Hoje, não tenho vontade de escrever, hoje não há originalidade em nada que os meus dedos criem quando teclam apressadamente.
Hoje, corro as músicas que mais gosto, à procura daquele verso, daquela estrofe que já tem tudo dito.
Hoje, falar é excesso, o certo é fechar os olhos e sentir, deixar correr, deixar-me ir sem rumo nem destino, só porque foi bom demais tudo aquilo que descobri nos últimos dias...
Puppet_by_larafairie
You and I know You and I try You and I ran Leaving old stories far behind And it feels good And it's so warm Having those eyes Playing with me, myself and I... ("Me, myself and I" - The Gift)
* * *
Maybe you want to talk about old questions Right next to my ear But I don't care about those silly things Cause all I need is five minutes of everything ("Five minutes of everything" - The Gift)
* * *
You came into my world, and when you kissed me, you collapsed me forever Into this world when you held me, We fought windmills together, and you came into this world, and you killed me. Forever, means ever, into this world. ("Pure" - The Gift)
Não faço nada, a não ser juntar pedaços dispersos do meu cérebro e arrumar fragmentos da memória. Conto as horas que se arrastam, procuro um sentido que não encontro, só sei que, dê as voltas que isto der, é a minha única certeza.
Que rosas fugitivas foste ali:
Requeriam-te os tapetes – e vieste...
– Se me dói hoje o bem que me fizeste,
É justo, porque muito te devi.
Em que seda de afagos me envolvi
Quando entraste, nas tardes que apareceste –
Como fui de percal quando me deste Tua boca a beijar, que remordi...
Pensei que fosse o meu o teu cansaço –
Que seria entre nós um longo abraço
O tédio que, tão esbelta, te curvava...
E fugiste... Que importa ? Se deixaste
A lembrança violeta que animaste,
Onde a minha saudade a Cor se trava?...
Paris - dezembro 1915*
Rose_by_larafairie
Enquanto limpava as estantes, descobri o Poemário de 2004 e sem conter a curiosidade procurei o poema de hoje. Não tinha. Em 2004, ano de Estagio, devo ter tido algum aluno que fez anos neste dia e que recebeu como prenda o poema. Entre o dia 6 e o 9, escolhi este. Tanto que se podia escrever...
*Mário de Sá-Carneiro (2001). Poemas Completos,Edição Fernando Cabral Martins.Assírio & Alvim
One last kiss one only
Then I'll let you go
Hard for you
I've fallen
But you can't break my fall
I'm broken don't break me
When I hit the ground
Some devil some angel
Has got me to the bones
You said always and forever
Now I believe you baby
You said always and forever
Is such a long and lonely time
Too drunk and still drinking
It's just the way I feel
It's alright
Is what you told me
Cause what we had was so beautiful
Feel heavy like floating
At the bottom of the sea
You said always and forever
Now I believe you baby
You said always and forever
Is such a long and lonely time
Some devil is stuck inside of me
I cannot set it free
I wish, I wish I was dead and you breathing
Just so that you could know
Some angel is stuck inside of me
But I cannot set you free
You said always and forever
Now I believe you baby
You said always and forever
Such a long and lonely time
Por tudo o que foi, é e será.
Pelas mentiras.
Pelos desistentes.
Pelos que foram embora.
Pelos que nem sequer tentaram.
Por mim...
GRITAR!
The hate in your eyes
The lies on your tongue
A hand that kills the innocence who quit to do wrong
your belly is full
While we fight for what remains
(POD - Tell me why - When Angels & Serpents dance" 2008)
Tenho-me apercebido com o correr dos dias de coisas fantásticas na minha vida.
Estou a andar em duas direcções opostas.
Encontro-me nos antípodas de mim mesma.
Como foi que aconteceu?
Não sei.
Mas aconteceu.
Passo os dias rodeada de pessoas.
Falando com elas.
Ensinando-as.
Animando.
Encorajando.
Levantando a moral.
No entanto, constato, não sem surpresa que estou cada vez mais sozinha.
O meu telefone não pára.
A campainha da porta toca todo o dia.
Todos me querem...
Mas ninguém me quer na verdade.
Querer dá trabalho e as pessoas levam-se melhor quando tudo está bem.
Pelo que passo os meus dias a dar, dar, dar, a dar-me.
Quantas vezes os estou a ouvir, a sorrir, a dizer o que é certo e a minha mente vagueia por outros sítios, procurando outras pessoas, outros lugares, outras conversas.
Quando as pessoas vão, o silêncio reina, estou eu, só eu.
Não, não ando deprimida.
Não vou atentar contra a vida.
Não ando depressiva.
Não.
Sim, há alturas em que há coisas que pesam pesos terríveis.
Fico triste.
Desencorajada.
O momento antes de dormir é muitas vezes uma mistura de estranho e doloroso.
Mas passa, tudo passa...
Só preciso de um espaço, de um momento, de uma bolha de ar onde possa vir respirar e sentir que estou viva.
Preciso deste espaço para largar o que vai cá dentro.
E depois ir, sem lastro, até à próxima aterragem.
Estou numa fase ensimesmada, introspectiva, fechada, o que lhe quiserem chamar, estou.
But It can’t rain everyday... O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã.
Dias melhores virão, certamente.
Fear, Desperation and Alone by ~exoticpeach in deviantart