Queria. Da família tinha herdado um traço de altivez que confundia quem a olhava sem a ver. Diziam-lhe que era gelo e, por isso, não lhe tocavam.
- Digo-te que gostas de mim.
Gostava. Não tinha como não gostar de quem era capaz de pronunciar tão incisiva afirmação sem admitir que não fosse verdade. Desconversou, a rendição tinha de ser negociada, nada se quer demasiado fácil. Se é para perder que seja por mil e o tempo cresça e a negação se estenda.
- Tu gostas de homens arrogantes. Como eu.
Gostava ainda mais. Sempre lhe agradaram certas sobrancerias masculinas, quem sabe quem é e o que quer.
Atirou a toalha ao chão. Tinha perdido.
E ia perder muito mais.