Não estou habituada a que demonstrem que se lembram de mim. Que me ocorra, não tenho em casa qualquer caneca ou prato que me diga que alguém meu conhecido esteve num determinado lugar e pensou em mim tanto que foi impelido a carregar terracota polícroma vidrada, para que não me esquecesse da sua viagem.
Claro que não estou a considerar que ninguém, nunca, se lembra de mim, seria um absurdo, ainda para mais quando sei que somos capazes de nos lembrar das pessoas mais insuspeitas, nas alturas mais insuspeitas. Apenas, que não é costume que me digam que o fizeram.
Foi, por isso, com grande espanto que me entregaram um envelope pardo, com um conteúdo lindo de morrer e uma missiva que me deixou naquele estado de assombro enternecido de que padecem as pessoas quando apanhadas de surpresa. Acho que ainda não saí dele, caso contrário já teria agradecido ao remetente do envelope pardo.
Sim, este texto é um mea culpa público. Mas é também um profundo agradecimento -- é tudo tão lindo!
Estou perdoada?, minha linda e querida pessoa remetente e que não vou dizer quem é. :))
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01/07/2015
07/11/2014
Rima foleira em jeito de declaração de amor
Porque eu tenho um amigo
que de pequenino não tem nada
nem altura nem coração
nem a loucura alucinada.
Um amigo que hei-de encher
de chocolates e beijinhos
da chegada à despedida
serão muitos os abrações.
eu avisei que era foleira
que de pequenino não tem nada
nem altura nem coração
nem a loucura alucinada.
Um amigo que hei-de encher
de chocolates e beijinhos
da chegada à despedida
serão muitos os abrações.
eu avisei que era foleira
06/03/2012
Porque é preciso que se saiba que vos estimo
Estou a passar por um processo avaliador do que sou, da minha vida, dos meus afetos. Impunha-se, depois do que aconteceu recentemente. Nunca antes tinha tido a certeza tão firme que a vida é muito curta para ser gasta em ninharias e que as palavras devem ser ditas, ou escritas, quando têm de ser, guardá-las não nos acrescenta nada, a não ser a mágoa de nunca as termos dito, ou de não termos dito as suficientes. Insistimos em esperar por um tempo mais oportuno, por uma ocasião mais acertada, e um dia acordamos e percebemos que não há tempo para mais nada, que a oportunidade já passou, e ficamos com aquilo tudo a pesar-nos as mãos e o peito e a mente e os braços. Por isso, decidi que devo, realmente é impositivo, dizer às pessoas que estimo que as estimo, que lhes quero bem, antes que seja tarde.
20/10/2011
És o único que ainda me chama
Giardino.
E é por coisas simples como estas que eu gosto de ti. (:
Um abraço que seja o somatório das nossas alturas e do nosso peso.
E é por coisas simples como estas que eu gosto de ti. (:
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