A casa está em silêncio. Saíram todos. Cada um tinha que fazer noutro lugar qualquer. Cada um levou a companhia que lhe correspondia. No fim das vezes todas que a porta se fechou, a casa calou-se. Fiquei eu. E o silêncio. Abro livros e leio histórias alheias. Procuro música, é preciso ouvir outra voz que não a que se calou dentro de mim. Vive-se na terceira pessoa o que nos é negado. Há quem diga que é melhor do que nada, há quem diga que é preciso uma alma generosa para apreciar a fortuna alheia. Há quem diga muitas coisas. A maior parte delas para não estar calado. É sempre o silêncio que é preciso emudecer. Batem-se palavras contra a parede, como bolas sem sentido. Enquanto cada uma ecoa no vazio, a casa parece menos triste. São as coisas miúdas que se juntam, como berlindes no bolso, a pesarem e a magoarem a ponta dos dedos, cada vez que se faz pontaria ao buraco. Conto um palmo e meio. Se bater no grande é meu. Falho. O principal do jogo é jogar. Ganhar é um tiro de sorte. E o resto é poesia em folhas de papel amarelado, escrita por quem não percebeu que o futuro eram os jogos de tabuleiro.
13/02/2013
Notas mentais, envolvendo micro-saias
Não sair de casa com uma micro-saia, num dia de vento.
Não perder a chave do carro dentro da mala, num dia de vento, usando uma micro-saia, em frente a pedreiros.
Não perder a chave do carro dentro da mala, num dia de vento, usando uma micro-saia, em frente a pedreiros.
Correspondência Íntima - X
Escrever por escrever não faz parte da minha natureza, as conversas acabam por se esgotar em nadas. Melhor esperar, apanhar balanço e retomar do ponto em que estava.
12/02/2013
11/02/2013
E assim desgraço tudo
No fim, um chá quentinho e com um travo a limão é tudo o que basta para engraçar as coisas outra vez.
09/02/2013
Coelho verde das mil faces cómicas
Tanto de meu estado me acho incerta...
Enquanto vou e não volto, é isto que me apetece ouvir, com o volume no máximo, só porque pensar é um esforço inglório.
Mentre tutto scorre - Negramaro
Enquanto vou e não volto, é isto que me apetece ouvir, com o volume no máximo, só porque pensar é um esforço inglório.
Mentre tutto scorre - Negramaro
Mentre tutto scorre - Negramaro
parla in fretta e non pensar
fala rápido e não
penses*
se quel che dici può far male
se o que dizes pode
fazer mal
perché mai io dovrei fingere
porque nunca eu
deveria fingir
di essere fragile come tu mi vuoi
ser frágil como tu me
queres
nasconderti in silenzi
esconder-te em
silêncios
mille volte già concessi
mil vezes já concedidos
tanto poi tu lo sai riuscirei
até porque tu sabes
que conseguiria
sempre a convincermi
sempre convencer-me
che tutto scorre
que tudo passa
usami, straziami
usa-me, tortura-me
strappami l'anima
rasga-me a alma
fai di me quel che vuoi
faz de mim o que
quiseres
tanto non cambia
não muda em nada
l'idea che ormai ho di te
a ideia que tenho de
ti
verde
coniglio dalle mille facce buffe
coelho verde das mil faces
cómicas
e dimmi ancora quanto pesa la tua maschera di cera
e diz-me agora quanto
pesa a tua máscara de cera
tanto poi tu lo sai si scioglierà
até porque sabes que
derreterá
come fosse neve al sol
como a neve ao sol
mentre tutto scorre
enquanto tudo passa
sparami addosso, bersaglio mancato
dispara sobre mim,
alvo falhado
provaci ancora è un campo minato
tenta outra vez, é um campo minado
quello che resta del nostro passato
o que resta do nosso
passado
non rinnegarlo, è tempo sprecato
não o ignores, é tempo
perdido
macchie indelebili, coprirle
è reato
manchas indeléveis,
cobri-las é um crime
scagli la pietra chi è senza peccato
atire a pedra quem nunca pecou
scagliala tu perché ho tutto sbagliato
atira-a tu porque tenho tudo errado
*tradução minha
*tradução minha
08/02/2013
Dias de vento
Se os dias de sol são preferíveis pelo gosto de sentir a pele a ferver, o fresco da bebida a escorregar pela garganta e a aparente alegria que empresta às coisas. Se os dias de chuva são preferíveis pela evocação do aconchego, o calor da fogueira, a serenidade da água a escorregar pela paisagem e a aparente limpeza que empresta às coisas. Eu sempre preferi os dias de vento.
Não sei explicar o tanto que gosto de me sentir enredada no bafo de Éolo. O cabelo fica uma miséria, as bochechas rubras a doer, o peito cansado pelo esforço de respirar, a roupa em desalinho e eu feliz.
Está uma manhã fenomenal de vento. Vou enfrentá-lo com toda a alegria.
hoje, deveria haver mais uma vela para apagar, mas não há. outra festa adiada. ad aeternum...
07/02/2013
Um bacalhau por dia era o bem que me fazia
Há cerca de 30 anos, era comum ir com a minha mãe comprar bacalhau a casa de uma senhora que vendia no mercado. Podia-se comprar na mercearia, mas ali os preços eram mais convidativos e toda a aldeia aproveitava.
A senhora, sempre que eu ia com a minha mãe, costumava dar-me uma apara de bacalhau com que eu me entretinha até chegar a casa. Seriam os salgados da altura, uma espécie de tiras de milho do mar. Lembro-me que uma noite ela deu-me um rabo de bacalhau e aquele pedaço de peixe salgado soube melhor do que os pirolitos de caramelo que a minha mãe me comprava na feira e que eu tão bem espalhava pela cara, cabelo e roupa. Era uma coisa em grande, um bom pedaço para mastigar devagarinho, trabalho para uma noite inteira. Não durou muito a minha alegria. À saída da casa da senhora, um enorme cão vadio abocanhou-me o peixe e levou-o.
Não é que o animal me tivesse feito mal, que não fez, só me deixou em lágrimas e berros o tempo todo do regresso. A minha mãe lá me tentou consolar, sem grande resultado. O bacalhau era meu e o cão tinha-o levado. Lembrar desta história fez-me sempre rir.
Hoje, quando fui à aldeia fazer umas coisas, vi um papel afixado, dando conta do dia e da hora do funeral da senhora que vendia o bacalhau. Pela primeira vez, ao contar isto, fiquei triste.
05/02/2013
Tem de acontecer. Que seja agora.
A Deolinda é uma mulher simples. Deve ser por isso que gosto tanto dela. Não há ideias nem vontades complicadas, há o dizer das coisas como elas são.
Ela voltou e trouxe esta música que parece feitinha de propósito para mim.
Seja agora - Deolinda
Nós havemos de nos ver os dois
ver no que isto dá
ficar um pouco mais a conversar
Ter a eternidade para nós
Quem sabe, jantar,
Se tu quiseres pode ser hoje
Tem de acontecer, porque tem de ser
e o que tem de ser tem muita força
E sei que vai ser, porque tem de ser
Se é pra acontecer, pois que seja agora
Nós havemos ambos de encontrar
um destino qualquer
ou um banquinho bom para sentar
Vai ser tão bonito descobrir
que no futuro só
quem decide é a vontade
02/02/2013
Encheram-me os bolsos de sol
achei por bem partilhar algum. (:
Pocketful of sunshine - Natasha Bedingfield
Subscrever:
Mensagens (Atom)
