14/05/2009

Parem lá com esta ideia patética!



Estava a ouvir esta música e o meu ouvido captou isto

Cuz I love you more than I could ever promise.
And you take me the way I am.
You take me the way I am.
You take me the way I am.


Deu-me um arrepio na pele e não foi daqueles bons, foi mesmo de quase-raiva.
Ora vamos lá a ver, mas afinal que coisa é esta de "take me the way I am"??
ISTO NÃO EXISTE!!!!!!!!
Ninguém aceita os outros exactamente como eles são.
Ninguém aceita a diferença pelo prazer da diferença.
Toda a gente conserva em si a secreta esperança de mudar o outro.
Toda a gente conserva em si a secreta esperança de tornar o outro igual a si mesmo.

Todos diferentes, todos iguais, o caraças!

- Ah, és do SCP e tal... mas não queres ver uns jogos do SLB comigo?

Esta atitude é constante em nós.
Esta atitude tem desgraçado relacionamentos, casamentos, arranjinhos, embrulhamentos e afins.
Esta atitude é a mesma que nos leva a obrigar, sim, obrigar, porque é isso mesmo que fazemos, as criancinhas a repetirem que são do Clube X, que gostam mais da Pessoa A.

- Sabes, o teu perfil é giro, mas as coisas não são bem assim.

Quando entra o não é bem assim, lá estamos nós a iniciar a marcha da mudança.
A sociedade faz isto a todo o passo, a escola, até o Netlog!
Por isso, esqueçam, cada um de nós é tendencioso e detesta quem é diferente porque quer que todos sejam iguais... A SI!

Tenho dito, vou continuar a ouvir o resto do CD e a remoer mais letras.

27 Agosto 2008

Ele caminhava na areia...

Mote:
No dia seguinte ela esperou.
Ele não apareceu.
Já de noite chega um vulto a correr pelo areal.
É ele.
Ofegante pára no lugar onde ela costumava estar.
Mas no seu lugar apenas restam o casaco que ele lhe tinha emprestado, o desenho que lhe tinha mostrado e os lápis na areia...



Pegou no desenho.
Nas margens da folha, estavam frases escritas e riscadas com violência.
O fundo pintado num negro de carvão furioso...
Pegou no casaco.
Cheirava a ela, aquele perfume simultâneamente suave e forte.
Caminhou pela areia, procurando-a com um olhar ansioso.
A água beijava-lhe agora os pés com suavidade.
Fechou os olhos, talvez por um momento pudesse imaginar que era ela que o tocava assim...
Uma gaivota gritou por cima da sua cabeça, assustando-o.
A mão abriu-se com o susto.
O vento soprou forte, arrancando-lhe o desenho e arrastando-o para longe.
Impetuoso, entrou mar adentro, na tentativa de recuperar a folha que o ligava a ela.
A ondulação era mais forte do que o que pensava.
A maré puxava-o, enrolava-o...
As ondas arrancaram-lhe o casaco de debaixo do braço e lavaram o cheiro do perfume dela.
Encharcado, cansado, espantado, saiu da água.
O peito subia e descia, tentado recuperar da luta com a água.
De costas para a praia, de frente para o mar, olhou as mãos.
Vazias...
Não havia mais nada que o ligasse a ela.
Seria real?

14 Junho 2008

Eu olho a cidade... e tu?


erdida nas janelas da alma, olho as cidades sem tempo...

Mentira, num olho, num olho, na verdade verdadeira verdadinha vejo apenas árvores pois que moro na aldeia; no entanto, achei que era bonito cantar um bocadinho antes de escrever, até porque não faço a mínima ideia do que vai sair daqui!

Ideias profundas não há, a frase do blog anterior esgotou-me a inspiração, pelo que estou assim com'ó deserto quando o calor aperta e o vento sopra, arrancando os frágeis arbustos e fazendo-os rolar pelas cidades abandonadas do Faroeste... não vejo bem qual é a causa-efeito entre desertos e faoestes, mas voltámos às cidades, donde tomo como certo ser o indício de qualquer coisa...

Cidades.

Divaguemos sobre elas.
Pensemos sobre a sua importância.
Temos As Cidades e as Serras, mas a serra agora só nas festas do Natal e Fim de Ano, porque a malta é fina e gosta de coisas à grande.
Preferíamos todos Praia! Quem mandou descontrolar o Planeta? Agora apertem-se, agasalhem-se e não saiam de casa sem chapéu-de-chuva.

Cidades.
Eu gosto de cidades.
Cidades abertas, com movimento, com rio...
Gosto da Figueira, gosto de Roma e gosto de Lisboa (esta enumeração não ficou lá grande coisa, mas foi o que se pôde arranjar!)

Cidades - Lisboa.
A Capital sempre me fascinou.
Representava um Portugal muito mais à frente daquele que conhecia, vivendo na minha aldeiazinha.
Representou o meu grito do Ipiranga.
Representou a minha definitiva emancipação.
Representou 6 anos da minha vida.
Representou uma Formação que me serviu apenas para me moldar e me abrir os olhos ao mundo...

Lisboa - 10 anos depois.

Representa hoje ainda mais do que representou no meu passado recente.
Representa um mar de oportunidades, de novas experiências, de novos desafios.

Lisboa - A visita.

Cada vez que lá volto, é como se nunca lá tivesse ido.
Cada vez que lá volto, alguma coisa acontece.

Lisboa.

Continua a exercer em mim o mesmo fascínio de sempre.
É parte de mim, inseparável de mim...



Melhor parar por aqui, as ideias estão a dispersar-se... não sei muito bem onde comecei, nem onde fui acabar...

Perdida nas janelas da alma, olho as cidades sem tempo... ("Aqui tão perto de ti" in Tudo é para sempre, DonnaMaria)

29 Maio 2008

Fazer amor com as palavras ou muito longe disso...

Fazer amor com as palavras…
A mana (A Rapariga Assim-Assim) usa muito esta expressão fazer amor com as palavras
Podemos, talvez, fazer amor com as palavras que pronunciamos – todos sabemos o prazer que nos dá dizer algumas coisas, sussurrar o nosso poema preferido, cantar o refrão daquela música que diz tudo…– , e com as que escrevemos.
Foi sobre estas últimas que estive a pensar.
Fazer amor com as palavras…
Há na escrita algo de libertador, os livros de Teoria da Literatura olham-me da estante e acenam afirmativamente; escrever faz-nos ver as coisas de outra perspectiva, organizar o pensamento, extravasar o que nos sufoca, e os livros de poesia, romance, contos e afins corroboram os primeiros.

Mas não é sempre assim!
Eu não sei fazer amor com as palavras!
Para mim escrever sobre as coisas que estão menos à superfície é um exercício muito mais doloroso que libertador.

You try to take comfort in words
But words
They cannot love
Don't waste them like that
Cus they'll bruise you more


As palavras magoam, as palavras expõem o que somos, as palavras remexem no passado, as palavras são agressivas, as palavras são cruéis.

As palavras são tão cruéis que magoam quando existe e magoam quando não estão lá.

You talk all these words
You make conversations that cannot be heard
How long until you notice that
No one is answering back


Palavras, palavras, palavras…
As palavras estão gastas.
As palavras estão demasiado desvalorizadas na Bolsa.
As palavras estão nuas.
As palavras perderam o sentido.
As palavras são ditas quando não se sabe agir.
As palavras mentem-nos e nós acreditamos porque precisamos delas.

Fazer amor implica fazer qualquer coisa positiva, porque o amor é bom.
Mas as palavras violam-nos mais do que nos amam.

Eu não sei fazer amor com as palavras.
O que fica depois é a ferida que elas abriram…

Cus they'll bruise you more

Desculpa, mana, eu não sei como fazes, mas eu não sei fazer isso…





14 Abril 2008

Cativa-me

É engraçado como as coisas que nos foram essenciais acabem por nos ser indiferentes.

Passámos tanto tempo a vibrar com elas, a sonhar com elas, a desejá-las e depois…

Houve uma altura, corria a época de 93/94, o meu Benfica era essencial para mim.
Como esquecer aquele ano louco, o 4-4 com o Bayern Leverkusen, naquele jogo impróprio para cardíacos, a loucura do festival de golos; o 3-6 em Alvalade, com as voltas e as reviravoltas e os golos, tantos golos, belos golos…; ganhar o Campeonato nesse ano foi fantástico!

Mas vieram épocas, demasiadas épocas seguidas e o meu Benfica foi-me dando menos motivos, para não dizer praticamente nenhuns, para sorrir.

Hoje, o meu Benfica já nem meu é.
Desconheço a equipa, desconheço os resultados, não sei quando jogam, não me importo se jogam…
O Benfica hoje é-me indiferente.

Cativa-me!, dizia a Raposa ao Principezinho, se tu me cativares, passamos a precisar um do outro. Passas a ser único no mundo para mim. E eu também passo a ser única no mundo para ti…

As pessoas, assim como o meu Benfica, vão deixando de me cativar, vão deixando de nos cativar, vão deixando de ser únicas para mim, para cada um de nós.

Começa então o processo:
Recusar a acreditar que esteja a acontecer…
Depois, vem a pontinha da tristeza, mas ainda assim acreditamos (para o ano é que é!)
Depois, vem a pontinha do desapontamento (já passaram muitos anos e ainda não foi!)
Depois, vem a desilusão (parece que vai demorar muito mais)
Depois, já nada nos cativa…
Depois, já não queremos ser cativados…
Depois, pouco nos importa…

Hoje o meu Benfica é uma equipa como outra qualquer, não me abala, não me entusiasma, não arranca de mim emoção alguma.

Se fosse só o meu Benfica!

3 Abril 2008

Anatomia de Grey

Se há coisa neste série que me fascina, é a capacidade de sempre reflectir sobres os eventos do dia-a-dia.
Ao contrário do furacão House, encontramos aqui tantas personagens tão complexas, tão densas, tão parecidas connosco que não há como não gostar do que se vê.

Eles são confusos, românticos, idealistas, frios. Cometem erros, têm más decisões, mas realizam façanhas diárias que nem sempre são reconhecidas.

Quanto a mim, é uma daqueles séries que são para se apreciar e não para se comentar.

Elefante Branco e arredores

Nos anos em que morei em Lisboa, sempre que queria dar uma referência da zona onde morava, dizia:
- Moro ao pé do Elefante Branco.
E era verdade!
Primeiro na Luciano Cordeiro, depois na Bernardim Ribeiro, cada vez mais perto do dito cujo espaço.
Nunca percebi por que trocavam olhares estranhos e davam ares de riso.

Acho que aquilo era um restaurante, parece-me que sim, especializado em pratos de carne nacional e estrangeira, mas da boa e da fresca, nada de carne fora de validade.
Os porteiros eram pessoas extremamente simpáticas e atenciosas, diziam boa noite, abriam as portas e fechavam-nas logo, não fosse entregar alguma mosca varejeira e dar cabo da carne.
Era frequentado por mulheres elegantíssimas, altas, esbeltas e perfumadas, o que me leva a crer que era um restaurante fino, até porque que os homens que lá iam faziam-se conduzir em luxuosos carros, alguns com escolta policial. Diziam que eram políticos, como se isso fosse mau. Eu cá acho muito bem que eles frequentem lugares elegantes e bonitos, onde se come bem e comida de qualidade.

Mas esta zona era fantástica. À noite podíamos encontrar na rua inúmeras senhoras que regressavam a casa tarde da noite. Uma vez vinha do Monumental, depois da sessão da meia-noite, e vi as paragens do autocarro cheias delas, até comentei para quem vinha comigo:
- Já viste, estas senhoras são mesmo mulheres honradas. Trabalham até tão tarde para alimentar a família e nós no cinema a gastar dinheiro aos nossos pais!
Algumas deviam de ganhar muito mal porque usavam umas roupas muito pequenas e apertadas. E os sapatos? Coitadas, a trabalhar turno após turno em cima de tais saltos...
Outras eram um bocadinho feias, quase pareciam homens, mas como nós não éramos de pôr em causa que a beleza vem de dentro de cada um, lamentávamos apenas a pouca roupa que envergavam.

Como já disse, era uma zona excelente.
Não fosse a PSP de Santa Marta e eu poderia ter desancado à vontade umas energúmenas que partilhavam o meu apartamento. Hospitais não faltavam para mandar as desinfelizes que fizeram do meu 4º ano um verdadeiro inferno! Entre Santa Marta, Capuchos e São José, era só escolher para onde mandar as flores e o cartão a desejar as melhoras.

Como eu gostava de ir estudar para o jardim do Campo Santana ou Mártires da Pátria - um dos nomes deve de ser, nunca soube qual era o recente e o antigo.

Bons tempos!
Só tenho pena de nunca ter ido jantar ao Elefante Branco, mas acho que não tinha argumentos financeiros para tal.


19 Outubro 2007

Sempre para sempre

Tanto já se escreveu sobre o amor no espaço real e virtual.
Visões mais adocicadas, revoltadas, amargas, sonhadoras, irreais, demasiado reais, desiludidas, bastante iludidas... visões pessoais, visões de terceiros, visões copy-paste.
Hoje apetece-me falar do Amor, mas não tenho nada original ou muito inovador para acrescentar a tudo o que já foi dito.
Por isso, deixo mais uma música dos Donna Maria, uma definição de amor declamada pelo Gil do Carmo.


Sempre para sempre

Musica: Ricardo Sotna e Gil do Carmo
Letra: Miguel A. Majer


Há amor amigo
Amor rebelde
Amor antigo
Amor de pele

Há amor tão longe
Amor distante
Amor de olhos
Amor de amante

Há amor de inverno
Amor de verão
Amor que rouba
Como um ladrão

Há amor passageiro
Amor não amado
Amor que aparece
Amor descartado

Há amor despido
Amor ausente
Amor de corpo
E sangue bem quente

Há amor adulto
Amor pensado
Amor sem insulto
Mas nunca tocado

Há amor secreto
De cheiro intenso
Amor tão próximo
Amor de incenso

Há amor que mata
Amor que mente
Amor que nada mas nada
Te faz contente me faz contente

Há amor tão fraco
Amor não assumido
Amor de quarto
Que faz sentido

Há amor eterno
Sem nunca talvez
Amor tão certo
Que acaba de vez

http://www.youtube.com/watch?v=hAeiVae73GI

25 Setembro 2007

13/05/2009

Can I say no to you?


O conflito entre a razão e o sentimento não é novo, nem novidade para qualquer um de nós.
Em qualquer momento da caminhada, tivemos de decidir entre o que sabíamos ser o certo e o que desejávamos ser o certo.
Vai onde te leva o coração… pois é, Tamaro, mas nem sempre o coração nos leva para o melhor dos lugares; muitas vezes acaba por nos abandonar em sítios pantanosos, sem direcção nem esperança.

Drink up sweet decadence.
I can't say no to you,
And I've completely lost myself, and I don't mind.
I can't say no to you.

Entre os sucessivos avanços e recuos, na tentativa tantas vezes frustrada, tantas vezes desesperada, de voltar ao caminho original, censuramo-nos por mais uma vez termos deixado que o sentimento marcasse o rumo.

Shouldn't let you conquer me completely.
Now I can't let go of this dream.

Se bem repararmos, Sentimento é um nome masculino, Razão é feminino, logo aqui deveríamos saber qual escolher, os homens não sabem antecipar caminhos, deixarmo-nos guiar por eles é deixarmo-nos guiar por um cego teimoso que não quer admitir que não sabe por onde vai.

E quando voltamos à estrada, quando a Razão foi rainha, tantas vezes o Sentimento travesso e traiçoeiro atira tropeços para a nossa frente, só para nos lembrar que existe, está vivo e se quiser...

Under your spell again.
I can't say no to you.


Fight_Series__by_larafairie



Ainda assim, está na hora de seguir outro rumo, traçar outros caminhos.
Quem sabe igualmente pantanosos.
Quem sabe...
Por agora, Razão 1 – Sentimento... não sei, ao fim de um tempo deixei de contar.



* Letra da música Good Enough - Evanescence

Fevereiro de 2009

09/05/2009

Love hurts

Most of the time...


04/05/2009

Eu não sei nada...

Porque eu já não sei nada.
Talvez nunca vá saber nada.
Eu não sei nada...



Tocas no rosto enquanto o ar não sai
Inspiro sem medo do acto que vem
Envolvo os pés com as mãos
Do toque nasce a nossa ilusão

Desenhas os risos de um novo medo
Que o peito demonstra sem qualquer sossego
Faz tempo que a culpa se foi
Ficámos de pensar só depois
Do erro.

Já pouco nos resta fechar os olhos
Escondemos actos sem qualquer receio ou angústia
Que nos prende a vontade de sentir
O corpo com prazer

Rasgas-me a roupa sem qualquer pudor
Enquanto buscas o ar pela boca
Passeias o teu cheiro no meu corpo
Por entre os braços misturo tudo
Após o prazer ficaremos mudos
Sem saber
Se é por uma noite

Grito o teu nome sem saber
Como será o amanhã
Foi um sonho real
Por uma noite