Como quem sabe de antemão que esse é o curso
natural dos afectos, reorganizou-se para o acolher. Deixou que pregasse pregos
nas paredes, cedeu-lhe metade do guarda-fatos, empurrou livros para um lado e
arrumou algumas molduras, dividiu gavetas e aceitou o que lhe pertencia. O amor
está nas pequenas cedências, no espaço que se concede, na generosidade com que
se aceita a vida que o outro traz consigo sem se sentir diminuído, antes mais
completo. Ele ocupou a casa e ocupou-se dela.
Um amor morto, Carla Pinto Coelho
