Gian Lorenzo Bernini - Plutão e Proserpina (detalhe)
Publicada originalmente no dia 20/03/2011 será uma das razões do aviso de indecência que recebi por parte do Blogger. Pornografia só se for aos olhos dos incultos.
Se tivesse visto este filme há dois ou três anos, estou certa que teria sido devastador para mim. A empatia com as personagens e o cerne da acção ter-me-iam deixado prostrada e avivado um sofrimento que pensava, então, não ter como diminuir.
O «se» não aconteceu e Cake foi visto com a distância de quem se revê mas sabe que a banalidade «o tempo cura tudo» é tão irritantemente verdadeira que o repetiu para si vez após vez, como se o dissesse àquelas pessoas na tela.
Cake foi visto por um coração cauterizado e isso, parecendo que não, fez toda a diferença.
E já que o Inferno foi sobejamente explorado, e no Purgatório não acredito, que a jornada para o Paraíso comece. Depois de amanhã, está bem de ver. É provável que Beatriz me acompanhe, já Virgílio terá os seus dias. Pão para o caminho é tudo o que preciso. E água. Pura.
Sou uma pintora frustrada. Não sei desenhar e tudo o que me sai, pintado, é uma espécie de cruzamento entre o horror e a desgraça. Entre o que imagino e o que realizo vai uma distância como do Oriente ao Ocidente e o resultado deixa-me numa espécie, como direi, de irritação frustrada. Parece, no entanto, que há salvação para mim. Segundo o The Telegraph (trazido ao meu conhecimento pela Blogtailors), os livros para colorir estão em alta entre os adultos. Se não sei desenhar, pelo menos, posso pintalgar uns desenhinhos escolhidos ao meu gosto.
Descrição: Ano de Europeu em terras lusas, ano de estágio em terras torreenses. Uma sexta-feira de muito frio a girar pelo centro da cidade, máscara coincidente com o espírito futebolístico. Uma turma de matrafonas e miúdas meio despidas à solta no meio da canalha. Seis dias de intenso Carnaval.
Parece ser uma espécie de código começar um texto sobre o fenómeno literário e cinematográfico no título insinuado com um aviso de salvaguarda ao pundonor: eu não li o livro! -- ou a trilogia, vá (expressão de horror e mão no peito). Também não irei ao cinema ver o filme, mas convivo bem com o facto de, mais dia menos dia - particularmente num dia de grande marasmo, ter como certo que o verei.
Pois não li o livro, o que não invalida que opine com toda a propriedade, ainda para mais quando me passaram tantos livros de cordel pelas mãos e alguns com descrições que fizeram corar violentamente os meus virginais vinte anos e os não tão já virginais quarentas da minha mãe. Creio estar então em condições de avaliar a dita trilogia -- Guerra das Estrelas, tu põe-te a pau! -- sem ter feito mais do que lhe olhar para a capa, concluindo um fortíssimo Nah!, não me interessa.
Senhoras e senhores, (os meninos e as meninas não podem ver isto, que é para maiores de 16), para vosso real prazer e deleite, As Cinquenta Sombras de Grey em Lego e as As Cinquenta Sombras de Pink! (e para gargalhar a sério, As Cinquenta Sombras de Ellen)
Valdemar Cruz, "Silêncios Torturados- Uma Viagem aos Infernos Através das Memórias de Presos Políticos portugueses" in Atual 18 Janeiro 2014, Expresso (excerto)