Quem anda minimamente informado sabe que tanto a presidente
brasileira, Dilma Rousseff, como a presidente da fundação Saramago, Pílar del Rio, exigem ser tratadas como presidenta, por reclamarem para si uma igualdade de importância feminina num
mundo ainda, e por muito tempo, governado
por homens. Vão até mais longe ao desconsiderarem quem assim não procede.
Ora bem, eu, que não sou numa fazedora de opiniões, vou
tentar explicar a tolice por detrás desta postura tão pseudo-feminista.
Se a memória não me falha (já lá vão 13 desde a última vez),
o latim possuía um particípio chamado Particípio Presente, que significava,
lato sensu, aquele que fazia qualquer coisa: cantante – aquele que cantava. Na
passagem do latim erudito para o latim vulgar e daí às línguas românicas –
português, francês, italiano, castelhano e romeno – este particípio morreu
enquanto tal, deixando reminiscências em palavras que usamos amiúde:
amante – o que ama;
docente – o que ensina;
caminhante – o que caminha;
temente – o que teme;
presidente – o que preside.
No entanto, estas palavras – que tanto podem ser nomes como
adjectivos – têm uma forma que podemos dizer neutra, logo, não contêm em si informação sobre o género.
Precisam, por isso, de um determinante artigo – que se chama assim por esta
mesma razão, por determinar género e número – que nos diga se é menino ou
menina. Daí:
o amante / a amante;
o docente /a docente;
o caminhante / a caminhante;
o temente / a temente;
O PRESIDENTE / A PRESIDENTE.
É tão simples, tão claro, tão bom para evitar tiros nos pés. Vamos lá a ser um pouco mais humildes, inteligentes e
respeitadores da língua que falamos, se não, qualquer dia, exijo que me tratem
por docenta e ai do meu homem que arranje uma amanta.