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29/09/2015

22/05/2015

Tudo isto se põe

mas há quem insista em colocar à bruta! Diz que é moda linguística.

pôr em dúvida
pôr em ordem
pôr à venda
pôr à mostra
pôr em acção
pôr ao corrente
pôr a par
pôr em campo
pôr-se a salvo. 
pôr a limpo uma questão
pôr as cartas na mesa
pôr a boca no mundo
pôr as barbas de molho
pôr o coração (ou as tripas) pela boca
pôr o dedo na ferida
pôr mãos à obra
pôr na boca de alguém
pôr na rua
pôr o carro adiante dos bois
pôr o preto no branco
pôr em pratos limpos
pôr as mãos no fogo por alguém
pôr no olho da rua
pôr nas nuvens.

04/02/2015

Uma questão de (des)encontros

Ir de encontro é diferente de ir ao encontro. 

Deixem de uma vez por todas de ir contra as coisas e comecem antes a encontrar-se com elas. Ir de encontro a um homem lindo de morrer é diferente de ir ao encontro dele. Pode ser que o encontrão dê uma história de amor, o mais certo é resultar numa nódoa negra - para o caso, tanto faz.


O presidente do Costa do Sol teceu elogios à jovem treinadora e justificou a aposta argumentando que vai de encontro aos ideais do clube que passam por dar espaço a jovens desportistas.

25/11/2014

Seguem-se os optantes compulsivos

Depois do «a propósito de» por dá cá aquela palha e dos colocadores compulsivos, os optantes militantes. Opta-se por um cachecol nos dias frios, opta-se por barrar a forma com manteiga, opta-se por tomar os comprimidos às horas certas. Opte, opte, opte... mas será que já ninguém escolhe, prefere, se decide por? Que nervos.

18/11/2014

Falta a vírgula, Alvim!

A menos que É a vida Alvim seja uma nova espécie de vida. Se não for, o Alvim será um mero vocativo, logo, carecedor de vírgula antes da vida.




14/11/2014

Correio sentimental

Há três anos, ouve o que te digo: sê forte e deixa o atrás para trás (das costas).

09/10/2014

Já ninguém põe??

O desgraçado do verbo pôr foi banido da gramática nacional. Agora toda a gente coloca, ninguém quer pôr, porque alguém se lembro que «quem põe são as galinhas». E como ninguém quer estar fora de moda, há que colocar até o que se põe.

Não tarda, daremos beijos apaixonados ao colocar-do-sol e as crianças aprenderão onde é que as pitinhas colocam o ovo. Quando nos quisermos ir embora, basta colocar-nos a andar ou colocar-nos nas putas -- que é para onde apetece mandar os colocadores compulsivos.

18/09/2014

Curso Rápido de Gramática

Tomemos com exemplo filho da puta, nos seguintes contextos:


1) "Conheci um político filho da puta."- complemento do nome;

2) "O político é um filho da puta." - predicativo do sujeito;

3) "Esse filho da puta é um político." - sujeito.

4) "Agora nega o roubo, filho da puta!" - vocativo.

5) "O ex-ministro, (escolha o nome que lhe interessar), aquele filho da puta, desviou o dinheiro dos submarinos." - é aposto.

Agora vem o mais importante:
6) "Saiu da presidência em janeiro e ainda se considera presidente." - o filho da puta é sujeito subentendido.


Ou então consultem o Dicionário Terminológico em linha.

08/09/2014

Eu pleonasmito, tu pleonasmitas, todos pleonasmitamos

A “pleonasmite” é uma doença congénita para a qual não se conhecem nem vacinas nem antibióticos. Não tem cura, mas também não mata. Mas, quando não é controlada, chateia (e bastante) quem convive com o paciente.

O sintoma desta doença é a verbalização de pleonasmos (ou redundâncias) que, com o objectivo de reforçar uma ideia, acabam por lhe conferir um sentido quase sempre patético.


Definição confusa? Aqui vão quatro exemplos óbvios: “Subir para cima”, “descer para baixo”, “entrar para dentro” e “sair para fora”.

Já se reconhece como paciente de pleonasmite? Ou ainda está em fase de negação? Olhe que há muita gente que leva uma vida a pleonasmar sem se aperceber que pleonasma a toda a hora.

Vai dizer-me que nunca “recordou o passado”? Ou que nunca está atento aos “pequenos detalhes”? E que nunca partiu uma laranja em “metades iguais”? Ou que nunca deu os “sentidos pêsames” à “viúva do falecido”?

Atenção que o que estou a dizer não é apenas a minha “opinião pessoal”. Baseio-me em “factos reais” para lhe dar este “aviso prévio”de que esta “doença má” atinge “todos sem excepção”.

O contágio da pleonasmite ocorre em qualquer lado. Na rua, há lojas que o aliciam com “ofertas gratuitas”. E agências de viagens que anunciam férias em “cidades do mundo”. No local de trabalho, o seu chefe pede-lhe um “acabamento final” naquele projeto. Tudo para evitar “surpresas inesperadas” por parte do cliente. E quando tem uma discussão mais acesa com a sua cara metade, diga lá que às vezes não tem vontade de “gritar alto”: “Cala a boca!”?

O que vale é que depois fazem as pazes e vão ao cinema ver aquele filme que “estreia pela primeira vez” em Portugal.

E se pensa que por estar fechado em casa ficará a salvo da pleonasmite, tenho más notícias para si. Porque a televisão é, de “certeza absoluta”, a “principal protagonista” da propagação deste vírus.

Logo à noite, experimente ligar o telejornal e “verá com os seus próprios olhos” a pleonasmite em direto no pequeno ecrã. Um jornalista vai dizer que a floresta “arde em chamas”. Um treinador de futebol queixar-se-á dos “elos de ligação” entre a defesa e o ataque. Um “governante” dirá que gere bem o “erário público”. Um ministro anunciará o reforço das “relações bilaterais entre dois países”. E um qualquer “político da nação” vai pedir um “consenso geral” para sairmos juntos desta crise.

E por falar em crise! Quer apostar que a próxima manifestação vai juntar uma “multidão de pessoas”?

Ao contrário de outras doenças, a pleonasmite não causa “dores desconfortáveis” nem “hemorragias de sangue”. E por isso podemos “viver a vida” com um “sorriso nos lábios”. Porque um Angolano a pleonasmar, está nas suas sete quintas. Ou, em termos mais técnicos, no seu “habitat natural”.

Mas, como lhe disse no início, o descontrolo da pleonasmite pode ser chato para os que o rodeiam e nocivo para a sua reputação. Os outros podem vê-lo como um redundante que só diz banalidades. Por isso, tente cortar aqui e ali um e outro pleonasmo. Vai ver que não custa nada. E “já agora” siga o meu conselho: não “adie para depois” e comece ainda hoje a “encarar de frente” a pleonasmite!

Ou então esqueça este texto. Porque afinal de contas eu posso estar só “maluco da cabeça”.


Autor desconhecido em.

12/02/2014

A propósito de

Se há locução prepositiva que me mexe com os nervos, me encaracola o cabelo, rebola os olhos e dá comichão no esófago é «a propósito de». Já não suporto ver um título de um texto ou início de texto explicativo que comece com «a propósito de». Sei que dá jeito, está sempre à mão, cai sempre bem, não há como enganar, mas custa muito experimentar um «sobre...», «referindo...», «pegando em...», «continuando...», custa?

19/07/2013

Não, sr.a dona Pilar e sr.a dona Dilma, a mulher não pode ser Presidenta

Quem anda minimamente informado sabe que tanto a presidente brasileira, Dilma Rousseff, como a presidente da fundação Saramago, Pílar del Rio, exigem ser tratadas como presidenta, por reclamarem para si uma igualdade de importância feminina num mundo ainda, e  por muito tempo, governado por homens. Vão até mais longe ao desconsiderarem quem assim não procede.

Ora bem, eu, que não sou numa fazedora de opiniões, vou tentar explicar a tolice por detrás desta postura tão pseudo-feminista.

Se a memória não me falha (já lá vão 13 desde a última vez), o latim possuía um particípio chamado Particípio Presente, que significava, lato sensu, aquele que fazia qualquer coisa: cantante – aquele que cantava. Na passagem do latim erudito para o latim vulgar e daí às línguas românicas – português, francês, italiano, castelhano e romeno – este particípio morreu enquanto tal, deixando reminiscências em palavras que usamos amiúde:

amante – o que ama;
docente – o que ensina;
caminhante – o que caminha;
temente – o que teme;
presidente – o que preside.

No entanto, estas palavras – que tanto podem ser nomes como adjectivos – têm uma forma que podemos dizer neutra, logo, não contêm em si informação sobre o género. Precisam, por isso, de um determinante artigo – que se chama assim por esta mesma razão, por determinar género e número – que nos diga se é menino ou menina. Daí:

o amante / a amante;
o docente /a docente;
o caminhante / a caminhante;
o temente / a temente;
O PRESIDENTE / A PRESIDENTE.

É tão simples, tão claro, tão bom para evitar tiros nos pés. Vamos lá a ser um pouco mais humildes, inteligentes e respeitadores da língua que falamos, se não, qualquer dia, exijo que me tratem por docenta e ai do meu homem que arranje uma amanta.

09/07/2013

Falta: Á - esta merda não existe

Pardon my french, mas há coisas que têm de ser ditas à bruta. Já dói na vista e na inteligência ler tanta burrice.



30/06/2012

Curso rápido de gramática

Esclarecendo dúvidas de gramática

Nem só de literatura (cof cof) vive este espaço, pois que a linguística (arrepio, susto) também é contemplada, várias vezes chamada a ser atriz principal ou tema central de algumas entradas. Mais uma vez, este blogue assume o seu dever cívico de informar e contribuir para o crescimento intelectual dos seus incontáveis leitores.

Não sei se já ouviram falar da TLEBS (Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário), mas esta senhora tem dado dores de cabeça e de barriga a professores e alunos, nos últimos anos. Não bastavam as mudanças de programas, ortografia, estatutos, também a gramática tinha de dar um arzinho da sua graça e vir-nos complicar as contas.


Curso rápido de gramática 

Tenho lido muitas confusões ortográficas com -mos e -se. Aproveitando que estamos na onda dos esclarecimentos, dou uma ajuda.

- Maria, chupa-mos! (imperativa) - separa-se, porque é pronome direto e indireto aglutinado (me+os).

- Nós chupamos com gosto. (declarativa) - não se separa, porque é o verbo conjugado na 1ª pes. do pl.

- A jogar assim, a Seleção lixa-se. (declarativa) - separa-se, porque é conjugação pronominal reflexa, i.e. a seleção lixa-se a si mesma.

- Como eu queria que ele se lixasse! (exclamativa) - não se separa, porque é o imperfeito do conjuntivo.


Vá lá, não fiquem assim. Eu ensino o truque rápido que nunca engana.
Estão a ver não? Então, sempre que tiverem dúvidas, ponham-no na frase e ele diz-vos se -mos e -se têm tracinho ou não.
Querem ver?

- Maria, NÃO mos chupes!

- Nós NÃO chupamos com gosto.

- A jogar assim, a Seleção NÃO se lixa.

- Como eu queria que ele NÃO se lixasse!



Viram o que aconteceu quando há um hífen? Claro que viram, vocês enchem-me de orgulho.

Agora, ide continuar a escrever essas coisas lindas que escrevem, mas sem se enganarem, é que afinal a nossa pátria é a língua portuguesa.



[ Nota: Vale o mesmo para -te. Não valia a pena estar a escrevinhar mais coisas. É fim de semana, caramba, há coisas mais interessantes para se fazer. ]