14/12/2014

It’s what I’m feeling too

Sights - Londo Grammar


Sights - London Grammar


What are you afraid of?
I know that you are
Keep it in your sights now
And don’t let it go far

What are you afraid of?
Making it better
Keep it by your side now
Whatever the weather

Keep it together
Keep it together

What did you do
Wonder where your heart came from
What have you done
My only friend keep on
Wander or leave
Turn into winter lights
Keeping your strength
When it gets dark at night

What are you made of?
Water and glass
Keep it in your sights now
It’s keeping you up

Keep it together
Keep it together

Keep on, keep on
Keep the straight line
I’m running, running
The straight line

What did you do, wonder where
Your heart came from
What have you done
My only friend keep on
Wander or leave,
Turn into winter lights
Keeping your strength
When it gets dark at night

What you’re feeling
It’s what I’m feeling too
What you’re made of
It’s what I’m made of too
What are you afraid of
I know that you are
What are you afraid of
I know that you are

11/12/2014

Cada vez que estou para partir

não quero ir. É já uma saudade de casa que me pesa na mala meio desfeita em cima da cama. Os gestos tornam-se lentos, a memória esquecida até da lista anti-esquecimentos escrita muitos dias antes. Não quero ir.



Cada vez que já parti, não quero voltar. Voltar para quê? Voltar para o quê? Não quero voltar.

A tempestade

Os jornais avisaram que a tempestade chegaria. Fecharam-se diques, protegeram-se casas e aguardou-se.

As tomadas foram desligadas durante a noite. Dentro de casa mal se sente o vento lá fora. Desde manhã cedo que parece que vai anoitecer - o Sol neste lugar parece sempre cansado, talvez seja da altitude, da proximidade do Árctico, pode ser que o Sol não goste dos pés frios, nem das mãos dormentes, nem do nariz húmido, e se comporte assim, como uma diva que faz o frete de aparecer aos admiradores, apenas e só pelo tempo necessário. Vive-se à meia-luz, numa vertigem de chuva que ameaça constantemente fazer galgar os muitos lagos em volta.

Na rádio, avisaram que se aproximava uma tempestade. Pela hora do almoço, o Sol tapou-se mais, o céu escureceu mais e as nuvens choraram o lusco-fusco que se precipitava contra a janela, grosso pingos gelados. Pelo ar voam folhas que vão desistindo de estar presas à árvore-mãe. No chão amontoam-se folhas caídas, gotas chovidas e passos marcados na terra.

A tempestade desistiu de chegar.

foto minha

09/12/2014

É difícil amar quem anda sempre em viagem

É difícil amar quem anda sempre em viagem. As cartas perdem-se muitas vezes pelos caminhos, naufragam no mar dos endereços temporários, desaguam nos sacos da correspondência inútil que os Correios guardam pelo hábito de não destruir missivas.  É difícil amar os que vivem entre muitos destinos e têm de obedecer a muitas vozes, os que mal chegaram e estão sempre para partir, que têm mil afazeres pendentes, mais mil decisões para prever. Balançam-nos no tempo como trapezistas, lestos em equilibrar muitas vidas. São pequenos furacões que passam, tão consumidos de ar quente e de ar frio, que se esquecem de quem esperou meses que voltassem e os vê partir, com olhos mudos. É um aperto de ombros na chegada, um aperto dos ossos todos na partida e o silêncio embargado das palavras estranguladas a cuspir lágrimas pelos olhos. É difícil amar um marinheiro. E um aviador. E um condutor de camiões de longo curso. E um comissário de bordo de voos transcontinentais. É difícil amar quem anda sempre em viagem.

Holanda
Photo by Carla Pinto Coelho
fotografia minha, pois claro

08/12/2014

Um tempo parado de frio

Naarden - Holanda 2013
tirada e tiritada por mim

05/12/2014

A Wonderbra fez anos

Vinte, neste velhinho Continente a cheirar a desencanto. 

Passou-me de relance pela mente publicar uma foto do meu piqueno que mora ali no fundo da gaveta, porém, como «piqueno» não é termo carinhoso, é adjectivo qualificativo em todo o seu esplendor, ainda gerava pr'aqui uma onda de indignação e invejas muitas do meu mais que perfeito busto, assim apertadinho em tão diminuta peça. 

Deixo-vos a Eva - não é bem a mesma coisa, fica até um bocadinho aquém, mas é o que se pode arranjar.

Ver imagem no Twitter

04/12/2014

Correspondência íntima XIX

Não sei quem se lembrou que escrever eleva o espírito, cada vez que o faço só remexo no lixo, naturalmente só me sai porcaria (sim, voltei a pegar naquela tristeza de texto).

03/12/2014

Caligrafias



Tenho aquilo a que se pode chamar uma letra feiíssima. Desde os tempos da Primária. Nunca as letras nos cadernos de duas linhas foram redondas e certas, tão-só uns símbolos sem lei nem ordem.

Sempre sofri com isto. Ao longo dos anos fui tentando mudar-lhe a forma e domar-lhes o feitio. Tive alturas de quase o conseguir, outras de falhar miseravelmente.

É com o carvão e o giz que escrevo mais bonito. Como me regalava em escrever no quadro de ardósia longas frases para dividir em orações e depois contemplar os meus alunos com o pensamento triunfante: «admirem, em adoração, a magnifica caligrafia da vossa professora». Entretanto, inventaram uns quadros brancos onde se escreve com uns marcadores de bicos cada vez mais finos, pelo que, cada vez que tinha de escrever as simples páginas dos textos a ler, era com o pensamento angustiado que contemplava os meus alunos: «fiquem ceguinhos e não vejam esta letra horrenda».

Felizmente, nunca o meu desejo se cumpriu, o que não evitou que o meu Ministro adorado me tenha posto a andar – como a milhares de outros, mas com o mal alheio posso eu bem.

Tenho então aquilo a que se pode chamar uma letra feiíssima. Nem sequer é feia-chique, como a dos médicos ou dos artistas que rabiscam autógrafos em todas as superfícies que lhes ponham à frente das mãos, inclusive mamas. E isto é um grande obstáculo à minha liberdade criativa. Como é que vou iniciar uma série epistolar com alguém, debatendo o sentido da vida, das artes, do IRS, e das frieiras no Inverno, se o putativo recebedor de uma carta minha, para lhe descortinar o conteúdo, teria de pagar umas notas grandes e gordas a um intérprete de hieróglifos?

E não só! Uma vez segui um guia de classificação/interpretação/qualquer-coisa-em-ão de personalidade baseada no tipo de letra e quase tive um fanico. Num único texto meu, a minha letra muda tantas vezes de forma, tamanho e inclinação, que a única conclusão válida a que cheguei é que sou doida. E a minha personalidade é uma espécie de montanha-russa a alta velocidade.


Andei, por isso, a tentar corrigir esta falha gravíssima, treinando a caligrafia que consigo manter por três linhas seguidas. É com júbilo que vos digo ser a dona de uma letra pequena e quase redonda. Ah, se ao menos eu tivesse escrito este texto pelo meu punho, digitalizado e partilhado convosco! 

02/12/2014

Natureza humana - ou como a cobardia masculina é insuportável

Não há nobreza alguma no abandono do amor. Deixei-te porque te amava demais é a mentira dos cobardes, repetida tantas vezes quantas as necessárias para se convencerem da sua verdade. Podem até iludir-nos, durante consideráveis anos na lisura da certeza de termos sido demasiado grandiosas para a vulgar mortalidade do ser que nos olha com olhos chorosos e envergonhados, mas há sempre um momento em que o véu se rasga e a verdade nasce. Deixei-te porque não te quis. O resto é conversa para a burra dormir.

Universo feminino

A felicidade manifesta-se em pequenas coisas, como ainda me servir uma saia que vesti aos quinze anos.

01/12/2014

Gramática sentimental

gacougnol:

Viviane Sassen From “Sol & Luna” 2nd edition  Libraryman 2013
Viviane Sassen - From “Sol & Luna”, 2nd edition , Libraryman 2013


Há dias em que me sinto normativa, outros, descritiva. 
Hoje, por exemplo, acordei agramatical.