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14/05/2015

Depois duvido

12.12.99
Foz do Douro


Antes de conseguir adormecer -- as luzes fechadas, os olhos fechados, o corpo fechado -- ponho-me a brincar com palavras ou as palavras põem-se a brincar comigo. Construo frases que vou colando umas às outras com pontos e com vírgulas. Na manhã seguinte não me lembro de nada. Era porque não era importante, penso. Depois duvido.



in Saudades de Nova Iorque, Pedro Paixão, 2000, Livros Cotovia, pág. 25


11/01/2013

Oscilações

A imagem tem o poder de enganar muito, a palavra tem o poder de mentir muito.
Pedro Paixão, Quase gosto da vida que tenho 
Rage_by_Caliban13 @ dA

17/08/2012

Rosa vermelha em quarto escuro

Adoro feiras do livro. Melhor, adoro encontrar os livros que quero ler, a preços acessíveis, nas feiras do livro. Gosto indiscutivelmente mais quando esses livros excedem as minhas expectativas. Como este.

Pedro Paixão tem um estilo de escrita que me agrada bastante. Com frases curtas. Limitadas ao essencial. Cada uma valendo o que vale. Já conhecia o estilo de Saudades de Nova Iorque e de A noiva judia, no entanto, interessava-me ver como o autor passaria de um estilo diário e micro-ficções, para um romance. 

Na verdade, partindo da ideia de que a minha opinião vale alguma coisa, tenho para mim que, ainda que romance, Rosa vermelha em quarto escuro não deixa de ser composto pelas tais micro-ficções tão características de PP, à volta da mesma personagem, mas com vida própria se tirados do seu lugar. 

Gostei disso. É muito parecido com a forma como gosto de escrever. Li-o de um fôlego. Não há como manter o livro fechado, sem saber o desenlace.

07/02/2010

Penso em ti porque quero pensar em ti


 23.01.00

Penso em ti unicamente porque quero pensar em ti. E tu, desobediente obediente, vens logo. Num instante vejo-te a cara. O bem que me fazes é o mal que me fazes, as contas feitas. O amor morto é uma estranha visita. Bate devagar, levemente, um coração fechado nas mãos.

in Saudades de Nova Iorque, Pedro Paixão.

06/02/2010

Apago todas as mensagens.

 
Call_me__by_Nenlith



21.12.99
Santo António do Estoril

Apago todas as mensagens. Menos as tuas. Guardo a tua voz em pequenas doses e, dia sim dia não, ouço-as todas de seguida. Sinto-me demasiado incapaz para falar contigo para o que quer que seja. Não sei onde estás. Não quero saber. Tenho medo de saber mais do que sei. Uma dor de cada vez basta.
in Saudades de Nova Iorque, Pedro Paixão