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02/07/2012

Foi sempre culpa minha


Culpa mía - Concha Buika

Nunca fui de atribuir culpas das coisas que me aconteceram. Sei, em consciência que essas mesmas coisas foram o resultado das escolhas que fiz. No limite, todas as escolhas foram minhas, porque podia ter escolhido diferente a qualquer momento. Mas não fiz diferente. Os avanços e recuos de muitas decisões foram sempre pensados e, os que não foram, desejei que acontecessem.

Assim foi quando saí de casa aos 18, assim foi quando voei para outro país, assim foi com os homens que amei - carinhosamente apelidados de Triunvirato, cada um à sua maneira, cada um no seu tempo, com o seu lugar e a sua importância. Por isto, se alguém é culpado, esse alguém sou eu. 

Amei-vos com demasiada intensidade, a todos. Do princípio ao fim. Amei-vos com tudo e o tudo foi muito, foi tanto.  Amei-vos de peito aberto, quase com fúria, esperando um retorno que não vinha, insistindo em dar aquilo que não tinham como dar de volta, porque não podiam, e eu sabia.  

Aqui está a minha culpa. Todavía pensando en [vosostros] me pongo triste*, porque eu queria que tivessem querido um pouco mais, permanecido um pouco mais, resistido um pouco mais. Que a minha intensidade não fosse o pretexto que faltava, para que escolhessem a partida silenciosa. Mais definitiva ou nem tanto assim.

Culpa mía porque vos escolhi, porque deixei que me escolhessem.





[ E tu também hás de ir. Eu sei que sim. Irás porque ficar será equivalente a uma urticária sem fim que incomoda e faz desejar o alívio que só a ausência dará. Podes olhar-me no fundo dos olhos e prometer o que quiseres. Não adianta. Este filme saltará da bobine num dia que não esperamos. Ficarão os frames soltos dos momentos felizes e nada mais. E até isso será culpa mía. ]


* verso da música "Culpa mía", Concha Buika