Olho para este blogue e não o reconheço. Não me reconheço. É um amontoado de pedras que me enche os bolsos e me impede de caminhar em frente. Castra-me todas as ideias, as vontades, as palavras que quero, e às vezes preciso, de escrever. É o cadáver que arrasto amarrado ao tornozelo, infectando tudo à volta. Não consigo voltar aqui, não para escrever o novo que acontece nos dias dolentes, não para o pontilhar das certezas que se vão juntando. Preciso de o largar, cortar esta amarra, livrar-me da pele de Uma Rapariga Simples e inaugurar outro espaço, mais arejado, mais limpo, mais puro. É hora de separar a bagagem tóxica e depositá-la nos devidos contentores do esquecimento -- sem medo, sem arrependimentos, negando o sal. O fim deste ano é o limite para muitas coisas terem o seu termo. O fim deste ano é o limite para a existência deste blogue. Em Janeiro, recomeço: a vida, o amor, a família, os sonhos e, quem sabe, um novo espaço virtual. Sem medo. Sem arrependimentos.
11/12/2017
06/12/2017
27/11/2017
Baby steps #3
All I want for Christmas is... dormir para o lado que me der mais jeito, sem levar uns valentes pontapés.
26/11/2017
Baby steps #2
Prometeram-me uma pele fantástica e iluminada. Pele de grávida, disseram eles. Enganaram-me completamente.
08/11/2017
Baby steps #1
Hoje, pela primeira vez, olhando de cima para baixo em toda a verticalidade do meu ser, dei-me conta que não consigo ver os meus pés. E que grandes pés eles são.
06/11/2017
Nidificação
Dizem os livros da especialidade que o desejo de nidificação -- arrumar e limpar a casa como se não houvesse amanhã -- é um sintoma de parto eminente. Não desdigo, mas não valorizo sobremaneira. Muito antes do meu pequeno músico ser uma realidade, já os meus dias eram acometidos de vontades extremas de arrumar e limpar coisas. Se bem pensar, os últimos quinze anos têm sido uma constante de momentos em que os espaços onde estive sofreram mudanças drásticas e foram deixados, nos vários caixotes designados para o efeito, sacos e sacos de lixo e de lastro. Aprendi com o tempo que não podemos carregar todo o passado às costas, sob pena de não haver espaço para o futuro. Foi uma aprendizagem muito útil. especialmente por ter uma casa onde cabia eu e tudo o que arrastei durante anos, mas onde não havia espaço para um marido e um filho. A decisão não foi difícil, talvez pelos anos de treino em desapego, e entre eles e os objectos, ficaram as memórias e espaço para o que virá.
24/10/2017
11/10/2017
Pequenas descobertas
Gosto de mexer na superfície arredondada da minha barriga. Sentir os movimentos que aumentam de intensidade a cada semana. Dar suaves pancadas com dois dedos, dizendo baixinho o seu nome, e receber de volta pancadas não tão suaves assim.
Gosto que as tuas mãos descansem na superfície arredondada da minha barriga. E que lhe dês beijinhos e o chames baixinho e ele reaja com firmeza.
São as pequenas descobertas dos nossos dias que vão mudando devagarinho. Nenhum igual ao outro.
23/09/2017
A noite
A noite traz o sossego,
a colcha fofa que nos cobre a pele.
Espalhamos o corpo e o amor pelos lençóis.
Damos as mãos, contra
o medo e a incerteza.
A noite traz a calma sobre
os nossos corações, nem sempre em
sossego.
a colcha fofa que nos cobre a pele.
Espalhamos o corpo e o amor pelos lençóis.
Damos as mãos, contra
o medo e a incerteza.
A noite traz a calma sobre
os nossos corações, nem sempre em
sossego.
08/09/2017
O mundo às riscas
Começaste por ser um insistente cansaço, acompanhado do sono que às 21h me prostrava. Depois, uma intrigante sensibilidade aos cheiros, especialmente os muito florais, que me deixava o estômago às voltas. Passaste a ser um «será?» desconfiado, confirmado nas risquinhas azuis daquela espécie de tubo branco. Foi assim que soubemos que eras mesmo, uma pequena existência que, como o vento, não víamos, mas começávamos já a sentir os efeitos. Enchi-me então da esperança de que te haveria de encher de laços e fitas e folhos com florzinhas miúdas; quebrarias o reinado másculo de ambos os lados da família e serias uma pequena princesa fofa nas nossas vidas. Trouxe-vos às duas, a ti e à esperança, todos os dias de espera até ao momento em que me deitei naquela cama estreita que enchia o pequeno espaço escuro, senti o frio do gel a arrepiar-me a pele, a pressão da sonda do ecógrafo na minha barriga e a tua imagem, pela primeira vez, projectada no ecrã em frente. Foi naquele momento, sem que ninguém mo dissesse, que vos perdi às duas -- contra toda a esperança, o futuro será feito de calções, riscas e muito azul. E eu mal posso esperar para que assim seja.

06/09/2017
Da relativa importância de pensar e falar por escrito
Estou a deixar este espaço morrer devagarinho. Não é por falta de assunto ou de histórias, que esses acontecem diariamente e com salpicos de surrealismo consideráveis. Também não é por falta de ter o que dizer, porque nunca falei tanto na vida toda, o dia inteiro. Talvez resida aqui o problema: o silêncio é uma realidade cada vez mais estranha, não há, pois, a necessidade de o fintar com diálogos mudos.
Depois, existes tu e nós. Nós, que começámos com dois e estamos em rápida progressão para sermos três. Essencialmente tu, meu confidente, aturador de neuras, porto de abrigo, pilar forte da minha vida, delicioso parceiro de aventuras, solucionador de 90% dos problemas que vão aparecendo pelo caminho, o meu amor imperfeitamente perfeito para mim. Tu, que reduziste o passado a uma memória longínqua e difusa, de importância relativa. Tu, que me deixas recados que me inundam os olhos e me dás a mão enquanto dormimos. Tu, que andas às voltas com parafusos, porque é preciso que a cama fique bem segura, e analisas exaustivamente as características dos colchões. Tu, que eu amo com um amor tão intenso e retribuído que às vezes dói. Tu, a quem eu posso dizer tudo, sem o deixar registado de outras formas.
Sim, vamos ser velhinhos, os dois, juntos!
Depois, existes tu e nós. Nós, que começámos com dois e estamos em rápida progressão para sermos três. Essencialmente tu, meu confidente, aturador de neuras, porto de abrigo, pilar forte da minha vida, delicioso parceiro de aventuras, solucionador de 90% dos problemas que vão aparecendo pelo caminho, o meu amor imperfeitamente perfeito para mim. Tu, que reduziste o passado a uma memória longínqua e difusa, de importância relativa. Tu, que me deixas recados que me inundam os olhos e me dás a mão enquanto dormimos. Tu, que andas às voltas com parafusos, porque é preciso que a cama fique bem segura, e analisas exaustivamente as características dos colchões. Tu, que eu amo com um amor tão intenso e retribuído que às vezes dói. Tu, a quem eu posso dizer tudo, sem o deixar registado de outras formas.
Sim, vamos ser velhinhos, os dois, juntos!
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