08/02/2019

O silêncio tomou conta da casa

o silêncio tomou conta da casa

encontro vazio no lugar das tuas roupas
na outra metade da cama

os chinelos alinhados em cima do tapete
são pequenos buracos onde faltam os teus pés

ficou o teu perfume agarrado ao quarto
e à minha pele

a vida continua lá fora, ruidosa
cá dentro o meu coração bate no compasso da saudade

e eu amo-te

06/02/2019

Exausta.

Mentalmente de rastos. Vales-me tu e a nossa casa - refúgio do Mundo mau.

01/02/2019

Não importa

Não importa quão felizes e realizados nos sintamos, há sempre um dia em que uma área da nossa vida nos obriga a respirar bem fundo e a contar até mil.

30/01/2019

Que descuido meu pisar nos teus espinhos

Há sempre alguém que se ofende com tudo e com nada.

Ouriço - Juliano Holanda

Voltar sem retorno (por enquanto)

Tinha prometido a mim mesma «para lá, nunca mais!». E disse-o, repeti-o e escrevi-o amiúde, para memória futura do meu convencimento. Durante cinco anos consegui manter a promessa, mas este ano... ah, este ano! Por um acaso, uma conjugação de factores estranhos e um alinhamento transcendental dos planetas, vi-me de novo lá. Como se nunca de lá tivesse saído. Os dias organizam-se agora em blocos e intervalos fixos e escadas acima e escadas abaixo e um corrupio de caras que vou tentando não esquecer nem baralhar. Voltei. Sem retorno? Por enquanto...

25/01/2019

Fases

Tem sido sempre assim. As fases da mudança alteram os ritmos e as noites tornam-se curtas. Demasiado curtas. Excessivamente curtas. Há-de vir tudo de uma vez: os dentes, as novas palavras, os passos firmes. E o sono tranquilo há-de voltar também. Até à próxima fase.

22/01/2019

Passo a passo

Pequeno barco na tormenta, resiste à queda e em equilíbrio precário segue corredor fora, na felicidade de conseguir ir de uma ponta à outra sem cair. Atira-se para os braços, portos seguros, rindo. «Olá!», é tudo o que sabe dizer, padrão oral com o qual vai marcando as suas conquistas.

21/01/2019

Insistindo no erro

Ouço na rádio um cientista explicar que a lua de ontem não foi bem uma super lua, foi apenas uma lua um bocadinho maior, e que o desapontamento de muitos observadores do fenómeno estava mais na expectativa errada do que no incumprimento da referida. O jornalista termina o comentário, mencionando a lua tal como o cientista explicou? Nada disso, chamando-lhe super lua, como se o esclarecimento anterior de nada tivesse servido. E não serviu.

16/01/2019

Tentativa e erro

Tentei (afincadamente, diga-se) mudar-me para outra casa que não esta. Escolhi um ponto alto, numa zona nobre, com uma varanda virada ao rio. É bonita a vista da minha varanda: a ponte enevoada pelas manhãs, o rio a espelhar o sol pelas tardes e o convencimento subtil de que a confusão da cidade não chega lá acima. Tentei, é certo. Tentei muito. Desisti. Arrendei a casa por muitos milhares e mudei-me para cá outra vez. Por muito que a vida tenha dado umas grandes voltas, estou mais convencida do que nunca: serei sempre uma rapariga simples.

11/12/2017

Negar o sal

Olho para este blogue e não o reconheço. Não me reconheço. É um amontoado de pedras que me enche os bolsos e me impede de caminhar em frente. Castra-me todas as ideias, as vontades, as palavras que quero, e às vezes preciso, de escrever. É o cadáver que arrasto amarrado ao tornozelo, infectando tudo à volta. Não consigo voltar aqui, não para escrever o novo que acontece nos dias dolentes, não para o pontilhar das certezas que se vão juntando. Preciso de o largar, cortar esta amarra, livrar-me da pele de Uma Rapariga Simples e inaugurar outro espaço, mais arejado, mais limpo, mais puro. É hora de separar a bagagem tóxica e depositá-la nos devidos contentores do esquecimento -- sem medo, sem arrependimentos, negando o sal. O fim deste ano é o limite para muitas coisas terem o seu termo. O fim deste ano é o limite para a existência deste blogue. Em Janeiro, recomeço: a vida, o amor, a família, os sonhos e, quem sabe, um novo espaço virtual. Sem medo. Sem arrependimentos.

06/12/2017

Baby steps #4

Não há melhor música do que ouvir o seu coraçãozinho bater.