13/09/2013

Cantar, cantam. Mas cantam menos e com menos estilo

Os filmes de animação de hoje são muito giros, cheios de efeitos que nos fazem esquecer que são animação, mas falta-lhes qualquer coisa que os antigos tinham. Falta-lhes música. Cantoria misturada com falas e passos de dança.

Quem nunca tentou cantar a música «Zero a Herói» do Hércules que atire a primeira pedra! Oh!, eu tentei, mas aquilo eram agudos demasiado agudos para a minha vozinha grave.

Ter visto a trilogia do Toy Story deixou-me nostálgica. Valha-nos o Youtube.

12/09/2013

Proibição do dia

Não remexerás nas caixas dos assuntos antigos.

11/09/2013

A minha vida dava uma banda sonora #12

Certezas, não tenho. Tive dúvidas - muitas (medos ainda mais) -, de que alguma vez fosse capaz de perder o lastro daquele tempo inteiro. Ryan Bingham era apologista da bagagem prática e leve, em viagem e como modo de vida. Eu fiquei com um velho baú de viagem, sem rodas, nem pegas extensíveis, num cais deserto, a horas tardias. 

De alguma forma, acreditei que tinha sido capaz de continuar, deixando para trás o peso do baú no cais deserto e escuro. Sem arrependimentos.

Hoje, não estou tão certa de o ter conseguido. Uma parte de mim ficou inequivocamente a guardar aquela bagagem, contra os roubos, as traças e o desgaste do tempo.

Talvez a atitude mais sensata, se a sensatez entra nesta história toda, é aceitar de uma vez as circunstâncias, mesmo que o que esteja em jogo seja mais do que tenho agora. Ou então esperar que passe. Tudo é cíclico. Até a História.


Haja o que houver - Madredeus 

Há quanto tempo, já esqueci
Porque fiquei, longe de ti
Cada momento é pior
Volta no vento por favor

09/09/2013

Por alguma razão estranha, ainda me surpreendo

Sabem a estupefacção que um professor sente quando pergunta, sobre o poema «Segredo», de Miguel Torga, «O que está dentro do ninho?» e recebe respostas como: um pássaro; não está nada; aquilo não é um ninho, é um T0 com vista para o quintal; _________, qualquer resposta que quase nunca é um ovo? Pois, é a mesma com que leio comentários a artigos de opinião, em linha.

06/09/2013

O caminho para o esquecimento

O caminho para o esquecimento é longo e tortuoso. Entra-se nele por um único lado e sai-se pelo oposto. Não se pode abandonar a meio, seguir atalhos, fugir pelas matas circundantes, embrenhar pelos espinheiros. O caminho para o esquecimento é solitário - a companhia acrescenta curvas e inclinações que atrasam o passo. Caminham os pés sem saber onde irão chegar, o certo é que a cabeça começa a esquecer: traços, jeitos, cheiros, vozes, abraços, o bom e o mau. Misturam-se as cores dos cabelos e as texturas das peles, os perfumes criam uma  nova fragrância indistinta, cruzam-se as conversas e o caminho que fica para trás vai-se perdendo na penumbra.
Às vezes o caminho para o esquecimento obriga-nos a voltar ao ponto de partida.
E desse que era eu meu já me não lembro...
Ah! a doce agonia de esquecer
A lembrar doidamente o que esquecemos...!
Florbela Espanca, «Esquecimento»

05/09/2013

Toda a espera é uma privação



Ainda assim, esperar é tudo o que se pode fazer. Pelo menos, por agora.

04/09/2013

Os dias são

um longo corredor vazio de bancos onde sentar.

Nem todos os sacrifícios se fazem no altar

há quem se perca no tempo das  memórias e há quem resista tirar das memórias o tempo, quase sempre passado, porque a memoria vive à esquerda do presente, seguindo a linha de pensamento que caminha para trás, tão para trás que se perde no labirinto do que foi. há quem caminhe nesse fio dias sem fim, balançando na corda que distrai, querendo voltar ao que passou, ignorando o Minotauro.

03/09/2013

Proibição do dia

Não ouvirás música que te martirize.

02/09/2013

Gymnopédie No.1

Erik Satie


Uma noite quente. Uma janela aberta. A luz apagada. Esta música. Mais nada.

O prazer de ter um livro para ler e não o fazer

Estão espalhados por todo o lado livros que não consigo acabar de ler. Perdi o norte à Crónica Feminina; li «Uma história dos diabos», mas não consigo continuar para A Submissa, muito menos para as Outras Histórias. Ana deixou o baile sem ter querido cear, deixou Vronski, todo ele enamorado, e eu não tenho vontade de indagar para onde foi. A Economia, Moral e Política repousa em cima de O Governo da Justiça, e tudo o que eu quero é algo «excepcionalmente bom».