18/09/2012

Correndo o risco de só falar de coisas fofinhas

apresento-vos a Mel. A mamã super vaidosa Mel, que se a visitarmos 300 vezes por dia, 300 vezes faz questão de exibir as crias com orgulho.
É uma gata da cidade, nascida na Figueira da Foz, em casa de boas famílias, mas cresceu e viveu grande parte da sua vida na Covilhã. É muito independente e elegante, mas sabe pedir miminhos e aceita-os até estar satisfeita. Já caiu de um quarto andar e sobreviveu por ter ossos fortes e ser muito saudável. As patas rebentaram, porém já curaram e ela não ficou com sequelas.
É também uma gata de bom gosto, como se pode ver pelo seu benfiquismo - adora ir ao estádio.
Agora tem aqueles filhotes lindos que precisam de novos donos, são 3 gatas (os escuros e um dos castanhos) e dois gatos (o branco e um dos castanhos). Por isso, se és da Figueira, Coimbra, Montemor, Soure, Paião, e wherever..., não te acanhes. ;)




Ponto da situação: o gatinho branco da Violeta já morreu. :( E a Violeta pariu QUATRO gatos!!! (acho que o branco também não se deve safar) Amanhã já vo-los mostro.

17/09/2012

Habemus cattos - parte II

Antes de mais, deixem-me verbalizar um pensamento: NÃO QUERO ANIMAIS DOMÉSTICOS! 
Pronto, mais aliviada. Ui, soube mesmo bem... Onde é que eu ia? Ah, sim, temos mais gatos. Pois que sim, que eu tenho mais gatos, pois que não são vocês e este plural é aquilo que se chama plural majestático e serve só para os fins literários. Mas estava eu dizendo que tenho mais gatos, não de Violeta, a gata, mas de Mel Maria. E é aqui que chegamos ao ponto que me leva a concluir que realmente bichos domésticos em minha casa só se forem de plástico (lembram-se do meu aquário?) ou de loiça.

Comecemos isto por algum lado, espécie in media res, e contextualizemos a dita aventura do degredo. As sô donas gatas andaram doidas com o cio meses e meses. Vai daí que na única vez que a minha mãe se esqueceu de lhes enfiar as pílulas (pírulas, para quem é da aldeia), as assanhadas correram os gatos todos da vizinhança e combinaram de encher a casa de filhotes assim ao mesmo tempo. Isto leva-me à hipótese de ter sido uma orgia e tal, mas não quero imaginar sequer que as minhas gatas se divertem mais do que eu. 

Assim sendo, ontem pelas seis e tal, sete da manhã, a casa acordou com a estridência de Vi, a gata. Emoção, choraminguice da minha mãe e a esperança de uma arregaçada de bichos, tal era a barriga. Nada disso, a menina pariu um, unzinho para amostra. Como era a primeira ninhada (uma ninhada de um...), encarámos a coisa pelo normal. O pior veio ao fim da noite quando nos apercebemos que o bichinho estava mais frio do que quente e chorava de fome... Sim, desde que tinha nascido, não tinha mamado, porque a mãe não tinha leite. 

Aqui começa o drama, ou acontecia um milagre de noite ou a criatura ia ter uma morte daquelas dolorosas. O que aconteceu? Nada. A mãe continua sem mama e o bichinho a sofrer. Decidi, por isso, que alguém tinha de fazer alguma coisa e, depois de uma tremenda choradeira (sim, que eu sofro muito com isto), fui buscar uma caixa de plástico e uns algodões. Mais valia matá-lo de vez. 

Depois de uma chatagenzinha psicológica com o meu irmão a seguir a mim (não me olhem com esses olhos que foi ele que trouxe as duas gatas) e quando eu já estava a embeber o algodão em álcool e acetona, ele resolveu ir procurar a Mel Maria, para ver se ela lhe dava mama.

Eis senão quando, caríssimos, a bichinha já tinha duas bolinhas de pelo com ela, paridas no roupeiro dos papás. Assim que ele pôs o gatito, haviam de o ter visto agarrar-se à mama. Mas, rás parta os mas, há qualquer coisa que não bate certo e eu tenho para mim que o gatito não se salva, porque aposto o que quiserem que ele é prematuro. Nota-se pelo tamanho, mesmo pela cabeça e as patas, comparando com os outros, ainda não estão tão formadas.

Fui buscar um cesto, pus camisolas de lã velhas e fofinhas, com todo o cuidado pus a Mel lá, com os gatinho, e - vá, adivinhem, teve de correr alguma coisa mal -, vi que estava um pequenino morto, encostado à parede. Das duas uma, ou foi o primeiro e ela não soube bem o que fazer (ele estava cheio de placenta) ou, parece-me mais lógica, nasceram dois muito seguidos e aquele ficou esquecido.

Pelo meio, assisti ao nascimento de dois. Um, ainda ela estava no roupeiro, outro nasceu mais de uma hora depois. Acho que não vem aí mais nenhum, até porque foram cinco gatinhos grandes. Nasceu um escuro como ela, outro cinzento tigrado, dois ruivos e um branco (o que morreu).

Quanto ao outro, lá está, não deve passar de hoje. Pelo menos não morre sozinho, já que a desnaturada da mãe já foi laurear a pevide e deixou-o sozinho. É uma tolice, eu sei, estou a humanizar uma morte de um bicho que nem ficaria cá em casa, mas custava-me vê-lo morrer naquele sofrimento gelado, no silêncio de quem já nem força tem para miar.

Agora, vou fazer umas festinhas à Mel - está tãaaao carente! -, pôr mais roupa a lavar e ver se ela já pariu mais algum.

Já vos disse que não quero animais domésticos em minha casa? Pois, parece que sim, foi por aí mesmo que comecei.

16/09/2012

Habemus cattum

E é mesmo só um. Embora em pensasse que ela ia parir uma arregaçada deles. Violeta, a gata, pariu um filhote esbranquiçado como ela. Alguém quer?

15/09/2012

Amanhã, não se esqueçam

quando forem à manifestação...


14/09/2012

O salão de baile


Começa com nada. Não é isto,
começa sempre com alguma coisa.
Começa com um pensamento.
Assim está melhor. Um pensamento,
dos pequenos, na verdade, distraído, que
se insinua discretamente. Não lhe ligo.
Começa, por isso, a deixar pequenos
sinais da sua existência: uma memória
sugerida pelo trivial, um cheiro, uma
sensação. Depois, perdida a timidez inicial,
ei-lo a alma da festa. Traz outros pensamentos,
memórias, sensações. É já uma miríade.
A cabeça toda ocupada por ele que ri e
canta e dança e é rei.
Depois chega ela. Sedutora, atrasada, para
se fazer notar com mais espanto,
os olhos todos nela - desejam-na, temem-na.
A saudade,
diva perfeita, deixando o corpo em cacos.

12/09/2012

O pedido é simples, na verdade


O que eu quero mesmo é apaixonar-me. Quero o coração a bater forte, a ansiedade das horas contadas, a certeza de te saber à minha espera. Quero trocar confidências inocentes e beijos esquecidos, escrever o meu nome em pequenos papéis que espalho pelos teus bolsos, partilhar contigo as gomas, os segredos, os chocolates e as nuvens de algodão que sempre estarão no nosso céu.  Quero caminhar contigo de mãos dadas, contar as estrelas dos teus olhos, aninhar-me na paz dos teus braços.

Não quero estar contigo num dia com hora marcada. Que chegues na pressa, programado para o que tens de fazer e me tomes de assalto e te uses de mim e finjas que sou tudo o que queres e me deixes largada, me vires as costas sem saber o que dizer. Não quero o embaraço da lucidez, os corpos nus que se escondem nas roupas despidas com postiça deferência. Não quero a conversa de circunstância, os mal-disfarçados olhares contínuos para o relógio e a urgência de estar noutro lugar. Não quero voltar para casa, contar "mais um" que foi "mais nada". Não quero sentar-me na cama e lembrar que há mais do que isto.

Quero tardes sentadas em bancos de jardins, mãos que procuram as minhas, ouvir o que os teus dedos dizem aos meus. Quero o coração a bater no compasso da paixão. Quero o que é simples, a ternura que não precisa de planos escritos em agendas, o que acontece pela soma de duas vontades. A+B=C. Quero ouvir os teus segredos sussurrados pela satisfação do teu coração aquecido, contar as riscas da tua camisa enquanto as tuas mãos adivinham os fios do meu cabelo, os nossos pés adormecidos em sereno repouso. Quero que me apertes no silêncio que fala mais alto do que as nossas palavras e é poesia - o céu e a terra, um livro aberto de emoções escritas de olhos fechados pela pontas dos dedos que escrevem letras imaginárias nas linhas das nossas costas.

11/09/2012

Natureza humana

Ando a esforçar-me para este espaço ser mais optimista, mais feliz, mais agradável à vista. Ando a esforçar-me mesmo muito. Ando a falhar redondamente. Porquê? Bem, por uma infinidade de coisas, pelos pequenos cansaços que se vão arrastando, porque se eu for comentar as últimas notícias sobre a minha profissão ainda me fecham o blogue por mensagens de ódio e má-educação, porque repreendemos as crianças por infantis e imaturas e depois, enquanto adultos, amuamos e comportamo-nos da mesma forma, por tanta coisa.

08/09/2012

Face aos últimos desenvolvimentos

Escolham a que mais vos convier.


05/09/2012

Bar do acaso [porque a vida é feita de acasos]

Escrevo, decerto, por qualquer
razão inútil que não vais nunca entender.
Surgem as frases, vês, desconhecidos
que no bar do acaso encontro e são
as tuas mãos a escrever por mim.

Minto-lhes, digo que só te amo
a ti, eles riem e pedem-me pra ficar,
que sim, que a noite ainda é uma pequena
musa no breve altar venal do coração.
Fico. Dou à boca o jeito do cigarro

e é em fumo que transformo o corredor
de imagens, metáforas, pequenos desvios de
ritmo mais pobre ou queda sempre a pique
em sentido nenhum. Às vezes, sabes, é mais
difícil descobrir que o amor, como o cigarro,
quando se acende é que começa
a iluminar o fim.


Rui Costa in "As limitações do amor são infinitas", Sombra do Amor Edições, 2009, p 26.


[continuas a fazer-nos (me) tanta falta]

04/09/2012

Apaixonar-me é que não

Há algum tempo atrás, verbalizei a minha intenção de me apaixonar. Não precisava de ser nada muito complicado ou exigente, só uma paixão que fosse bonita enquanto durasse. Assim aconteceu. Só não contava com que o veio depois.

Agora quero tudo menos apaixonar-me. Não quero que o meu tempo dependa do tempo de um homem, nem que a minha boa disposição se meça pelo retorno que ele me dá. Não quero. Quero, e preciso de manter, esta tranquilidade que espera por qualquer coisa que não sei bem o que é, mas sei estar mesmo ao virar da esquina, prestes a acontecer.

Não quero, por isso, apaixonar-me. Mesmo que, a longo prazo, eu não consiga ser a única coisa que sempre soube que iria ser: mãe. Lembro-me bem do dia em que decidi que, quando fosse grande, ia ser mãe de profissão. Não queria ser rica, nem famosa, nem bem-sucedida num trabalho, apenas mãe. Tinha 3 anos e um bebé careca com metade do meu tamanho.

Por esta altura, pensava já ter uma prole considerável. A minha mãe teve o quarto filho com a minha idade. Se ela conseguiu, então eu também conseguiria. Não consegui. As pessoas simpáticas que conheço lembram-me que estou a ficar velha. Estarei.

Ainda assim, não me quero apaixonar. Não sou a salvadora de pátria alguma. Estou cansada de pessoas mal-resolvidas, de paredes que nunca estão acabadas, da penosa tarefa de pintar a tinta que alguém descascou. Resolvam-se. Cresçam.

Eu fiz o mesmo. Agora sou só eu. Cupido, vai-te embora, a tua pontaria é uma treta. Se voltas aqui, levas chumbo no rabo, em vez de setas na aljava.

Dormir


O ar desprende-se em ritmo lento - 
a cadência da respiração subtil
a vagear pelos dedos em repouso -,
o peito sobe e desce em mansa paz,
o hálito quente acaricia a pele macia,
o corpo semi-oculto no lençol ténue, 
em descanso.