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24/01/2015

Postal de Natal fora de horas

No Mercado de Natal em Tréveris, Alemanha. Mais fotografias do lado de lá.

24/02/2014

Nem punctum, nem studium

A conclusão é fácil de perceber: não sirvo para objecto das minhas próprias fotografias. Tenho um álbum de fotografias por tirar, arrumado na minha cabeça. Falta-me a habilidade e a paciência para decidir por onde começar e por onde ir. Não gosto das fotografias que capto, não lhes reconheço qualquer valor. Nem Barthes me salva -- a compreensão do pressuposto teórico e a percepção do valor artístico é tudo a que me atenho. Justifico claramente a acusação feita ao crítico: não sou mais do que uma mera fotógrafa frustrada. Na minha cabeça ficará arrumado um álbum de fotografias, para as quais não sirvo como objecto. 

16/05/2012

Arte no feminino - Helena Almeida

biografia
http://www.artnet.com/artists/helena-almeida/


No início era a pintura – enquanto apresentação fiel da realidade, retrato, postal turístico –, depois veio a fotografia e vaticinou-se o seu fim.

Ao contrário das vozes apocalípticas, a pintura não cedeu completamente o seu lugar à fotografia, passou-lhe a tarefa de registar o real e permitiu-se explorar novas composições formais e cromáticas, novas perspectivas, pensar-se enquanto expressão artística, numa metapintura. Os movimentos plásticos do início do século XX só são possíveis pelo corte desta “obrigação”, o realismo ficara para trás, a viragem do século foi também a viragem para novas abordagens.

No entanto, assumir que a fotografia fez repensar a pintura sem que se desse o fenómeno inverso é redutor. Barthes afirma que “a Fotografia foi e é ainda atormentada pelo fantasma da Pintura” (Barthes, 2006:34); do grego φως [fós] ("luz"), e γραφις [grafis] ("estilo", "pincel") ou γραφη [grafê], Fotografia significa "desenhar com luz e contraste", os quais substituem a tela, o pincel e a paleta de cores da pintura.

As máquinas digitais e os novos programas informáticos de manipulação de imagens permitem-nos hoje recriar, reconstruir uma fotografia, pintando-a com outros fundos, retocando cores e pormenores, corrigindo defeitos, revelando uma fotografia plástica e pouco pura, no sentido de muitas vezes estar longe da fotografia realizada no momento do disparo da câmara.

Este diálogo entre pintura-fotografia, tantas vezes íntimo, outras tantas distante, está presente nos trabalhos de Helena Almeida, artista portuguesa contemporânea que se destaca pela abordagem que faz à pintura e à fotografia.

Originalmente pintora, envereda pela fotografia pela necessidade que sente em ser o centro do seu trabalho, “combater a distância que na pintura existe entre ser e representação, a tirania do corpo ausente do pintor que passa a vida a representar outros corpos, ou então, que cai noutra prisão: a do auto-retrato” (Carlos, 2005:8). 

(excerto de um trabalho meu, só porque dava muito trabalho voltar a escrever tudo)