13/03/2014

11/03/2014

Kiss me till the end of time

Depois de ver este vídeo partilhado por alguns amigos, resolvi-me a clicar na ligação e a vê-lo.



O cerne do vídeo não é o primeiro beijo no sentido de ser O primeiro, mas o primeiro que se partilha com alguém. Confesso que sorri o tempo inteiro, por me rever no embaraço, na dúvida, naquele aproximar desejoso, no tocar dos lábios pela primeira vez.

Não é que precise de muito esforço para voltar a um dia particular de muito grata memória, mas hoje -- porque hoje há beijos que precisam de ser dados em silêncio -- foi como se voltasse novamente àquele lugar, àquela hora, àquela mistura de medo e vontade (e se ele não quer e eu quero tanto?). As mãos ainda me tremem um bocadinho, assim como as pernas e o coração, e o frio na barriga (talvez seja o bater de asas das borboletas) não passou.

Depois do medo vencido, dos lábios tocados, de um suspiro que não se segura, o calor de um corpo que nos ampara, a consciência plena do outro e dos efeitos que nos causa - mesmo que um relógio suspenso continue a debitar realidade na passagem dos minutos.

O primeiro beijo que se dá a alguém é bom e eu permito-me repeti-lo a cada reencontro.

10/03/2014

Um chá de limão e uma aspirina

É nas alturas em que me sinto doente, ou que estou comprovadamente doente, que sinto mais falta das pessoas que me faltam. Há todo um esforço heróico de resistência à saudade que se esvai em menos de nada. Os estados de doença prestam-se a fragilidades emocionais mais vincadas do que súbito abaixamento do número de glóbulos brancos no sistema -- não me lembro de um único episódio de Era uma vez o Corpo Humano em que as defesas da alma lutassem contra diabretes negros em forma de S (Saudade ou M (Melancolia). No fundo, o que um corpo a resistir a um vírus quer é mimo, abraços apertados, carinhos no cabelo, beijos na testa, como quando está são.

Podia trocar-lhe o género

Haverá maior fortuna do que a de encontrar uma mulher que nos fascine o bastante para que corrijamos tudo e sejamos melhores?

A mulher sagrada
Valter Hugo Mãe, revista 2, Jornal Público, Domingo dia 9 de Março de 2014.

07/03/2014

Diálogos improváveis

-- Ambrósio!
-- Sim, senhora.
-- Apetecia-me tomar algo...
-- Quer que lhe traga um Ferrero Rocher?
-- Não, Ambrósio, o que eu queria era algo melhor!
-- Melhor?
-- Sim, o que eu queria era abrir uma excepção.

06/03/2014

A importância de escolher uma boa azeitona

Sempre gostei de azeitonas. Desde pequena que me seduzem com a sua cor, forma e sabor, embora as comesse em quantidades controladas, por ser frequente engolir os caroços, acidente de percurso que nem pais nem avós viam com bons olhos. Para além disso, diziam-me que faziam mal, causavam borbulhas, constrangiam as cordas vocais, davam dores de estômago e maleitas afins que atacavam criancinhas gulosas, mas poupavam os adultos, talvez porque a doença seja ela também muito velha e se queira vingar da juventude das crianças pequenas.

Preferi durante muitos anos as pretas imaculadas, lustrosas, grandes. Torcia o nariz às retalhadas, mais pequenas, imperfeitas e irregulares. Diziam-me que faziam melhor, não eram tão ácidas, mas a minha arrogância ignorante – é uma parceria comum, que vive muito da partilha de estados – rejeitava o produto da oliveira abaixo da perfeição. Há uns anos, aprendi a gostar das verdes, sempre das tamanho XL, sempre as mais perfeitas.

No entanto, se há algum conveniente na passagem do tempo e do progressivo envelhecimento – ou amadurecimento, se tiverem alguma questão mal-resolvida com a palavra «velho» - está na capacidade de apreciarmos o que antes rejeitávamos: o prazer de comer azeitonas retalhadas.

O sabor é diferente, perdem-se na boca e são o casamento perfeito para pastéis de bacalhau, presunto, chouriça assada, pão simples e tudo o mais que queiramos combinar, porque o amor de uma azeitona está acima dos tipos convencionais.


Aconteceu-me o mesmo com as pessoas. Na minha infantilidade juvenil, acreditei que as mais perfeitas e agradáveis à vista eram as melhores; hoje sei que o prazer da degustação está nas retalhadas, nas que têm cicatrizes e golpes e marcas muitas, lastro mais, que não são perfeitas, nem uniformes, que têm um quê de outsiders, que sabem o que é isto de viver, pelo menos não se negaram, e por isso são menos ácidas, menos iguais, mas muito mais saborosas e vão bem com todos os estados de alma.

Universo feminino

Tenho sonhos burgueses; n’alma simples




05/03/2014

Natureza humana

Let me be your ruler, you can call me queen bee
And baby I'll rule I'll rule I'll rule I'll rule
Let me live that fantasy
Royals - Lorde




04/03/2014

Proibição do dia

Não perderás nunca o fôlego a meio de coisas importantes.

02/03/2014

Natureza humana







Não é preciso muito, para me habituar às coisas boas.
Não é preciso muito, para logo lhes sentir a falta.