28/06/2013

Tu e eu não podemos ser um nós

Ultrapassar um amor é tarefa dura, exigente ao corpo, à mente, ao coração e à carteira - que também se ressente da necessidade de preencher o vazio que um amor perdido deixou.

É preciso um grande auto-controlo, perseverança, assertividade. É precisa uma grande dose de coragem em ignorar o objecto amado que, caso o drama seja mais intenso, se passeia em frente ou debaixo dos nossos olhos, excluí-lo do campo de visão e do pensamento.

Também não é de desprezar o auto-consolo e a capacidade de dar palmadinhas nas próprias costas, abraços imaginários e palavras de reforço - «deixa lá, vais encontrar melhor» -, enquanto os olhos se passeiam pela montra de uma sapataria ou pelo balcão dos gelados.

É preciso o inevitável tempo, para arrumar a frustração e a mágoa de saber que éramos feitos um para o outro, que tínhamos tudo para uma convivência pacífica e cheia de bons momentos, impossibilitada pela logística da partilha do espaço e dos bens ou por questões de pormenor familiar ou pela inevitável falta de tempo para construir uma relação forte e duradoura.

Estou no momento a trabalhar para a indiferença, habituando-me a não considerar o meu objecto amado como parte de mim, mesmo sabendo que não é o melhor para ambos.

27/06/2013

Deste Governo eu gosto




Poema e voz de Valter Hugo Mãe
Musica e bateria, Miguel Pedro (Mão Morta)
Sintetizador, António Rafael (Mão Morta)
Violoncelo, Filipe Quaresma (convidado)

pode ser descarregado aqui

Hoje o meu pai faz anos

Tinha pensado num elaborado texto para assinalar o acontecimento, mas, na hora de passar à textualização, não sei que dizer. 
Podia mencionar as nossas parecenças no carácter - explosivo, de levar tudo à frente, pouco dado ao lambebotismo -, ou mesmo as semelhanças físicas em muito devedoras da minha avó paterna, também o jeito que temos para o bricolage e as invenções ou até das vezes que nos pegamos por manifesta incapacidade de o meu pai aceitar formas de fazer-ser-pensar diferentes das dele. Prefiro antes centrar-me no facto de sermos ambos uns mimalhos pouco assumidos: tudo o que seja beijinho e abracinho e festinha e bilu-bilu é connosco, o que  não é fácil nos tempos que correm onde cada um vive muito para si e por si, nem quando se tem uma mulher-barra-mãe que foge de abraços e coisas afins como os políticos fogem da responsabilidade dos seus actos.

Apesar de tudo, apazigua-me a certeza de o meu pai ser muito melhor avô do que foi pai, de ter percebido que há coisas que as crianças dão muito mais valor e as deixam muito mais felizes.

Hoje o meu pai faz anos. 59.

26/06/2013

Dall'inizio

L’italiano mi sta scappando via. Devo per obbligo affrontarlo, afferrarlo e sistemare contenuti. Da tanto che non penso ne parlo la lingua romana pure, lo sento come si non l’avessi mai studiata e questo mi rende arrabbiata – amo davvero la lingua e non posso permettermi di metterla accanto.
Per questo, ho deciso di cercare i miei vecchi libri di studio, i CD, le grammatiche e ricominciare da capo. Magari me la cavo e, tra alcune settimane, mi sentirò una vera studentessa e addirittura parlante nativa.

Se tra di voi c’è qualcuno che la voglia studiare con me, dai, un passo avanti.

25/06/2013

Para os citadores compulsivos de Pessoa

Citar Pessoa, quer seja em citação normal ou encaixada numa imagem profunda, tornou-se numa espécie de moda, de atestado de cultura e conhecimento literário. Infelizmente, há que dizê-lo com toda a frontalidade, o resultado costuma ser diverso e o citador apresenta-se apenas como um pseudo-literato que não distingue Pessoa dos muitos apócrifos que circulam livremente  no mundo cibernético, nem se dá ao trabalho de verificar as fontes.

Não temam, ousados citadores! A pensar em todos nós e na nossa boa figura literária, a Casa Fernando Pessoa, estendeu-se aos blogues e tem uma hiperligação para um laboratório de citações pessoanas que inclui o acesso ao texto original.

Vá! Ide lá citar o Fernando, mas com juízo!

24/06/2013

Arte no masculino - Sebastião Salgado

Não me canso de ver estas fotografias.
Para saber mais, clica aqui, aqui, mais aqui e aqui.




Coimbra, o Património e o meu ódio de estimação

Coimbra foi elevada a Património Mundial pela UNESCO. Parece-me bem, aliás, considero muito bem, porque era um objectivo há muito perseguido e uma distinção destas não tem muito por onde fazer mal.

Devia eu, pois, estar ululante de felicidade, porque: 1) pertenço ao distrito; 2) estou geograficamente muito próxima; 3) CBR encanta muita gente e tem uma magnífica universidade. Devia, não era, mas estou moderadamente exultante, talvez porque 1) não gosto da cidade de Coimbra, 2) a perspectiva de passar cinco anos da minha vida lá a estudar afigurou-se-me como um castigo maior do que a morte e 3  a FLUC é feiinha que dói.

É, eu sou mais capital, mais FLUL, mais cidades abertas e com cheiro a mar. Ir a Coimbra é só mesmo porque tem de ser e não lhe vejo o encanto de que tanto se fala.

O que não invalida que o feito seja louvável e que o meu grau de satisfação esteja em alta. 

22/06/2013

Até o enxoval respira outro ar

Depois de um inverno mais longo do que o normal, depois de voltar a ter as manhãs de sábado só para mim, depois de me passar a preguiça, volto ao meu ofício de recuperação da quinquilharia que tenho espalhada pela casa. 

Tenho um pé de uma máquina de costura com quarenta anos para recuperar, uma mesa de jantar com a mesma idade e uma mala de madeira já a dobrar os vinte - isto só por agora. O pé da máquina está quase pronto e hoje foi dia de «atacar» a mala.

Quando comprei o esmalte sintético, a ideia era pintar o pé da máquina, no entanto, acabei por não o fazer, já que os acasos até podem ser muito felizes - mas isso fica para outro post. Ora, descobri no processo de dar nova vida aos móveis que tenho um fascínio por móveis brancos, o que até é bom, visto que as divisões da minha casa são muito pequenas e assim não ficam tão pesadas.

Bem, o esmalte que tinha era supostamente um tom pérola que supostamente ia ficar bem com as mesas de cabeceira e a cómoda do quarto, que já tinham sido pintadas há uns oito anos e tinham perdido o aspecto mais branco, por isso decidi começar pela mala (abro parêntesis para esclarecer que na minha terra aquilo é uma mala do enxoval, o baú é outra coisa).

O pior foi quando abri a lata e nem sinal do pérola. O tom da tinta aproxima-se mais do leite condensado ou do amarelo deslavado. Lá comecei a pintura, sem grande cuidado porque a tinta não estava a agarrar muito bem, enquanto resmungava comigo mesma que mais valia ter comprado branco.

Quando acabei de a pintar, fui fazer outras coisas e, ao voltar ao quarto, começo a olhar para a dita cuja pintada e a achar que até nem estava muito mal. Conclusão, compus melhor a tinta nalguns lados e deixei ficar - tem um aspecto de patina provençal (cof cof) que resulta, não sei lá muito bem porquê. A imagem não mostra muito bem como ficou, até porque se perde o pormenor da cor da madeira, mas no quarto - cujas paredes são cor salmão -  realça e fica bem no contexto. 

Ao menos alguma coisa que anime a alma. Acho que a minha mãe quando vir a mala vai ter um ataque de histeria, mas a mala é minha, os atoalhados com barras de cetim e folhinhos também, por isso...

21/06/2013

La tempesta

George Mayer





Dentro de mim trago 

um mar revolto 

onde rebentam 

violentas tempestades.

Algo vai mal no reino dos Outeiros

Estou desde as 5.30 da manhã - leram bem, 5.30 da manhã! - a tentar alojar este blog na concorrência, já que o Blogger anda com uma espécie de manias de estrela. No entanto, não consigo orientar-me nas configurações, nem gostar do resultado final. 

Devia ter estado a dormir, pois devia. Já não restarão grandes dúvidas da minha insanidade galopante.

20/06/2013

Proibição do dia

Não cederás à tentação do pessimismo.