É provável que seja só de mim.
05/11/2023
25/02/2023
12/10/2021
Outra vez
De alguma forma, que não sei bem qual, havemos de fazer tudo, outra vez.
Imagem de esudroff por Pixabay
04/05/2021
Talvez apenas três
e que no final poucas coisas contam, talvez apenas três:
com quanta paixão amaste, quão suavemente viveste
e com que elegância conseguiste deixar para trás
coisas que por fim soubeste não te serem destinadas.
José Luís Borges de Almeida, in Dédalo
(a republicação impunha-se)
22/05/2020
A selva é redonda
Hoje, uma turma do 5.º ano dizia não gostar de poesia, porque é só corações. E eu lembrei-me de um poema que fala de macacos e bananas e partilhei com eles. Depois, deu uma saudadezinha...
A selva é redonda
Os macacos comem bananas porque
era a fruta que tinham mais à mão.
Se tivessem mais à mão morangos, os
macacos comeriam na mesma bananas,
porque os morangos são muito difíceis de
descascar. As bananas são comidas por
macacos porque são os animais com mais
mãos que têm ali à mão. As bananas não
têm mãos mas têm casca, que é uma espécie
de mão à volta da banana. As bananas prefe-
riam ter mãos mas saiu-lhes antes casca.
Ser casca não deve ser fácil, passar a vida
a ser deitado fora. Os árbitros de futebol
têm duas mãos, uma para cada cartão.
Os macacos também arbitram as bananas,
comendo-as. Os macacos não mostram
os cartões às esposas. Preferem seduzi-las
usando a inteligência. Não sei como vim
parar à selva. Talvez tenha corrido demais
atrás da bola.
Rui Costa
09/04/2020
02/04/2020
27/02/2020
23/02/2020
20/10/2019
17/10/2019
Música de hoje: boa ou má?
Falámos hoje de música, da qualidade do que se ouve e por que se ouve má música. Afinal, o que conta mais, a letra ou o ritmo? Não se concluiu grande coisa...
19/09/2019
A Estória do Gato e da Lua
Ficha Técnica
Realizador: Pedro Serrazina
Produção: Jorge Neves /Filmógrafo
Técnica: Animação (Desenho sobre papel)
Argumento: Pedro Serrazina
Música: Tentúgal
Origem: Portugal
Ano: 1995
Duração: 5’ 30’’
Classificação etária: maiores de 6 anos
Sinopse ‐ A Estória do Gato e da Lua joga livremente com uma série de transições, justaposições e contrastes visualmente muito fortes, entre luz, sombra, curvas e diagonais, sugerindo uma história de uma lua branca e de um gato preto que, afinal, e simbolicamente, também pode ser branco. A narrativa (voz de Joaquim de Almeida) evoca uma obsessão apaixonada de um gato que, enfeitiçado, procura incessantemente o espectro brilhante e atraente da amada lua. Um flashback desvenda‐nos episódios do passado e retoma o início da paixão. Quedando‐se estarrecido perante a lua, o gato salta de telhado em telhado, viaja à volta do mundo num pequeno barco, e perde‐se na escuridão da noite, (a música de Tentúgal reforça intensamente a proposta visual e narrativa). No desfecho, depois de uma belíssima sucessão de formas a preto e branco que reproduzem as desilusões e desesperos da vida, todas as obsessões se consubstanciam na espera, materializando‐se finalmente numa espantosa metamorfose gráfica.
06/09/2019
24/07/2019
Mãaee!
Descobriu o poder da palavra «Mãe» e de como ela lhe abre portas para a novidade. Descobriu também a entoação certa para captar a atenção e ter as respostas que precisa.
«Mãaee, fkfgsldjÇ?»
«Sim, é uma maçã.»
«Mãaee, lhksjsal?»
«Sim, é uma uva.»
«Mãaee, kfkgjjasj?»
«Sim, é uma pera.»
E daqui vai toda uma conversação, por horas e horas.
«Mãaee, fkfgsldjÇ?»
«Sim, é uma maçã.»
«Mãaee, lhksjsal?»
«Sim, é uma uva.»
«Mãaee, kfkgjjasj?»
«Sim, é uma pera.»
E daqui vai toda uma conversação, por horas e horas.
19/07/2019
Dos papões
Atrás da porta, erecto e rígido, presente,
Ele espera-me. E por isso me atrapalho,
E vou pisar, exactamente,
A sombra de Ele no soalho!
-"Senhor Papão!"
(Gaguejo eu)
"Deixe-me ir dar a minha lição!
"Sou professor no liceu..."
Mas o seu hálito
Marcou-me, frio como o tacto duma espada.
E eu saio pálido,
Com a garganta fechada.
Perguntam-me, lá fora: "Estás doente?"
- "Não!", (grito-lhes)... "porquê?!" E falo e rio, divertindo-me.
Ora o pior é que há palavras em que paro, de repente,
E que me doem, doem, doem..., prolongando-se e ferindo-me...
Então, no ar,
Levitando-se, enorme, e subvertendo tudo,
Ele faz frio e luz como um luar...
E ouço-lhes o riso mudo.
- "Senhor Papão!"
(Gaguejo eu) "por quem é,
"Deixe-me estar aqui, nesta reunião,
"Sentadinho, a tomar o meu café...!"
Mas os mínimos gestos e palavras do meu dia
Ficaram cheios de sentido.
Ter de mais que dizer..., ah, que maçada e que agonia!
Bem natural que eu seja repelido.
Fujo. E na minha mansarda,
Volvo-lhe: - "Senhor Papão!
"Se é o meu Anjo-da-Guarda,
"Guarde-me!, mas de si! da vida não."
O seu olhar, então, fuzila como um facho.
Suas asas sem fim vibram no ar como um açoite...
E até no leito em que me deito o acho,
E nós lutamos toda a noite.
Até que, vencido, imbele
Ante o esplendor da sua face,
De repente me prostro, e beijo o chão diante de Ele,
Reconhecendo o seu disfarce.
E rezo-lhe: - "Meu Deus! perdão...: Senhor Papão!
"Eu não sou digno desta guerra!
"Poupe-me à sua Revelação!
"Deixe-me ser cá da terra!"
Quando uma súbita viragem
Me faz ver (truque velho!...)
Que estou em frente do espelho,
Diante da minha imagem.
José Régio
Ele espera-me. E por isso me atrapalho,
E vou pisar, exactamente,
A sombra de Ele no soalho!
-"Senhor Papão!"
(Gaguejo eu)
"Deixe-me ir dar a minha lição!
"Sou professor no liceu..."
Mas o seu hálito
Marcou-me, frio como o tacto duma espada.
E eu saio pálido,
Com a garganta fechada.
Perguntam-me, lá fora: "Estás doente?"
- "Não!", (grito-lhes)... "porquê?!" E falo e rio, divertindo-me.
Ora o pior é que há palavras em que paro, de repente,
E que me doem, doem, doem..., prolongando-se e ferindo-me...
Então, no ar,
Levitando-se, enorme, e subvertendo tudo,
Ele faz frio e luz como um luar...
E ouço-lhes o riso mudo.
- "Senhor Papão!"
(Gaguejo eu) "por quem é,
"Deixe-me estar aqui, nesta reunião,
"Sentadinho, a tomar o meu café...!"
Mas os mínimos gestos e palavras do meu dia
Ficaram cheios de sentido.
Ter de mais que dizer..., ah, que maçada e que agonia!
Bem natural que eu seja repelido.
Fujo. E na minha mansarda,
Volvo-lhe: - "Senhor Papão!
"Se é o meu Anjo-da-Guarda,
"Guarde-me!, mas de si! da vida não."
O seu olhar, então, fuzila como um facho.
Suas asas sem fim vibram no ar como um açoite...
E até no leito em que me deito o acho,
E nós lutamos toda a noite.
Até que, vencido, imbele
Ante o esplendor da sua face,
De repente me prostro, e beijo o chão diante de Ele,
Reconhecendo o seu disfarce.
E rezo-lhe: - "Meu Deus! perdão...: Senhor Papão!
"Eu não sou digno desta guerra!
"Poupe-me à sua Revelação!
"Deixe-me ser cá da terra!"
Quando uma súbita viragem
Me faz ver (truque velho!...)
Que estou em frente do espelho,
Diante da minha imagem.
José Régio
17/07/2019
Politicamente correto
Há-de arrasar com tudo. De mãos dadas com o ímpeto da reescrita da História e de todas as histórias, não há-de deixar pedra sobre pedra.
16/07/2019
Marco Polo, sê gentil
e leva-me para uma cidade invisível.
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| Zobaida, cidades invisíveis Aquarela em papel 21x29.7 cm |
15/07/2019
11/07/2019
01/07/2019
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