| kaminakapow |
27/04/2015
O problema não és tu, sou eu!
Preciso de férias deste espaço. Nada de férias grandes, talvez só umas mini-férias de Carnaval ou uma Páscoa alargada. Ultimamente só consigo pensar em frascos e medições de açúcar, nem uma crise existencial ou um devaneio sentimental para me inspirar, só uma aridez de ideias feita de frutose.
Hei-de voltar -- diz-me a experiência que a um momento de pausa escrito e partilhado se segue uma momento de fúria criativa, uma imperiosa vontade de escrever que projecta maçãs de cima da mesa a velocidade de metralhadora. A ver vamos como corre desta vez.
Mas não pensem que deixo de vos ler. Afinal, tenho de me entreter enquanto a abóbora coze.
25/04/2015
22/04/2015
Conclusão do dia
Tomar um comprimido para a descongestão nasal equivale a passar o dia a arrastar o resto do corpo por todo o lado.
21/04/2015
No man is an island, entire of itself...
Sempre desconfiei das pessoas que afirmam confiadamente conseguir separar as ligações emocionais que se vão criando no mundo virtual das ligações emocionais do mundo real. As que garantem que, quando desligam o computador, o telemóvel esperto ou a tabelete, desligam também todas as leituras, as partilhas, as conversas.
Tenho para mim que o que lhes acontece na verdade é não terem quaisquer ligações emocionais com as pessoas com quem convivem no virtual. Somos seres sociais, uns mais do que outros, é certo, precisamos de nos relacionar, uns mais do que outros, é ainda mais certo, mas não acredito que sejamos ilhas, isolados de tudo e todos.
Hoje soube que uma pessoa que costumo ler e comentar, e por quem tenho uma grande estima, está a passar dias difíceis. Não é que possa fazer muito, pouco mais me resta do que usar a virtualidade para lhe enviar uma mensagem de ânimo e o desejo sincero que esses dias difíceis passem rápido e tragam, dentro do possível, boas notícias.
20/04/2015
19/04/2015
Vontades que despertam
Vivemos momentos. Arrumamos esses momentos. Vivemos outros momentos. Arrumamos esses outros momentos. E por aí fora. Mas há alturas em que os momentos vividos e arrumados despertam como um urso que se despe da hibernação e deixam no estômago uma fome antiga.
Hoje foi um desses dias. Ver a equipa do puto levar 11 secos lembrou-me os tempos em que a minha equipa de futsal espalhava vitórias pelos torneios em que participava.
Nota para mim: Deixa-te de ideias, rapariga, já estás velha para estas coisas.
16/04/2015
Nada do que temos é verdadeiramente nosso
Gostamos de ter coisas, de poder dizer que somos autónomos e independentes o suficiente para possuir o que acreditamos ser nosso por direito. A este gosto alia-se a imposição social dos medidores de sucesso e felicidade pela quantidade de dados possuídos.
Enchemos o peito e a boca para dizer: o meu carro, a minha casa, o meu tempo-livre, o meu namorado/marido/amante/amigo colorido(a), os meus filhos, o meu percurso profissional. Tudo meu. Nada meu, na verdade. Compramos um carro e uma casa e andamos a vida toda a pagar ao Estado o direito de os ter; o tempo é cada vez menos livre; o par dançante da relação é-o até lhe dar uma travadinha, ou a nós, e deixar de ser; os filhos não vêem o dia e a hora de ser porem a andar de casa dos pais e o percurso profissional anda cada vez mais na corda bamba. Quanto mais queremos ter, menos temos. Nem um simples telemóvel nos pertence.
Precisamos de um telemóvel, escolhemos uma operadora, um modelo, um tarifário. Pagamo-lo. Usamo-lo segundo as regras que nos impuseram e aceitámos, sem que este telemóvel seja realmente nosso. No dia em que precisamos de o usar com outra operadora, obrigam-nos a pagar um valor estupidamente alto para nos permitirem fazer o uso que bem entendemos de um produto que é nosso.
À conta disto, tenho três telemóveis em casa, que não servem para nada, enquanto eu estou celularmente incomunicável por me ter morrido o aparelho que usava.
15/04/2015
Entretanto... Pois, não sei.
Não tenho encontrado nos seres ditos humanos que me rodeiam muitos motivos para confiar neles ou para gostar de me ver rodeada por eles durante períodos de tempo consideráveis. Assim mesmo, sem vírgulas, de enfiada, como se fosse um desabafo. E é.
Acredito piamente -- ou ingenuamente -- que basta um pouco de compreensão e um jogo de cintura elegante para que a convivência seja sã, útil, frutífera. Continuo a resistir a compreender a intolerância generalizada e o aproveitamento descarado da generosidade alheia. Mas acredito menos. Já não me espantam ou revoltam tanto como outrora os desabafos dos meus amigos sobre os relacionamentos difíceis, desapaixonados e violentos que vivem -- porque a violência das palavras, dos silêncios e dos gestos indiferentes pode ser mais agressiva e dolorosa do que a violência de um estalo --; tenho cada vez menos que lhes dizer, menos explicações, mais encolheres de ombros, mais banalidades circunstanciais. Pois. Pois, não sei. E a vida segue como até então, deslizando no lodo onde se espalham pequenos ringues, onde se digladiam seres, ditos humanos, a destruirei-se lentamente até não sobrar mais nada.
Talvez tudo isto justifique as horas, os dias, que passo em silêncio. Talvez não justifique nada. Talvez seja eu que esteja lentamente a dar motivos para o esquecimento. Hoje acordei com as mãos baças, os pés quase apagados -- amanhã não sei como será. Entretanto, creio, desaparecerei.
14/04/2015
Sabem aquela história das pedras e do castelo que toda a gente pensa que é do Pessoa mas não é? Pois.
Durante quatro anos, que me lembre, fomos injectados com doses cavalares de vírus pró-empreendedorismo. Não nos disseram com ar paternalista, não, gritaram-nos que era preciso sair da zona de conforto e bater punho, bater em quem tivesse de ser, desde que alcançássemos o cume do Evereste que era ter um negócio próprio.
Ao fim deste tempo todo, depois de muitas hesitações, medos, «isto não é para mim», e neuroses semelhantes, lá me decidi. Começo um micro-negócio, coisa caseirinha, e deixo ir a ver onde isto me leva. Para meu grande espanto, «isto» despertou uma onda de entusiasmo familiar, como não me lembro de alguma vez ter visto, por isso, mesmo que queira deixar o embrião de negócio em águas de bacalhau, já não me deixam.
No entanto, para crescer não se pode estar dependente de vendas porta-a-porta, nem de uma carteira de clientes que inclui a família e alguns amigos, é preciso ter um plano de expansão e fazer-se à vida. Mas a vida é madrasta e, ontem, entonteceu-me de tal forma que cheguei ao fim do dia quase como tinha começado -- e digo quase porque a dor nos pés e o cansaço das pernas era muito superior.
Pretendia uma informação muito simples: com quem tenho de falar e o que tenho de fazer para participar em feiras de artesanato do concelho vizinho. Ninguém sabe. Nem juntas, nem câmara, nem turismo -- ninguém. Acontecem, toda a gente sabe, como é que nem por isso. Lá desencantei um número de telefone que, talvez!, seja de quem me pode ajudar.
Bem sei que sair da zona de conforto implica entrar numa zona de desconforto, só não precisava de ser uma zona tão mal organizada. Pelo menos conseguiram deixar-me com vontade de bater, ainda não decidi se em mim, se em pessoa alheia.
Hoje, quando acordei, estava assim meio a sentir-me «rai's parta isto tudo», depois entrei na página do meu micro-negócio e vi duas mensagens que me tinham deixado, uma pública e outra privada. Entre elogios e encomendas, a minha alma lá se animou. As pernas e os pés é que continuam a latejar.
10/04/2015
Viver do ar
Partilho um texto da Maria do Rosário Pedreira, editora da Leya e poetisa que muito aprecio, sobre um assunto que me toca também. Não que seja escritora famosa a quem solicitam textos em troca da gentileza de se terem lembrado de mim, mas revejo-os e, de certa forma, é uma das minhas profissões, logo, uma forma de ganhar a vida. Há, no entanto, quem resista a ver as coisas por este prisma e insista em me dar textos, currículos, cartas de apresentação, trabalhos da faculdade, para a mão, para eu ler e ver se está tudo bem, sem nunca me perguntarem se levo caro ou barato. Afinal, custa alguma coisa dar um jeitinho? Custar, não custa, o que custa é dar muitos jeitinhos e continuar sem ter como pagar as contas.
Quando eu comecei a trabalhar no ramo editorial, a maioria dos
escritores com obra publicada tinha um emprego fixo e escrevia nas horas
vagas (como não havia tantas solicitações como há hoje e a televisão só
tinha dois canais, era mais fácil arranjar tempo). No entanto, hoje os
escritores querem viver exclusivamente do que escrevem (que é, também, o
seu trabalho) e, porque o País é pequeno, raramente o que tiram das
vendas dos respectivos livros é suficiente para se sustentarem, tendo
por isso de se lançar à escrita de guiões, artigos de jornal, recensões,
peças de teatro, etc. Mas não é fácil, claro; primeiro, porque estas
manobras os afastam muitas vezes das obras que estão a compor; depois,
porque estão sempre a ser solicitados para escrever sobre tudo e mais
alguma coisa, de borla! Pois, pois... Eu queria ver se alguém tinha lata
de convidar um economista ou um médico para escrever ou falar sobre um
assunto específico sem lhe pagar... A um escritor, porém, quase nunca se
toca no assunto do dinheiro, como se ele vivesse do ar e fosse sua
obrigação oferecer de mão beijada todos os seus textos. É, na verdade,
escandaloso – e a verdade é que muitas vezes, ao convidarem escritores
para discursarem neste ou naquele evento, ainda acham que lhes estão a
fazer um favor e a dar uma oportunidade para promoverem os seus livros.
Eu, por exemplo, estou a sempre a receber pedidos para fazer prefácios
em livros de poetas estreantes, mas mais recentemente também me pediram
artigos que me obrigariam a uma investigação séria sem mencionar o
pagamento uma única vez. Fiquei até agradavelmente surpreendida quando
há uns meses uma instituição me convidou para ler e falar de poesia e me
disse logo que pagava. Mas foi uma excepção e não parece que ninguém
lhe siga o exemplo. Escrever será pior do que fazer contas em quê?
Maria do Rosário Pedreira, no seu blogue Horas Extraordinárias
09/04/2015
A nobreza da desistência, ou como eu não percebo nada disto
| Adriana Lima |
Desisti.
Eu sei que não posso desistir de nada, tenho de ser resistente, resiliente como as baratas, com a capacidade de sacrifício de uma parturiente. É assim que se vêem os fortes, que se escolhem os capazes, que se separam os meninos dos homens -- ou as meninas, das mulheres --, sofrendo e resistindo. Eu sei.
Quanto maior a adversidade, maior a satisfação de a ultrapassar. Oh alegria tremenda em derrotar o Adamastor. Oh gáudio dos vencedores que superam os vencidos. Oh vida a minha, que estou à beira de um ataque de nervos!
Desistir, nunca! Resistir, sempre!
Sei, mas desisti. Desisti de tentar entender a porcaria do Access e de fingir que os números e as contas são o meu caminho intuitivo. Se não for o Excel a salvar-me a vida, é bom que fique rica depressa, para pagar a quem me faça os cálculos.
08/04/2015
A chuva chegou
A chuva chegou cá acima. Anunciou-se com pingos grossos e espaçados, fez fugir os gatos do sono aquecido pelo chão, arrancou a roupa do estendal à força de mãos apressadas. A chuva chegou cá abaixo. De repente contínua, insistente, fria, desabando do céu, como se fosse Inverno. A chuva chegou e trouxe com ela o sono pesado do abandono, um desejo de aconchego, os sapatos fechados.
Uma questão de paixões
Enquanto reviro as caixas com as canetas e os clips, na procura, prevejo eu, frustrada de uma mola para prender um maço de papéis, encontro no fundo de uma um pequeno papel rasgado de um canto de um caderno, dobrado em três, com uma letra miudinha escrita a lápis. Sei, mesmo antes de ler o papel, do que se trata, quem o escreveu e quando. Sorrio -- são estas pequenas coisas que quase me fazem lamentar ter desistido da minha primeira paixão.
Depois, numa coincidência digna de um filme, cai mais uma encomenda na caixa do correio e eu lembro-me por que me permiti seguir outras paixões.
Do lado de fora do papel, lê-se: «Vai passando, mas não leias.»; do lado de dentro, «olá stora!».
E ainda dizem que ler não faz bem à saúde

Depois de contemplar leituras tão atentas, estou apta a comprovar que o meu ritmo cardíaco atinge velocidades boltianas e que os meus pulmões expelem ar qual Airbus A 380.
O apelo de um homem a ler é irresistível. Claro que o charme passa pela sábia escolha do título, um Armani que lê Paulo Coelho arrisca-se a ser imediatamente descartado.

Sugestão de leitura: Yann Martel, Beatriz e Virgílio. Editorial Presença.
05/04/2015
No primeiro dia da semana
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| Cross_Roads_by_christians |
«Ele não está aqui, porque já ressuscitou»
Mateus 28, 6
04/04/2015
Em conformidade com a época
Posso afirmar com toda a certeza que sofro um tipo de morte que não é bem morte, só cansaço de parecer que não se está vivo. Espero ressurgir entre amanhã e o Domingo. Talvez lá para segunda...
p.s.: é fácil entender o grau de cansaço, olhando para o espaço temporal mencionado: «entre amanhã e o Domingo», que é exactamente o mesmo dia...
p.s.: é fácil entender o grau de cansaço, olhando para o espaço temporal mencionado: «entre amanhã e o Domingo», que é exactamente o mesmo dia...
03/04/2015
A hora nona
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| Cross_Roads_by_christians |
«E eis que o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo; e tremeu a terra, e fenderam-se as pedras; e abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos que dormiam foram ressuscitados»
02/04/2015
Filmes de animação
Sempre gostei de filmes de animação. Era uma forma barata e prática de entreter os meus irmãos mais novos, sem custo algum. Ainda hoje descansam num canto do móvel da televisão as VHS dos filmes que fizeram história cá em casa. Era até costume, sempre que a minha mãe me visitava em Lisboa, trazer um filme para os miúdos, e aquelas cassetes eram vistas e revistas até à insanidade, até se decorarem as falas, os gestos, as músicas -- na altura em que o Youtube ainda não cantava, rodávamos a fita para a frente e para trás até pensarmos ter escrito a letra da música, certinha e direitinha. Um dos momentos altos foi ver o Tarzan, na sala grande do Colombo, para gáudio dos miúdos e meu, há que dizê-lo com toda a frontalidade.
Claro que no início era a Disney, depois veio a Pixar, a seguir a Dreamworks. Depois a Disney papou a Pixar e quem ganha é quem gosta de bons filmes de animação que deixaram, há muito, de ser só para crianças.
Por falar em Dreamworks, são deste estúdio alguns dos filmes mais amados, tão amados que ainda hoje me lembro de falas e cantarolo as músicas -- sim, quando estou sozinha ou distraída, dá-me para as cantorias. São eles O Príncipe do Egipto; José, o Rei dos Sonhos e Spirit.
Como curiosidade, até porque este palavreado todo servia para isso, um vídeo que mostra a evolução do logótipo ao longo de vários filmes.
Só mais uma coisita, os supra-mencionados «miúdos» são actualmente dois rapagões de 28 e 25 anos, um com 1,83 m e o outro com 1,89 m...
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