A
manhã acordou fria, como acordam as manhãs de Inverno, como acordam as manhãs
destinadas a acontecimentos tristes. Ela acordou muito antes da hora, numa
consciência enevoada do que a esperava. Sentou-se na cama, puxando os lençóis
até ao queixo, não querendo sair daquele ninho de relativo conforto. Encostou a
testa aos joelhos recolhidos, a mão direita procurou o vazio dos lençóis frios
no lugar onde ele devia estar. Não podia chorar. Num ímpeto, tirou a roupa de
cima e saiu da cama. Foi com raiva que se despiu, foi com raiva que sentiu a
água quente a correr-lhe na pele, foi com raiva que se enxugou, quase se
ferindo. A raiva que a consumia de improviso quando não lhe restava mais nada. Não choraria.
Porque faltam 14 dias, 33% do objectivo (embora eu saiba que falta menos, porque já me chegaram promessas de contribuições) e o nervoso miudinho encontrou casa dentro do meu estômago, um vislumbre das coisas bonitas que podem ler dentro das não-sei-quantas páginas que o livro tem.
E porque nunca é demais relembrar, um agradecimento sentido, profundo, sincero, emocionado a todos os que têm partilhado e contribuído para este livro. OBRIGADA!




