Estou a passar por um processo avaliador do que sou, da minha vida, dos meus afetos. Impunha-se, depois do que aconteceu recentemente. Nunca antes tinha tido a certeza tão firme que a vida é muito curta para ser gasta em ninharias e que as palavras devem ser ditas, ou escritas, quando têm de ser, guardá-las não nos acrescenta nada, a não ser a mágoa de nunca as termos dito, ou de não termos dito as suficientes. Insistimos em esperar por um tempo mais oportuno, por uma ocasião mais acertada, e um dia acordamos e percebemos que não há tempo para mais nada, que a oportunidade já passou, e ficamos com aquilo tudo a pesar-nos as mãos e o peito e a mente e os braços. Por isso, decidi que devo, realmente é impositivo, dizer às pessoas que estimo que as estimo, que lhes quero bem, antes que seja tarde.