10/04/2013
Arte no feminino - Alexia Sinclair
Que a serenidade e o conhecimento regressem a este espaço.
A fotógrafa de que vos venho falar, Alexia Sinclair, é an award winning Australian Fine Art photographer and digital artist. Her distinct style is easily recognisable and highly original. Using a visual narrative to seduce her audience with each photographic feast, Sinclair’s art is dark and seductive, baroque and symbolic. Her multilayered photographs subtly present contemporary notions of fashion and beauty through innovative digital media, whilst restoring antique notions of classicism, elegance and luxury. (+) - assim mesmo em estrangeiro e sem traduzir.
Ora, acontece que um dos trabalhos da referida artista incide sobre doze mulheres que fizeram história na História. Também fotografou doze homens, mas não gostei tanto, devo confessar. A Obvious dá uma ajuda na organização das ideias e eu deixo-vos motivos para explorar com mais tempo os links deste texto.
© Alexia Sinclair, "Elizabeth I".
© Alexia Sinclair, "Isabella of Spain"
09/04/2013
Senhor Doutor, tenho um gato. Ficarei solteira?
![]() |
| da revista Bula |
Este domingo choveu. Seria digno de registo se não fosse a banalização do estado do tempo. Choveu, como chove hoje e como tem chovido desde há mais dias dos que posso lembrar. A vontade era ir fazer a minha caminhada quase diária, porém, tendo em conta a ajuda dos céus, seriam mais umas quantas piscinas nadadas à cão. O plano B foi alapar-me no sofá e ligar a televisão - ressalvo aqui que é a única altura em que tenho acesso à mesma, já que a juventude zarpa de casa.
Não sei se sabem, mas os Casos Arquivados estão de regresso à Fox Life, apanhei o 4º episódio da 1ª temporada, levando-me desta vez a um caso em que um violador escolhia jovens estudantes universitárias, bonitas e cultas, também solteiras. Como é que ele sabia que elas eram solteiras sem se esforçar muito? Bem, se elas tivessem um gato, era mais do que certo. Isto levou-me imediatamente ao pânico, é que cá em casa há três - leram bem - três bichanos arrogantes e com tiques de esquilo voador, o que somado à minha beleza e inteligência superior era coisa para me transformar num alvo de ataque.
O excesso de ficção dá nisto. Só um idiota não perceberia que esta casa está à cunha! Os carros à porta, sempre gente a entrar e a sair, o estendal vergado ao peso da roupa, sinais inequívocos de que não vivo sozinha - embora todos os outros atributos se verifiquem, obviamente.
Não deixa, no entanto, de ser intrigante esta relação gato-jovem solteira. Uma jovem que tenha um gato mostra uma predisposição para a família, deveria ser um bom partido, das primeiras a conseguir um par fixo. Então por que não? Questiono...
08/04/2013
Nunca mais servirei senhor que possa morrer
O conhecimento constrói-se. É uma pena que não venha em frascos com pílulas brancas ou xarope açucarado, para se engolir de um trago, sofrendo a eventualidade de um amargo de boca que não dura o tempo de um esgar arrepiado. É preciso material e trabalho afincado. Mais não seja a curiosidade. O bom de tudo isto é encontrar pérolas pelo caminho, como esta.
Meditação do Duque de Gandia sobre a Morte de Isabel de Portugal
Sofia de Melo Breyner AndresenNunca mais
A tua face será pura limpa e viva
Nem o teu andar como onda fugitiva
Se poderá nos passos do tempo tecer.
E nunca mais darei ao tempo a minha vida.
Nunca mais servirei senhor que possa morrer.
A luz da tarde mostra-me os destroços
Do teu ser. Em breve a podridão
Beberá os teus olhos e os teus ossos
Tomando a tua mão na sua mão.
Nunca mais amarei quem não possa viver
Sempre,
Porque eu amei como se fossem eternos
A glória, a luz e o brilho do teu ser,
Amei-te em verdade e transparência
E nem sequer me resta a tua ausência,
És um rosto de nojo e negação
E eu fecho os olhos para não te ver.
Nunca mais servirei senhor que possa morrer.
Nunca mais te darei o tempo puro
Que em dias demorados eu teci
Pois o tempo já não regressa a ti
E assim eu não regresso e não procuro
O deus que sem esperança te pedi.
06/04/2013
05/04/2013
A mais decidida de todas as decisões
Laurinha acordou naquela manhã
decidida. Laurinha acordava todas as manhãs plena de decisões, mas aquela
suplantava todas as outras num nível de sublime alegria. Foi cantarolando que
se enfiou no duche, foi com renovado vigor que escovou dentes e cabelo, foi
entre pequenos passos de dança que se vestiu, pronta para começar nesse exato
dia a empresa a que se propusera.
Laurinha era uma mulher moderna
que aprendera a desenvolver técnicas e… coiso!
Não nos parece que seja uma definição muito válida para tudo o que aprendera,
mas Laurinha tinha problemas relacionais com os nomes das coisas e com
facilidade os votava ao esquecimento. Retenhamos então que Laurinha tinha
aprendido, com o tempo, a desenvencilhar-se e a resistir na selva urbana em que
vivia e aos símios que a rodeavam. Laurinha suspirou, enquanto se segurava com
mais força ao varão de alumínio do autocarro e lutava para manter o equilíbrio
e a compostura, numa curva apertada que o motorista galgara em excesso de
velocidade. Por muito que a desgostasse, o seu último pensamento era bastante
acertado, os homens que conhecia não se diferenciavam o suficiente dos
primatas - bichos feios e peludos que muitos juravam pelo que lhes era mais
sagrado serem os nossos antepassados. Ainda assim, ela acordara decidida.
Laurinha ia arranjar um amante.
04/04/2013
E eu, que não gosto nada de borrego, gosto tanto deste Soaked Lamb
Gosto, mas gosto mesmo muito.
Script by Gito Lima
Animation by Tiago Albuquerque, Braz G., Maria C.
Music by The Soaked Lamb
"A Flor e o Espinho" is a cover version from an original Brazilian Samba composed by Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito e Alcides Caminha.
Produced by The Soaked Lamb.
String arrangement by Rodrigo Leão, with Viviena Tupikova (violin), Bruno Silva (viola) and Carlos Tony Gomes (cello).
http://soakedlamb.com/
Video clip from the CD "Evergreens" / 2012 / The Soaked Lamb
Directed by Tiago AlbuquerqueScript by Gito Lima
Animation by Tiago Albuquerque, Braz G., Maria C.
Music by The Soaked Lamb
"A Flor e o Espinho" is a cover version from an original Brazilian Samba composed by Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito e Alcides Caminha.
Produced by The Soaked Lamb.
String arrangement by Rodrigo Leão, with Viviena Tupikova (violin), Bruno Silva (viola) and Carlos Tony Gomes (cello).
http://soakedlamb.com/
Obviamente, graças à minha vergonha inata e totozice intrínseca, não fui capaz de pedir um autografo que fosse ao Afonso Cruz. E, oh!, se tive oportunidades. Foram dois dias inteirinhos com ele ali à minha frente e eu não fiz nada. Agora, vale de muito lamuriar...
Esperem lá, que a música chegou ao fim e é preciso clicar no repeat. (:
03/04/2013
Em silêncio falam
Eles falam, em silêncio, sem pronunciar uma única palavra. Mas falam, deixando nas meias palavras o espaço ao que não dizem. Preferia mil vezes que falassem, que dissessem o que realmente pensam, que me passassem o certificado de nulidade e me esquecessem de vez.
02/04/2013
Estranhas formas de acordar
Hoje acordei com o desapego colado às mãos. Pentear os cabelos e compor a roupa não chega para me consertar por dentro. Tão certo como as sardas do meu nariz que estou partida. O que tenho não é suficiente para contentar ninguém. Debotou a cor dos meus vestidos, gastou-se o verniz dos sapatos. Largar sem pegar, assim é todas as vezes.
Que pena, tinha tanto potencial para ser aquilo que não é.
01/04/2013
Correspondência íntima - XI
Dizes-me tu que devia escrever e quem sabe tornar as minhas coisas vendíveis. Há tantos que o fazem. Generosamente questionas-lhes a qualidade, sobes-me à liga dos importantes e insistes que devia montar um esquema tático que me garantisse a vitória e me permitisse jogar taco-a-taco com eles.
Digo-te eu que o meu orçamento não chega para me manter em tal liga. Tenho contra mim uma coisa que eles não têm, nenhuma vontade de me tornar famosa com a escrita. Isto impede que eu escreva em catadupa, sobre tudo e sobre nada, opinando a torto e a direito, fazendo-me notar. O que eu quero mesmo é escrever quando a vida me lixa as voltas e ela tem-me dado umas quantas oportunidades.
Fiquemo-nos pelas vitórias morais dos elogios afáveis que me deixas no email.*
* Chegou com atraso. Como os comboios da CP, tardou, mas não falhou. (:
Subscrever:
Mensagens (Atom)

