http://www.artnet.com/artists/helena-almeida/
No início era a pintura –
enquanto apresentação fiel da realidade, retrato, postal turístico –, depois
veio a fotografia e vaticinou-se o seu fim.
No entanto, assumir que a
fotografia fez repensar a pintura sem que se desse o fenómeno inverso é
redutor. Barthes afirma que “a Fotografia foi e é ainda atormentada pelo
fantasma da Pintura” (Barthes, 2006:34); do grego φως [fós]
("luz"), e γραφις [grafis] ("estilo", "pincel")
ou γραφη [grafê], Fotografia significa "desenhar com luz e
contraste", os quais substituem a tela, o pincel e a paleta de cores da
pintura.
As máquinas digitais e os novos
programas informáticos de manipulação de imagens permitem-nos hoje recriar,
reconstruir uma fotografia, pintando-a com outros fundos, retocando cores e
pormenores, corrigindo defeitos, revelando uma fotografia plástica e pouco
pura, no sentido de muitas vezes estar longe da fotografia realizada no momento
do disparo da câmara.
Este diálogo entre
pintura-fotografia, tantas vezes íntimo, outras tantas distante, está presente
nos trabalhos de Helena Almeida, artista portuguesa contemporânea que se
destaca pela abordagem que faz à pintura e à fotografia.
Originalmente pintora,
envereda pela fotografia pela necessidade que sente em ser o centro do seu
trabalho, “combater a distância que na pintura existe entre ser e
representação, a tirania do corpo ausente do pintor que passa a vida a representar
outros corpos, ou então, que cai noutra prisão: a do auto-retrato” (Carlos,
2005:8).
(excerto de um trabalho meu, só porque dava muito trabalho voltar a escrever tudo)
