29/05/2012

INCREDIBOX ou a desculpa perfeita para não fazer nada

Mais uma maravilha descoberta no Facebook.
Vá, ide-vos lá, clicai na ligação e brincai como crianças puras e felizes que sois.

INCREDIBOX

27/05/2012

A rapariga simples quis ser snob

- Então a rapariga simples quer ser snob.
Queria. Da família tinha herdado um traço de altivez que confundia quem a olhava sem a ver. Diziam-lhe que era gelo e, por isso, não lhe tocavam.
- Digo-te que gostas de mim.
Gostava. Não tinha como não gostar de quem era capaz de pronunciar tão incisiva afirmação sem admitir que não fosse verdade. Desconversou, a rendição tinha de ser negociada, nada se quer demasiado fácil. Se é para perder que seja por mil e o tempo cresça e a negação se estenda.
- Tu gostas de homens arrogantes. Como eu.
Gostava ainda mais. Sempre lhe agradaram certas sobrancerias masculinas, quem sabe quem é e o que quer.
Atirou a toalha ao chão. Tinha perdido. 
E ia perder muito mais.

Ruth Marlene revisitada

Há qualquer coisa de errado com os homens e hoje pude confirmá-lo.
Então não é que estão 21 pessoas em linha, de várias partes do país, a pesquisar exatamente a mesma coisa? Não sei se não serão mais, em cerca de 10 minutos foram 90 visualizações à mesma página (desisti de contar, já deve ter aumentado), tudo à procura da Ruth Marlene na Playboy.
Há ou não há qualquer coisa de errado?

25/05/2012

Since you've been gone, all I can do is cry

Perguntam-me porquê.
Respondo que nem eu sei.

24/05/2012

Caríssimos senhores


23/05/2012

Tudo verdade

"She's too fucked up. She doesn't want a boyfriend. She's too damaged. Magnum P.I. couldn't solve the shit going on in her head." 


in Friends with benefits (2011)

22/05/2012

O que torna os livros especiais

Um livro não é especial só pelo seu conteúdo, um livro é especial pelas mãos de quem nos chega e no momento em que nos chega.






[ela e ele sabem] 

21/05/2012

A dona da casa azul

Na casa azul do fundo da rua mora uma pessoa estranha. A minha mãe diz que ela é estranha porque não fala com ninguém, eu acho que ela é estranha porque os olhos dela não têm água, são secos como aqueles países em África que no outro dia vi na televisão. Às vezes, ando de bicicleta lá no fundo da rua, para ter uma desculpa para a ver, a minha mãe diz que não é bonito espiar as pessoas, mas ela também diz que não se fala com a boca cheia e às vezes também o faz, por isso eu acho que não faz mal nenhum.

[mais um que anda ali a vaguear num texto .doc] 


19/05/2012

Dúvidas que me assaltam

Senhor Ministro da Economia, do seu ponto de vista, é correto eu dizer que não gosto de 'coiso'?

18/05/2012

Permanente estado líquido


Corri o dedo pelas lombadas dos livros
dispostos na ordem do acaso, separados em grupos
pela estreiteza das prateleiras,
à procura nem eu sei bem de quê.
O meu dedo parou na grossura do livro
verde que me deste, um diospiro amadurecido
pela luz dos olhos que o leram.
No canto superior direito da segunda página,
o teu nome rabiscado a lápis,
desenhando a tua imagem perfeita que ecoa
ainda a modulação da tua voz.

Abracei-te no livro,
correram livremente imagens soltas,
em estado líquido,
e palavras e pedidos
e promessas.

17/05/2012

Luz Indecisa, José Mário Silva

Ontem peguei num livro ao acaso, sacado à estante (nem sei muito bem como lá foi parar) e li-o de um trago. Cada poema de Luz Indecisa fazia-me querer ler mais. Às vezes voltava atrás, lia de novo, avançava, voltava atrás. Peguei num lápis e marquei os versos e os poemas que mais acarinhei. O autor dos mesmos é José Mário Silva. Não sabia quem era, julgava eu que não sabia, mas já tinha deambulado pelo seu blogue muitas vezes, uma das quais para ler um texto que me foi muito caro, embora eu preferisse que ele nunca tivesse sido escrito. Agora já sei quem é e vou deixar-vos a saborear a sua poesia.


espelho retrovisor
Quando olho para
trás, nem sempre
sei que tempo se
esconde nestes
versos.


lagos, 1993 (excerto)
Tão efémera, a felicidade.


atropelamento e fuga
Quando atravessas
a avenida, a realidade
colhe-te. Ficas caído
no asfalto, em pânico,
zonza figura, sem saber
aos certo quantos ossos
do teu corpo se podem
considerar intactos.


o.f. (1967-2007)
Do que não precisamos agora é de brilhos fúteis,
truques verbais, exercícios de lirismo magoado.
As palavras são só palavras, nem coisas maiores
nem mais altas, apenas pedras que lançamos
ao poço para ouvir como se agitam as águas.
Lá fora o vento e os telhados agrestes, o céu
da cidade ostensivamente idêntico ao dos
dias felizes. Empilhamos, melancólicos,
livros que foram mais transparentes.
Conferimos as margens, a mancha gráfica,
os indícios de uma perfeição talvez inútil.

Mesmo olhada de frente, a ausência
continua a ser cruel, o silêncio uma
ignomínia. Descemos à rua, bebemos
café, fingimos seguir em frente. As
palavras são pedras que afinal ficaram
nos bolsos, guardadas para um inimigo
que se ri e só destapa o rosto medonho
quando está fora do nosso alcance.

(porque este poema poderia ter outro título, com outro nome e outra data, o mesmo sentir)