
30/05/2014
Os olhinhos já abriram
A cria única da minha gata júnior já abriu os olhinhos e está tão grande quanto a minha mão.

A minha vida dava uma banda sonora #22
Fragmentos de razão em diálogo, na contagem (de)crescente.
Resistance - Muse
It could be wrong, could be wrong
But it should've been right It could be wrong, could be wrong
To let our hearts ignite It could be wrong, could be wrong
Are we digging a hole It could be wrong, could be wrong
This is out of control It could be wrong, could be wrong
It can never last It could be wrong, could be wrong
Must erase it fast It could be wrong, could be wrong
But it could've been right It could be wrong could be...
29/05/2014
Em gatês maternal
| O meu nome é Tica e esta é a minha cria |
Nos últimos tempos, tenho aprendido muito sobre a língua dos gatos. Digo língua enquanto sistema de comunicação, não enquanto órgão. Na verdade, há três semanas que frequento um curso intensivo de gatês, desde que a minha gata júnior decidiu parir a única cria na cama do meu irmão mais novo.
Para a proteger dos outros quatro gatos adultos, dois deles machos, um deles ainda não castrado e respectivo progenitor da cria, trouxe-a para o andar de cima e pus-lhe o cesto no meu quarto. A minha gata júnior tem aversão à solidão, tê-la perto funciona para ambas: eu controlo-a e protejo-a, ela tem companhia e uma dose extra de mimo.
Têm sido, por isso, dias de grande aprendizagem, não de um gatês simples, que esse já eu sabia de cor e salteado: «quero comida», «deixa-me sair», «deixa-me entrar», «faz-me festas», »dá-me água da torneira»; mas um dialecto que só as mães gatas falam.
Aprendi, por exemplo, que o miado constante é a sua maneira simples de atrair a minha atenção e dizer-me: «vê o meu filho!» ou »faz-me festas!». A minha gata júnior que foi mãe de uma cria única tem momentos de muita carência de miminho, de festas, de atenção, de colo -- como qualquer mãe, como eu. Agora mesmo está sentada ao meu colo, a ronronar de satisfação, de olhos fechados em recatado pudor de não querer saber o que escrevo sobre ela.
Também aprendi que quando ela leva a cria única para o meio dos meus lençóis, chegou a hora de lhe mudar a roupa da cama. E de mudar a minha.
28/05/2014
Oh! se devias.
| Ben Lamberty |
Devias estar aqui rente aos meus lábios
para dividir contigo esta amargura
dos meus dias partidos um a um
- Eu vi a terra limpa no teu rosto,
Só no teu rosto e nunca em mais nenhum
26/05/2014
E ainda assim ele bate
| The Crooked House of Windsor - The Oldest Teahouse in England por Phil Wiley |
Tenho o coração a tombar para o outro lado.
Há muitos dias que me acontece senti-lo a
escorregar para o lado da saudade.
Não é grave, nem carece de cuidados médicos.
Há-de ir ao sítio, dizem, ou ruir de vez,
penso, e o coração lá vai batendo.
O tratamento é simples, escrevi-o eu
no papel pardo de um pacote de açúcar:
um beijo de Noto três vezes ao dia.
Ah! Quanto o meu coração agradeceria.
24/05/2014
22/05/2014
Que diremos dos portugueses?
"VIVIAN Vou intitulá-lo «O Declínio da Mentira: Um Protesto».
"CYRIL Da mentira! Parece-me bem que os nossos políticos têm mantido o hábito bem vivo.
"VIVIAN Asseguro-te que não. Nunca conseguem elevar-se acima da deturpação, e condescendem até em demonstrar, discutir, debater. Como isso é diferente da têmpera do verdadeiro mentiroso, com as suas afirmações impávidas e francas, a sua soberba irresponsabilidade, o seu desdém natural e saudável por qualquer tipo de prova."
20/05/2014
Deixa a circunferência e atenta na elipse - aprenderás muito mais sobre ti mesmo
Grassam pelo Facebook, e muitos blogues, imagens com frases inspiradoras, versando sobre a volatilidade das amizades ou a permanência das pessoas na vida de cada um, por exemplo: pessoas vêm e vão, acostume-se; só os amigos verdadeiros ficam para a vida; etc. e tal...
Até aqui nada de novo. São afirmações inegáveis que todos já tivemos oportunidade de comprovar, alguns bem mais do que uma vez. No entanto, no ímpeto de partilhar esta sabedoria de pacotilha, falha-se no essencial: as pessoas somos nós, se elas vêm e vão, é porque nós também vimos e vamos da vida dos outros. E como se pode afirmar que alguém, só porque a vida levou cada um para o seu lado, no tempo em que esteve presente não foi sincero e interessado, sendo aquilo que realmente se chama «amigo»? Não será demasiado cru considerarem essas pessoas como amigos postiços? E a nossa parte de culpa por não termos permanecido na vida dos outros?
19/05/2014
Pensamentos dispersos a meio da tarde.
Não me apetece escrever.
Ponto.
Sem travessão, com alguns parágrafos.
Não me apetece dois pontos escrever vírgula pensar vírgula estar aqui travessão sendo que abrir aspas baixas aqui fechar aspas baixas vale para o espaço virtual e real onde me encontro.
Parágrafo
Parágrafo
Preciso de cortar o cabelo e não quero
Detesto que me mexam no cabelo vírgula para o cortar vírgula não para o segurar com dedos viris.
Não vou deixar nenhum parágrafo em branco pelo meio
Intenções
O Wilde tem quatro, quatro ensaios sobre estética.
Eu tenho mais, quase todas com uma grande dose de malignidade.
O uso dos sinais de pontuação simplifica a vida - KISS!
Preciso de um dicionário de regências, desde manhã que me atormenta a dúvida: estar vaidoso de ou estar vaidoso com?
Nasceu-me um gato e um pé de salsa, tudo nasce cá em casa, menos eu. Todos os dias são passos mínimos na minha longa jornada para a morte.
Chove. Voltou o frio. Ao contrário de Vivian, quanto mais estudo a Natureza, menos me interesso pela Arte.
Pronto.
Ponto.
Sem travessão, com alguns parágrafos.
Não me apetece dois pontos escrever vírgula pensar vírgula estar aqui travessão sendo que abrir aspas baixas aqui fechar aspas baixas vale para o espaço virtual e real onde me encontro.
Parágrafo
Parágrafo
Preciso de cortar o cabelo e não quero
Detesto que me mexam no cabelo vírgula para o cortar vírgula não para o segurar com dedos viris.
Não vou deixar nenhum parágrafo em branco pelo meio
Intenções
O Wilde tem quatro, quatro ensaios sobre estética.
Eu tenho mais, quase todas com uma grande dose de malignidade.
O uso dos sinais de pontuação simplifica a vida - KISS!
Preciso de um dicionário de regências, desde manhã que me atormenta a dúvida: estar vaidoso de ou estar vaidoso com?
Nasceu-me um gato e um pé de salsa, tudo nasce cá em casa, menos eu. Todos os dias são passos mínimos na minha longa jornada para a morte.
Chove. Voltou o frio. Ao contrário de Vivian, quanto mais estudo a Natureza, menos me interesso pela Arte.
Pronto.
15/05/2014
14/05/2014
Conhecerás a escrita e a escrita te envergonhará
Acabo de encontrar um caderno, talvez de 96 ou 97, onde escrevi uma espécie de romance. Como é possível não me lembrar de ter escrito aquilo?
Garanto-vos que ainda não recuperei do espanto, muito menos do susto, e depois de ler o primeiro parágrafo não me arrisco a continuar. Nem quero pensar se «aquilo» tivesse caído nas mãos erradas.
Adenda - com uma planificação da história e tudo! Sinceramente, foi coisa que nunca mais fiz - planear a escrita -, às tantas devia. Estou que nem sei explicar.
Adenda - com uma planificação da história e tudo! Sinceramente, foi coisa que nunca mais fiz - planear a escrita -, às tantas devia. Estou que nem sei explicar.
13/05/2014
Conhecereis a escrita e a escrita vos aprisionará
![]() |
| autor desconhecido |
Perguntam-me se escrevo. Se tenho escrito. Respondo que não. Ao inevitável porquê um silêncio ignorante. Não sei. Não sei por que não escrevo, da mesma forma que não sei por que o faço. Há uma ausência de tragédia nos dias próximos que me priva da vontade de vomitar em palavras os sentimentos atrofiantes. Talvez seja por isso que não escrevo. De qualquer das formas, escrever não me liberta: conhecereis a escrita e a escrita vos aprisionará. Fere-me, prostra-me, pesa-me. Cada palavra que escolho, mesmo que seja uma escolha pouco satisfatória, leva o meu ADN, por isso, sou uma péssima ficcionista. Sou eu a escrever-me em círculos desenfreadamente pessoais até não me reconhecer em nenhum -- mas sou eu, está lá tudo o que é meu. Perguntam-me se tenho escrito. Respondo que não. Ao inevitável porquê um encolher de dedos: já tudo fui dita.
09/05/2014
07/05/2014
ninguém sonha a pressa
![]() |
| Dilia Oviedo |
Ternura
David Mourão-Ferreira"Desvio dos teus ombros o lençol,
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do sol,
quando depois do sol não vem mais nada...
Olho a roupa no chão: que tempestade!
Há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
onde uma tempestade sobreveio...
Começas a vestir-te, lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo...
Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!"
in "Infinito Pessoal"
06/05/2014
Arte de Trovar ou como o escárnio já tem barbas
Capitolo quintoCantigas d'escarneo som aquelas que os trobadores fazen querendo dizer mal d'alguen en elas, e dizen-lho per palavras cubertas que hajan dous entendimentos, pera lhe-lo non entenderen... ligeiramente: e estas palavras chamam os clerigos "hequivocatio". E estas cantigas se podem fazer outrossi de mestria ou de refram.
em Arte de Trovar do Cancioneiro da Biblioteca Nacional de Lisboa/introd., ed. crítica e fac-símile Giuseppe Tavani (1999)
05/05/2014
03/05/2014
02/05/2014
Não tentem lixar o estagiário
"Le Nouveau" : Sortit en 2007
Réalisateurs :
Fanny Dagoumel, Axel Graux, Antony Lacordaire, Gaelle Lefebvre.
Synopsis : Le directeur de la maison de retraite "Les joyeux pinçons" souhaite remplacer le concierge, qui approche de la retraite, mais comment ce dernier va-t-il réagir face à l’arrivée de nouveaux stagiaires ? Christian, jeune recrue, va-t-il réussir son stage avec succès ?
Voix :
Christian - Loïc Corbery
Eugène - Jean Claude Donda
Musique Originale : Pascal Lengagne
Son : José Vicente
Ecole Supérieure des Métiers Artistiques.Montpellier.France©ESMA.2007
01/05/2014
Ou cravos e chamem-lhe liberdade
| Brett Walker |
Porque é que este sonho absurdo
a que chamam realidade
não me obedece como os outros
que trago na cabeça?
Eis a grande raiva!
Misturem-na com rosas
e chamem-lhe vida.
Dia do Trabalhor
Hoje é dia do trabalhador. Mas do trabalhador com contrato? Do precário? Do oficial ou do oficioso? E cuidar de uma família e cinco gatos também é trabalho?
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