice quando passo desta para as intrigas palacianas que, dizem alguns, é outra forma de dizer política. Mas, até eu consegui perceber o grau de irritação de um certo publisher (mania de só usar nomes estrangeiros) de um certo jornal em linha, bastante conhecido (que seria de grande tiragem, caso fosse em papel, estou em crer), por o PS+PCP+BE terem quebrado uma lei não escrita (assim mesmo que li) sobre o Presidente da AR sair do partido com maior representação parlamentar, uma regra que vigorou em 40 anos de democracia (e cito sem aspas nem ligação directa ao local do acidente) e terem escolhido um do outro lado da bancada.

Ora bem, eu que sou uma naba assumida e confessa fico cá a pensar com os meus botões que o que irrita verdadeiramente estes opinion makers (mais uma estrangeirada, só porque é bonito), que de jornalistas têm pouco, é que se quebrem regras não escritas, porque as que estão escritas preto no branco e vigoram pelo mesmo tempo, ou coisa que o valha, podem ser perfeitamente quebradas, se os interesses de alguns ficarem assegurados.

Desejar que mordessem a língua era pouco.





(os posts de martírio emocional seguem dentro de instantes)

26/07/2015

Pensamentos dispersos no cair do Domingo

Há coisas da nossa vida que não interessam a ninguém, de tão irrelevantes que são. De que serve partilhá-las, se o destino delas é o caixote do lixo do Esquecimento?


No mesmo caixote é possível encontrar bens de primeira necessidade, como corações sem dono que os queira. E cabeças desorientadas à procura de mãos que recuperem os ditos órgãos.


O Esquecimento tem um apetite voraz. Nada lhe resiste. Até Aquiles será engolido, mais dia menos dia.

16/04/2015

Nada do que temos é verdadeiramente nosso

Gostamos de ter coisas, de poder dizer que somos autónomos e independentes o suficiente para possuir o que acreditamos ser nosso por direito. A este gosto alia-se a imposição social dos medidores de sucesso e felicidade pela quantidade de dados possuídos. 

Enchemos o peito e a boca para dizer: o meu carro, a minha casa, o meu tempo-livre, o meu namorado/marido/amante/amigo colorido(a), os meus filhos, o meu percurso profissional. Tudo meu. Nada meu, na verdade. Compramos um carro e uma casa e andamos a vida toda a pagar ao Estado o direito de os ter; o tempo é cada vez menos livre; o par dançante da relação é-o até lhe dar uma travadinha, ou a nós, e deixar de ser; os filhos não vêem o dia e a hora de ser porem a andar de casa dos pais e o percurso profissional anda cada vez mais na corda bamba. Quanto mais queremos ter, menos temos. Nem um simples telemóvel nos pertence.

Precisamos de um telemóvel, escolhemos uma operadora, um modelo, um tarifário. Pagamo-lo. Usamo-lo segundo as regras que nos impuseram e aceitámos, sem que este telemóvel seja realmente nosso. No dia em que precisamos de o usar com outra operadora, obrigam-nos a pagar um valor estupidamente alto para nos permitirem fazer o uso que bem entendemos de um produto que é nosso.

À conta disto, tenho três telemóveis em casa, que não servem para nada, enquanto eu estou celularmente incomunicável por me ter morrido o aparelho que usava.

11/02/2015

O cinzento tem sombras. 50, diz ela.

Parece ser uma espécie de código começar um texto sobre o fenómeno literário e cinematográfico no título insinuado com um aviso de salvaguarda ao pundonor: eu não li o livro! -- ou a trilogia, vá (expressão de horror e mão no peito). Também não irei ao cinema ver o filme, mas convivo bem com o facto de, mais dia menos dia - particularmente num dia de grande marasmo, ter como certo que o verei.

Pois não li o livro, o que não invalida que opine com toda a propriedade, ainda para mais quando me passaram tantos livros de cordel pelas mãos e alguns com descrições que fizeram corar violentamente os meus virginais vinte anos e os não tão já virginais quarentas da minha mãe. Creio estar então em condições de avaliar a dita trilogia -- Guerra das Estrelas, tu põe-te a pau! -- sem ter feito mais do que lhe olhar para a capa, concluindo um fortíssimo Nah!, não me interessa.

Mas interessa-me tudo o que surge ao redor, como o artigo do Expresso, gentilmente disponibilizado em Cadernos da Libânia. Da mesma forma que me interessa a criatividade de quem vê e parodia, cheio de inteligência e graça. 

Senhoras e senhores, (os meninos e as meninas não podem ver isto, que é para maiores de 16), para vosso real prazer e deleite, As Cinquenta Sombras de Grey em Lego e as As Cinquenta Sombras de Pink! (e para gargalhar a sério, As Cinquenta Sombras de Ellen)






21/11/2014

29/09/2014

Guerra fria cibernética

Já não bastava ter os Americanos a vigiarem-me o blogue à palavra, agora são os Russos que não me largam o url. Lamento informar mas aqui não há agentes secretos, nem espiões, nem gajas boas em biquíni, só uma rapariga simples.

18/09/2014

Curso Rápido de Gramática

Tomemos com exemplo filho da puta, nos seguintes contextos:


1) "Conheci um político filho da puta."- complemento do nome;

2) "O político é um filho da puta." - predicativo do sujeito;

3) "Esse filho da puta é um político." - sujeito.

4) "Agora nega o roubo, filho da puta!" - vocativo.

5) "O ex-ministro, (escolha o nome que lhe interessar), aquele filho da puta, desviou o dinheiro dos submarinos." - é aposto.

Agora vem o mais importante:
6) "Saiu da presidência em janeiro e ainda se considera presidente." - o filho da puta é sujeito subentendido.


Ou então consultem o Dicionário Terminológico em linha.