18/08/2012

I fell asleep right here

Algures na comparação entre as Metas Curriculares de Português - Ensino Básico propostas e aprovadas. :/

17/08/2012

Rosa vermelha em quarto escuro

Adoro feiras do livro. Melhor, adoro encontrar os livros que quero ler, a preços acessíveis, nas feiras do livro. Gosto indiscutivelmente mais quando esses livros excedem as minhas expectativas. Como este.

Pedro Paixão tem um estilo de escrita que me agrada bastante. Com frases curtas. Limitadas ao essencial. Cada uma valendo o que vale. Já conhecia o estilo de Saudades de Nova Iorque e de A noiva judia, no entanto, interessava-me ver como o autor passaria de um estilo diário e micro-ficções, para um romance. 

Na verdade, partindo da ideia de que a minha opinião vale alguma coisa, tenho para mim que, ainda que romance, Rosa vermelha em quarto escuro não deixa de ser composto pelas tais micro-ficções tão características de PP, à volta da mesma personagem, mas com vida própria se tirados do seu lugar. 

Gostei disso. É muito parecido com a forma como gosto de escrever. Li-o de um fôlego. Não há como manter o livro fechado, sem saber o desenlace.

15/08/2012

Next time you point a finger

I'll point you to the mirror...
Paramore - Playing God

12/08/2012

E a seguir vais-me pintar o corredor!

O momento em que percebemos que realmente os nossos pais não estão a ficar mais novos pode ser muito assustador. Eu tenho-me apercebido disso nos meus, ora pelos cabelos brancos que se vão multiplicando, ora pelas queixas de já não conseguirem ser tão rápidos a fazerem coisas, ora nos queixumes à voltas dos joelhos e ombros e coisas que tais. Por isso, começo a sentir a responsabilidade de lhes trazer algum conforto que eles ignoram precisar.

Há muito tempo que lhes queria pintar o quarto. O quarto que foi pintado de branco hospital há muitos anos e que mais parecia uma sala de fumo. O meu pai dizia sempre que sim, que haveria de comprar a tinta e que sim, que haveríamos de fazer essas mudanças todas. Mas um ano somou-se ao outro o quarto ia entristecendo de negro. 

Na quarta-feira passada, deu-me um lampejo, fui comprar as tintas e agora eles têm um espaço num suave tom de grés (ou cappuccino, ainda não decidi). A minha mãe quase lacrimejou quando entrou no quarto - ganhou um candeeiro no teto, restaurado por mim, embora ainda falte pintar as portas do roupeiro de branco - e eu senti que tinha feito a minha parte.

Pormenor de uma parede


Oficialmente, é a minha prenda de anos para eles, já que no espaço de três meses o meu pai faz anos uma vez e a minha mãe duas (o que faz dela a mulher mais velha do mundo com 112 anos, parecendo que tem só 56); oficiosamente é o meu agradecimento silencioso do que eles têm feito por mim, porque nunca exigiram que eu abrisse mão do que amo fazer e deixaram que esperasse por ventos favoráveis. "Não te pagámos os estudos para ires para uma caixa de supermercado! Alguma coisa vai aparecer!". As coisas foram aparecendo, devagarinho, mal pagas quase sempre, mas sem a pressão externa.

Ontem, reorganizei a sala toda. Arrastei móveis, mudei sofás e o resultado foi uma sala mais aberta, luminosa e que deixa a minha mãe orgulhosa. Criei um cantinho todo moderno para o PC dela, os livros, os cds, com direito a jarra de flores fashion e almofadas em tom pastel. Esta semana vou pintar o enorme corredor e os tetos dos wcs. Talvez aplique uns candeeiros e mude umas torneiras. Não faz mal, pelo menos sei que eles estão confortáveis. É que os 60 estão ali, perigosamente à porta.

10/08/2012

Recusar um beijo

Não sabe como explicar-lhe que continua a gostar muito dos seus doces beijos mas que os beijos que se dão a deixam mais sozinha e mais triste e mais desamparada.
Pedro Paixão (2008), Rosa vermelha em quarto escuro,  Bertrand, 2ª ed., p.180 

09/08/2012

Divagações da mente distraída


Acho que me sabia bem ter-te aqui hoje. Não sei se pelo sexo, não sei mesmo, não sei se pela companhia. Mas acredito que me ia saber muito bem. Talvez não tivesse muita vontade no início. Talvez acabasse por querer uma e outra vez, quase sem parar, como já aconteceu. Não sei. Sinto-me um pouco errática, estou sempre a mudar o que quero fazer e tudo me aborrece. "Ou isto ou aquilo", a Cecília Meireles é que sabia.

Estou cansada de planos. Queria que as coisas simplesmente acontecessem, espontâneas, de improviso, sem agenda na mão, a prever todas as variáveis: espaço, tempo, vontade, recursos, liberdade.

Mas ia saber-me bem ter-te comigo hoje. Lá isso ia.

08/08/2012

Ancoragem


Quis arrumar-te na prateleira,
pegar em ti que és trindade, descansando
no baú que foi viagem pelos tempos, prender-te
à ordem cronológica dos acontecimentos. Mas
tu negaste-te a ir e eu deixei-te ficar, uno
enquanto trino, navegando
pelos sete céus, em cima
daquele baú onde me agarro,
pequena náufraga da tempestade
que te levou.

06/08/2012

Universo feminino

Depois dos livros, sapatos.

Encontrei no FB, só não me lembro onde. :/

03/08/2012

Sem lágrimas, só com a saudade miudinha

Estou cansada das minhas palavras e de tentar explicar o que não sei entender.


música do filme Cemento Armato



Senza fiato - Negramaro & Dolores O'riordan

Sono riva di un fiume in piena
sou a margem de um rio que transborda 
Senza fine mi copri e scopri
sem parar, tapas-me e destapas-me
Come fossi un'altalena
Como se fosses um baloiço
Dondolando sui miei fianchi
baloiças nos meus quadris
Bianchi e stanchi, come te - che insegui me.
brancos e cansados, como tu - que me segues
Scivolando tra i miei passi
deslizando entre os meus passos
Sono sassi dentro te - dentro me
estão pedras dentro de ti - dentro de mim
Se non sei tu a muoverli
a menos que as movas
Come fossi niente
como se eu não fosse nada
Come fossi acqua dentro acqua
como se eu fosse água dentra da água.

Senza peso, senza fiato, senza affanno
sem peso, sem fôlego, sem respirar
Mi travolge e mi sconvolgi
despedaças-me e perturbas-me
Poi mi asciughi e scappi via
depois enxugas-me e vais-te embora
Tu ritorni poi mi bagni
regressas, molhas-me
E mi riasciughi e torni mia
enxugas-me outra vez e voltas para mim
Senza peso e senza fiato
sem peso e sem fôlego
Non son riva senza te
não sou margem sem ti

Tell me now
Tell me how am I supposed to live without you
Want you please tell me now
Tell me how am I supposed to live without you

Se brillando in silenzio resti accesa dentro me
se brilhando em silêncio ainda ardes em mim
Se bruciando e non morendo tu rivampi e accendi me
se queimando sem morrer, tu queimas-me e incendeias-me
Stop burning me!
Dentro esplodi e fuori bruci
por dentro explodes, por fora queimas
E ti consumi e scappi via
e te consomes e desapareces
Stop burning me!

Mi annerisci e ti rilassi e mi consumi e torni mia
Enegreces-me e relaxas e me consomes e voltas para mim
Stop burning me!
(Get out
Of my head
Get out
Of my head
Get out
Of my head
Get out
Of my head!
Want you please tell me now
Tell me how am I supposed to live without you
No, please, don't tell me now (touch me)
Tell me how am I supposed to live without you
No
Please
Don't

01/08/2012

A Rapariga revela-se

Lembram-se de eu vos ter falado do Projeto 365 Dias, 365 Rostos. Também lá estou, euzinha, com olheiras e borbulhas... Eu bem lhe pedi que as apagasse, mas não tive sorte nenhuma. Sniff...


Nevoeiro

Perdeu a capacidade de falar. O ato de fala não exigia diálogo, bastavam-lhe os longos monólogos ao espelho, justificando o injustificável, arrumando a desordem dos acontecimentos tristes que herdara sem querer. No outro lado do espelho, um reflexo desfocado, mais real do que ela mesma, devolvia-lhe em eco a incerteza sintática e semântica das palavras proferidas, sem paráfrase nem citação, textualmente convertidas em nada. A loucura era um denso nevoeiro que se agarrava ao espelho, vapor de sentimentos quentes que a afastavam da realidade e desfocavam as coisas tal qual eram. Nada.