18/05/2012

Permanente estado líquido


Corri o dedo pelas lombadas dos livros
dispostos na ordem do acaso, separados em grupos
pela estreiteza das prateleiras,
à procura nem eu sei bem de quê.
O meu dedo parou na grossura do livro
verde que me deste, um diospiro amadurecido
pela luz dos olhos que o leram.
No canto superior direito da segunda página,
o teu nome rabiscado a lápis,
desenhando a tua imagem perfeita que ecoa
ainda a modulação da tua voz.

Abracei-te no livro,
correram livremente imagens soltas,
em estado líquido,
e palavras e pedidos
e promessas.