![]() |
| Francesca Woodman - Untitled, Providence, Rhode Island, 1975–1978 |
10/05/2017
Como um bambu chinês
A minha vida sempre se precipitou. Desde que me lembro. As coisas aconteceram-me sempre muito depois de acontecerem à maioria (essa medida exacta do valor da nossa vida) e tudo ao mesmo tempo. Sou uma espécie de bambu chinês que precisa de grandes saltos temporais para avançar. 2016 deu o mote, 2017 há-de trazer de uma vez tudo aquilo que tenho esperado por anos. Se me assusta? Nem por isso, só me deixa expectante.
29/03/2017
Mais um ano
Ao abrir a pasta dos Rascunhos, encontro esta mensagem escrita há muito. Abro-a e percebo num repente que me esqueci de assinalar o meu aniversário, no blogue. Não é grave, só passou um mês e oito dias.

28/03/2017
24/03/2017
21/03/2017
Eu ontem vi-te
Eu ontem vi-te…
Andava a luz
Do teu olhar,
Que me seduz
A divagar
Em torno a mim.
E então pedi-te,
Não que me olhasses,
Mas que afastasses,
Um poucochinho,
Do meu caminho,
Um tal fulgor
De medo, amor,
Que me cegasse,
Me deslumbrasse,
Fulgor assim.
Ângelo de Lima (1872-1921)
Andava a luz
Do teu olhar,
Que me seduz
A divagar
Em torno a mim.
E então pedi-te,
Não que me olhasses,
Mas que afastasses,
Um poucochinho,
Do meu caminho,
Um tal fulgor
De medo, amor,
Que me cegasse,
Me deslumbrasse,
Fulgor assim.
Ângelo de Lima (1872-1921)
09/03/2017
Ser ou não ser um robot
Gosto quando o Blogger me pede para confirmar que não sou um robot. É um momento inesperado de tomada de consciência, um estremecimento nos pilares do meu auto-conhecimento. Quem sou eu? Posso não alcançar respostas absolutas, bastará que saiba o que não sou, não sou um robot. É um descanso para a alma saber que não fui criada para os automatismos, nem para a ausência de sentimentos, e que há veias e órgãos vários dentro de mim, em vez de fios e rodas dentadas. Confirmo na caixa de diálogo que não sou um robot e o meu pensamento escrito é aceite sem mais (a menos que o meu pensamento não vá avec o pensamento do dono do blogue).
08/03/2017
Banho
Preciso de tomar banho. Tenho o corpo dorido e o cabelo numa lástima. Não consigo concentrar-me quando sinto o cabelo menos limpo. Incomoda-me o raciocínio e provoca-me olheiras. Por isso, preciso de tomar banho. Urgentemente. Sentir a água quente a correr na pele, o cabelo envolto em espuma perfumada, ensaboar-me e lavar o cansaço e as olheiras. Vestir uma roupa lavada e secar o cabelo até ao brilho final. Preciso tanto de tomar banho! E já o teria feito, não fora enganar-me a dar ordem de aquecimento ao depósito amigo do ambiente.
![]() |
| A woman uses a crooked back brush equipped with front and rear-view mirrors, 1947. (Allan Grant—The LIFE Picture Collection/Getty Images) |
07/03/2017
Mais que nunca
Tenho vivido mais que nunca. Amado mais que nunca. Rido mais que nunca. Passeado mais que nunca. Planeado mais que nunca. Feito coisas mais que nunca. Intensamente, mais que nunca. E escrito menos que nunca. Porque a vida vai acontecendo do lado de cá, não é preciso registá-la de outra forma.
03/03/2017
Cada vez mais
Incomoda-me a escrita musculada, demasiado trabalhada para parecer complexa, cheia de parêntesis e palavras excessivas. Resisto cada vez mais a textos incapazes de se adequarem à conversa que têm comigo, como se se imbuíssem de uma superioridade professoral enfadada pela minha ignorância. Diminui-me a paciência para a pseudo-intelectualidade. Fujo-lhes. Cada vez mais. Mas mergulho com todo o prazer nos textos aparentemente simples, inteligentes e cultos, que me desconcertam com a palavra certa, no lugar certo. Sabem sempre falar-me do que desconheço, com a sabedoria dos velhos, humildes. Procuro-os. Cada vez mais.
Subscrever:
Mensagens (Atom)



