15/04/2015

Entretanto... Pois, não sei.

Não tenho encontrado nos seres ditos humanos que me rodeiam muitos motivos para confiar neles ou para gostar de me ver rodeada por eles durante períodos de tempo consideráveis. Assim mesmo, sem vírgulas, de enfiada, como se fosse um desabafo. E é. 

Acredito piamente -- ou ingenuamente -- que basta um pouco de compreensão e um jogo de cintura elegante para que a convivência seja sã, útil, frutífera. Continuo a resistir a compreender a intolerância generalizada e o aproveitamento descarado da generosidade alheia. Mas acredito menos. Já não me espantam ou revoltam tanto como outrora os desabafos dos meus amigos sobre os relacionamentos difíceis, desapaixonados e violentos que vivem -- porque a violência das palavras, dos silêncios e dos gestos indiferentes pode ser mais agressiva e dolorosa do que a violência de um estalo --; tenho cada vez menos que lhes dizer, menos explicações, mais encolheres de ombros, mais banalidades circunstanciais. Pois. Pois, não sei. E a vida segue como até então, deslizando no lodo onde se espalham pequenos ringues, onde se digladiam seres, ditos humanos, a destruirei-se lentamente até não sobrar mais nada.

Talvez tudo isto justifique as horas, os dias, que passo em silêncio. Talvez não justifique nada. Talvez seja eu que esteja lentamente a dar motivos para o esquecimento. Hoje acordei com as mãos baças, os pés quase apagados -- amanhã não sei como será. Entretanto, creio, desaparecerei.