Último soneto
Que rosas fugitivas foste ali:
Requeriam-te os tapetes – e vieste...
– Se me dói hoje o bem que me fizeste,
É justo, porque muito te devi.
Em que seda de afagos me envolvi
Quando entraste, nas tardes que apareceste –
Como fui de percal quando me deste
Tua boca a beijar, que remordi...
Pensei que fosse o meu o teu cansaço –
Que seria entre nós um longo abraço
O tédio que, tão esbelta, te curvava...
E fugiste... Que importa ? Se deixaste
A lembrança violeta que animaste,
Onde a minha saudade a Cor se trava?...
Paris - dezembro 1915*
Que rosas fugitivas foste ali:
Requeriam-te os tapetes – e vieste...
– Se me dói hoje o bem que me fizeste,
É justo, porque muito te devi.
Em que seda de afagos me envolvi
Quando entraste, nas tardes que apareceste –
Como fui de percal quando me deste
Tua boca a beijar, que remordi...
Pensei que fosse o meu o teu cansaço –
Que seria entre nós um longo abraço
O tédio que, tão esbelta, te curvava...
E fugiste... Que importa ? Se deixaste
A lembrança violeta que animaste,
Onde a minha saudade a Cor se trava?...
Paris - dezembro 1915*
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| Rose_by_larafairie |
Enquanto limpava as estantes, descobri o Poemário de 2004 e sem conter a curiosidade procurei o poema de hoje. Não tinha. Em 2004, ano de Estagio, devo ter tido algum aluno que fez anos neste dia e que recebeu como prenda o poema. Entre o dia 6 e o 9, escolhi este. Tanto que se podia escrever...
*Mário de Sá-Carneiro (2001). Poemas Completos,Edição Fernando Cabral Martins.Assírio & Alvim
*Mário de Sá-Carneiro (2001). Poemas Completos,Edição Fernando Cabral Martins.Assírio & Alvim
