Incomoda-me a escrita musculada, demasiado trabalhada para parecer complexa, cheia de parêntesis e palavras excessivas. Resisto cada vez mais a textos incapazes de se adequarem à conversa que têm comigo, como se se imbuíssem de uma superioridade professoral enfadada pela minha ignorância. Diminui-me a paciência para a pseudo-intelectualidade. Fujo-lhes. Cada vez mais. Mas mergulho com todo o prazer nos textos aparentemente simples, inteligentes e cultos, que me desconcertam com a palavra certa, no lugar certo. Sabem sempre falar-me do que desconheço, com a sabedoria dos velhos, humildes. Procuro-os. Cada vez mais.