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04/05/2021

Talvez apenas três

e que no final poucas coisas contam, talvez apenas três:
com quanta paixão amaste, quão suavemente viveste
e com que elegância conseguiste deixar para trás
coisas que por fim soubeste não te serem destinadas.

José Luís Borges de Almeida, in Dédalo






(a republicação impunha-se)

16/07/2019

Marco Polo, sê gentil

e leva-me para uma cidade invisível.

Zobaida, cidades invisíveis
Aquarela em papel 21x29.7 cm

07/02/2017

no final poucas coisas contam, talvez apenas três

e que no final poucas coisas contam, talvez apenas três:
com quanta paixão amaste, quão suavemente viveste
e com que elegância conseguiste deixar para trás
coisas que por fim soubeste não te serem destinadas.

José Luís Borges de Almeida, in Dédalo

03/01/2017

E ela ocupou-se dele

Como quem sabe de antemão que esse é o curso natural dos afectos, reorganizou-se para o acolher. Deixou que pregasse pregos nas paredes, cedeu-lhe metade do guarda-fatos, empurrou livros para um lado e arrumou algumas molduras, dividiu gavetas e aceitou o que lhe pertencia. O amor está nas pequenas cedências, no espaço que se concede, na generosidade com que se aceita a vida que o outro traz consigo sem se sentir diminuído, antes mais completo. Ele ocupou a casa e ocupou-se dela. 


Um amor morto, Carla Pinto Coelho



noonesnemesis:
“ “ Relaxing
leen 1952
” ”

14/12/2016

A melhor prenda de Natal de todos os tempos

Melhor que A Minha Agenda ou os chocolates Fantasias de Natal, melhor do que o tradicional par de meias ou o pijama polar, é... (rufo) o meu livro, pois claro. Fará as delícias de qualquer presenteado e permitirá o aumento de consultas no psicólogo (temos de ser uns para os outros). É só procurá-lo na Livros de Ontem ou na FNAC, embrulhar bem embrulhadinho e oferecer. Garanto que não se vão arrepender («olhe que não!, olhe que não!»). Estou sempre a pensar no vosso bem*.



Críticas de quem disse bem (as outras não interessam, como é óbvio)
Álvaro Cordeiro - Texto setuagésimo primeiro
Carina Pereira - Um Amor Morto, de Carla Pinto Coelho (opinião)
FATifer - O último que acabei de ler…




*no fundo, só me interessam os direitos de autor, pois que quero ir de férias à custa do livro...

30/10/2016

Agora que a sexta-feira passou

O dia começou bem cedo, antes da hora apontada para o encontro. 9h30, sem surpresas, atrasou uns minutos. É assim que começam dias especiais que contam -- com a perspectiva de aventuras insuspeitas. De que falam as pessoas que se conhecem há anos? Da vida toda, todas as horas do dia, até à madrugada. 

A cidade ruge e agita-se a cada passo, numa emotiva confusão de sons, cheiros e cores, que há muito era esperada -- Lisboa será sempre a casa a que se regressa com todo o prazer. Muitas horas mais tarde e alguns sacos de compras depois, novo encontro a horas mais ou menos marcadas, sem atrasos. De que falam as pessoas que acabam de se conhecer? Da vida quase toda, todas as horas da tarde, até à despedida. 

À hora quase marcada, com caras que ficaram conhecidas, falou-se do medo, da morte, da alegria, da vida. Falou-se de tudo, até do que ficou subentendido. Falou-se de quase nada. No fim, uma gratidão imensa e um carinho enorme por todas as queridas pessoas que escolheram estar comigo -- foram o melhor de tudo.

A despedida da cidade acompanhou a subida do nevoeiro. Uma inclinação do dia que arrefeceu o ar. Deixo o bulício para trás. Trago a mochila pesada e o coração cheio. Há dias assim. 



26/10/2016

Esta sexta-feira

Parece que o dia 28 é já esta sexta-feira, o que quer dizer que eu tenho de sair do vale onde me desterrei, preparar um saco com algumas coisas e viajar até à capital, para falar do único texto sobre o qual não tenho vontade de dizer coisa alguma.

É assim que a vida ensina os tontos a pensarem duas vezes antes de fazerem coisas para as quais não estão preparados.

Por isso, caríssimos, sexta-feira, pelas 19h30, numa rua de Benfica que só sei ser perto do cemitério (Rua Cláudio Nunes, 87 A), lá estarei, contente e passeada, para conhecer os doidos que me compraram o livro (e os que o quiserem comprar, e os que só lá vão porque não conseguiram bilhetes para ir ver a bola).




21/09/2016

Convite

É oficial, a primeira apresentação do livro está marcada para dia 28 de Outubro, em Lisboa (Benfica). Esta é a parte fácil, marcar um dia, o pior será pensar no que dizer. Se os meus querídissimos leitores mais experientes no assunto me quiserem dar umas dicas, aceito-as com toda a alegria. E, claro, estão todos convidados a aparecer, mais não seja para ficar a conhecer muitos de vocês.




16/09/2016

O que chega pelo correio

Chegaram hoje, à hora do almoço, pelo correio tradicional. Vinham todos juntos dentro do mesmo envelope. Ao contrário de todos os livros que compro, não os abri, não os cheirei, não os folheei. Continuam como um conjunto de livros que estranhamente têm o meu nome na capa e, a partir daqui, tudo parece deslocado.




Instantes depois, chegou pelo correio electrónico, a Menina - da Cristina Branco. Tivessem estes livros outro nome na capa e seriam a companhia perfeita um do outro.

01/08/2016

107 %

Foram 33 dias de intensa divulgação e espera. Foram 33 dias de surpresa e nervoso miudinho. Foi um total de 748 € (107%) angariados para a publicação do meu  livro. Se há três anos me dissessem que passaria por tudo isto, iria rir a bom rir. Hoje, só posso mesmo agradecer a todos que ajudaram a tornar isto possível.


30/07/2016

Habemus librum!!!!!


E pronto, já está alcançado o objectivo dos 700 €! Graças a vocês todos, minhas queridas-pessoas-generosas-sem-amor-ao-vosso-dinheiro-mas-com-um-coração-muito-grande! E aos anónimos também (um é meu pai, outro, minha mãe... e os outros desconheço).





P. S.: Pelo sim, pelo não, mais vale avisar já que não se aceitam devoluções. ;)

19/07/2016

Campanha «Falta pouco para os 700» - parte III

A manhã acordou fria, como acordam as manhãs de Inverno, como acordam as manhãs destinadas a acontecimentos tristes. Ela acordou muito antes da hora, numa consciência enevoada do que a esperava. Sentou-se na cama, puxando os lençóis até ao queixo, não querendo sair daquele ninho de relativo conforto. Encostou a testa aos joelhos recolhidos, a mão direita procurou o vazio dos lençóis frios no lugar onde ele devia estar. Não podia chorar. Num ímpeto, tirou a roupa de cima e saiu da cama. Foi com raiva que se despiu, foi com raiva que sentiu a água quente a correr-lhe na pele, foi com raiva que se enxugou, quase se ferindo. A raiva que a consumia de improviso quando não lhe restava mais nada. Não choraria.





Porque faltam 14 dias, 33% do objectivo (embora eu saiba que falta menos, porque já me chegaram promessas de contribuições) e o nervoso miudinho encontrou casa dentro do meu estômago, um vislumbre das coisas bonitas que podem ler dentro das não-sei-quantas páginas que o livro tem.

E porque nunca é demais relembrar, um agradecimento sentido, profundo, sincero, emocionado a todos os que têm partilhado e contribuído para este livro. OBRIGADA!

12/07/2016

Campanha «Falta pouco para os 700» - parte II

Faltam 21 dias e 300 €. O que me leva a pensar «lindas ideias maravilhosas tu tens, rapariga!». Só quem gosta de complicar o que é simples é que tenta publicar um livro assim.

Mas toda esta campanha tem tido um impacto na minha vida muito para além do que imaginava, pelas pessoas fantásticas e generosas que ajudaram de muitas formas e divulgaram este projecto -- como a Isabel, a Luísa, o Impontual, o C. N. Gil, o Luís, o josé luís, o Fernando, a A. C., a Elvira, a redonda, a noname, a Castiel, a BeijoMolhado, a Ava Pain  (espero não me ter esquecido de ninguém e, se esqueci, digam-me que corrijo a falta :).

Comoveu-me profundamente o esforço de todos. Não me conhecem, não tinham obrigação alguma, mas fizeram-no e este gesto vai acompanhar-me a vida inteira.

Depois há o outro lado, o da pontinha da desilusão deixada pelos da casa. E digo da casa, no sentido de espaço real, não virtual. Ninguém é profeta na sua própria terra, ainda assim... 

Não sei se já disse, mas um grande, enorme!, obrigada a todos os que ajudaram! :)



30/06/2016

Depois da histeria, um pouco de serenidade

Agora que passou o choque da emoção e esta aventura já vai no segundo dia - uma fartura de tempo, portanto, parece-me importante fazer uma pausa e contextualizar aquele texto que pode, ou não, ver a luz do dia.

Não há em mim qualquer vontade de ser famosa, até porque sei muito bem que fama não significa mérito ou qualidade. Também não pretendo começar uma carreira ligada à escrita, por saber que não seria capaz de o fazer.

Tanto assim é que partilhei aqui no blogue, em 2013, uma troca de opiniões com um querido amigo que me incentivava a atirar-me às letras.







Noell Oszvald


Se assim é, porquê este livro?

Este livro é sobre mim (grande novidade) e um acontecimento muito violento que vivi. Foi a forma que tive de entender o que aconteceu, gastar o sofrimento que dali adveio e, de certa forma, arrumar assunto e pessoa. Até conservar-lhe uma série de características que começo a esquecer, quatro anos passados.

Por isso, este é um livro que detesto, profundamente. Quase odeio. A que não consigo voltar, que me deixou prostrada quando escrevi o último ponto final e que quase deu cabo do resto quando há uns meses o revi para a editora dar início ao processo do crowdpublishing.

Mas este livro é também o resultado da última ordem do meu morto. «Escreve», disse ele, depois morreu-me e escrever foi a única forma de o manter vivo dentro de mim. E, por causa desta ordem, comecei mesmo a escrever no blogue, a assumir os meus poemas, a perder a vergonha de dizer «isto é meu!».

Por isso, este é um livro que amo, profundamente. Se chegar a ser papel impresso, guardá-lo-ei junto dos livros que ele me deixou e então o ciclo ficará completo.


Se me agrada ter quase de impingir às pessoas que comprem um livro que desconhecem e podem nem vir a gostar? Nem por isso. 
Se há coisas que gostava que tivessem sido diferentes? Também.
Mas é o que há.

Se gostarem, se quiserem ajudar, claro que ficarei muito feliz. Senão, aceito com toda a naturalidade.


Um amor morto é uma estranha companhia, está na hora de o deixar em paz.

29/06/2016

Campanha «Falta pouco para os 700» - parte I

Feitas as contas ao primeiro dia de campanha para angariar 700 € que financiem a publicação do meu livro, já cheguei a várias conclusões:

  1. detesto vender coisas;
  2. não tenho jeito para vender o que é meu;
  3. a minha mãe é totó porque se enganou a participar, contribuiu em anónimo e agora nem livro, nem autógrafo, e vai ter de abrir os cordões à bolsa outra vez;
  4. os meus irmãos estão, como sempre, a ver se se escapam de ajudar os meus projectos;
  5. o meu pai fez um ar preocupado quando lhe disse 700 €;
  6. estou quase a prometer fotos indecentes a troco de dinheiro (o que pode ser muito mal interpretado);
  7. quem já ajudou só pode ser tolinho e não tem amor ao próprio dinheiro! (obrigada!!!)


Deixo-vos o vídeo promocional, só para terem a noção da piroseira que é aquele escrito. Depois prometo que deixo de falar do assunto por uns dias.



Entretanto, já só faltam 600 e troca o passo. Coisa pouca, portanto.

28/06/2016

Uma emoção sem limites

Já aqui tinha deixado duas coisas que me aconteceram e que não contava com elas: escrever um conto para a Preguiça Magazine e ter um programa singelo na Foz do Mondego Rádio. Faltava uma, para acabar a trilogia de atropelos inesperados à paz dos meus dias: o meu livro.

Meus queridos leitores, comentadores, anónimos e todos os que por aqui passam, é com muita emoção e uma pontinha de orgulho e muitos pozinhos de medo que vos apresento aquele que foi um dos projectos mais difíceis que levei a cabo e quase acabou de vez que a minha sanidade mental...




~


O livro está na plataforma de crowdfunding, é certo, e se quiserem ajudar a que ele veja a luz, é convosco. Eu só queria mesmo contar-vos a novidade.


Agora vou ali contar a novidade à família, já volto. :))

27/01/2016

E quem diz 70 pode muito bem dizer 80

Paruolo

PARA TODAS AS RAPARIGAS DE ESPÍRITO INDEPENDENTE, EIS UM VERDADEIRO GUIA DE AVENTURAS INTERDITO A RAPAZES.

Fomos raparigas nos anos 70, muito antes da Internet, dos telemóveis, do correio de voz. Os telefones tinham cabos e mostradores em que se discavam os números. Ouvíamos discos e cassetes – já éramos praticamente adultas antes dos CDs – e o mais das vezes fazíamos coisas audaciosas como, por exemplo, ir para a escola sozinhas. Ir de bicicleta à loja mais próxima. Tomar conta de crianças quando ainda tínhamos para que idade que tomassem conta de nós. Passar horas sozinhas, a brincar à macaca ou a fazer um forte no quarto, ou a transformar a vizinhança no cenário ideal para operações secretas, jogos inesperados e reinos medievais imaginários. Hoje em dia, as raparigas vivem no século XXI, com contas de correio electrónico e jogos de vídeo incrivelmente complexos, iPods e comunicações por cabo. A infância é, em muitos aspectos, mais gira do que a nossa – o que não daríamos por um comando à distância, uma parede de escalada ou um leitor de MP3! Não obstante, noutros aspectos, ser rapariga hoje em dia é menos divertido. A adolescência tornou-se competitiva e é alvo de muitas pressões, mais do que alguma vez pensámos, e as raparigas são encorajadas a ter melhor aspecto, a ser mais inteligentes e mais cuidadosas do que nunca. São induzidas mais cedo na idade adulta, são pré-adolescentes, adolescentes e mulheres antes do tempo. Muitas preocupam-se à exaustão com o corpo, a dieta e as notas.

Perante esta pressão, esta sobrecarga tecnológica e este perfeccionismo, apresentamos estórias e projectos sem fim, retirados da vastidão da história, da riqueza do conhecimento, da amplitude do desporto e da vida ao ar livre. Não se trata de recriar o nosso passado nos anos 70, nem em qualquer outra década, mas sim originar novo futuro. Considerem o Livro Audacioso para Raparigas um manancial de possibilidades e ideias para encher o dia de aventuras, explorações, imaginação – e, claro, alguma audácia e diversão.
Bon voyage.


14/05/2015

Depois duvido

12.12.99
Foz do Douro


Antes de conseguir adormecer -- as luzes fechadas, os olhos fechados, o corpo fechado -- ponho-me a brincar com palavras ou as palavras põem-se a brincar comigo. Construo frases que vou colando umas às outras com pontos e com vírgulas. Na manhã seguinte não me lembro de nada. Era porque não era importante, penso. Depois duvido.



in Saudades de Nova Iorque, Pedro Paixão, 2000, Livros Cotovia, pág. 25