11/03/2013

A Rainha de Copas também não foi convidada


Amber Casther Photography


Trouxeste amoras nos bolsos, bolinhas negras que confundiste com as pedras que juntaste para atirares às poças de água, e encheste-me as mãos de segredos. Bebeste o chá de limão que preparei para ti, na minha cozinha de faz de conta, e comeste as minhas bolachas todas. Riste quando viste o prato vazio e, para me consolares,  prometeste que me deixavas brincar com os teus carros de madeira. Entre as tantas brincadeiras, foi com susto que vi os meus sapatos de verniz sujos de lama, mas tu disseste que o teu pé era maior e também estava sujo, por isso, não fazia mal. Os tapetes da sala mancharam-se com os nossos passos, quando atravessámos a casa como pequenos seres alados, para que a Rainha não nos visse. Escondemo-nos atrás da árvore grande do jardim a medir as mãos e o tempo que faltava para ser amanhã.

I don't wanna die alone way before my time

Before my time - J. Ralph Feat. Scarlett Johansson & Joshua Bell


Before my time 


Cold Feet, don't fail me now
So much left to do
If i should run ten thousand miles home
Would you be there?

Just a taste of things to come
I still smile

But i don't wanna die alone
I don't wanna die alone
Way before my time

Keep calm and carry on
No worse for the wear

I don't wanna die alone
I don't wanna die alone
Way before my time

Is it any wonder
All this empty air
I'm drowning in the laughter
Way before my time has come

10/03/2013

Pensamentos dispersos depois do futebol

Não preciso de ir para um ginásio, preciso é de voltar para Lisboa.


Pintar as unhas de vermelho incompatibiliza-me com o lava-louça.


Os homens só cumprem as suas promessas, quando deviam fazer tudo para as quebrar.

Viajar

E num instante o tempo recua dez anos.
Outra vez as pernas cansadas de subir e descer escadas, outra vez os sacos a pesarem nos ombros e o desalinho do cabelo a acompanhar a pressa. Outra vez o estômago a reclamar a refeição saltada e a boca a suspirar, quando todo o corpo se senta enfim no banco do autocarro.

08/03/2013

And it's contagious

Us - Regina Spektor

06/03/2013

É a PDI, minha gente

Em cima da bancada do lavatório, um creme anti-rugas a começar a ser usado com três anos de atraso e um olhos roll-on com colagénio. No cabelo, dois exemplares brancos. Na testa, três pequenos vincos a assinalarem onde o tempo há-de passar. Vai tudo bem encaminhado, não haja dúvida.

05/03/2013

Não há pior divulgadora do meu trabalho do que eu mesma

A divulgação de um produto faz-se de forma aguerrida e constante, procurando destacar-se dos demais na selva que é o mercado de consumo. Corrijam-me lá, caros leitores da área do Marketing, caso tenha dito algum disparato do meu tamanho.

As plataformas virtuais são veículos ligeiros nessa mesma divulgação e quem as souber usar, poderá ter mais sucesso, chegar a um público maior.

Era supostamente isto que eu deveria fazer com o meu cantinho virtual de poesia. Porém, a ideia de andar a pedinchar Likes e comentário e partilhas, entupindo as caixas de mensagens dos amigos e conhecidos com emails desnecessários, causa-me constrangimento. Não sou capaz. Se gostarem, se quiserem ler, se quiserem partilhar, ficarei encantada. Se não quiserem, é um direito que lhes assiste, porque eu também não gosto de ser bombardeada com o que me é relativamente indiferente.

Por isso, as Rimas andam ali a flutuar no esquecimento, não fossem as três ou quatro almas generosas que insistem em as ler e tentar perceber, comentando. 

Mas como aquele espaço continua a ser a minha terapia poética, até provas em contrário, pode muito bem continuar como está.

Entretanto, vou ali criar uma campanha de angariação de Likes e já volto.

04/03/2013

What goes around comes around


I could be foreign forevermore to your promiseland

The depth of self-delusion - RIVERSIDE





Deixada de propósito no meu mural do FB. É para isto mesmo que ele serve. E agora não paro de a ouvir.

03/03/2013

Até quando, Catilina?


‎"Até quando abusarás, Catilina, da nossa paciência?"

Cícero.


Catilina obstina-se em não querer ouvir.

01/03/2013

O zoo cá de casa tem um novo membro


Este bichano tem cerca de dois meses e foi encontrado na rua, num noite fria, a horas tardias. Quando veio - a minha mãe é um coração de manteiga -, trazia a promessa de ser entregue ao dono, assim que fosse descoberto. Ora o dono não existe, porque a mãe-cadela tinha sido abandonada.

Há quinze dias que mora cá em casa. Tem uma paixão assolapada pelo meu pai e o meu pai por ele. É uma espécie de sombra dos nossos pés, coisa perigosa quando se está em inferioridade centimétrica, e uma ternura de bicho. No início foi corrido pelos gatos, agora é ele que corre atrás dos gatos, o que é grave quando se tem uma gata anti-social.  Já levou as vacinas e os tratamentos necessários, habitando de momento a garagem - espaço amplo que ele decora e perfuma com o excedentário das suas refeições.

Ainda não sabemos muito bem que nome lhe dar. Eu queria Zorbas. A minha mãe chama-lhe cão, o meu pai safadana e os meus irmãos inclinam-se para Zazu. Enquanto as votações decorrem, Cachorro, O Cão continua a perseguir vassouras, esfregonas e tudo o que mexe; continua a enrolar tapetes, a comer a comida dos gatos, a dormir refasteladas sestas no sofá e a dar traques de enjoar a casa inteira.