04/02/2014

No Facebook também há coisas giras

Sempre tive a ideia que quando há um movimento a puxar para um lado, começa de imediato um movimento que puxa para o outro. Será o equilíbrio necessário para que a histeria não impere, mas não deixa de ser curioso observar o fenómeno. Lembro-me assim de repente de três exemplos: o fenómeno House, o fenómeno CR7 e o fenómeno FB. Sobre o primeiro já escrevi, sobre o segundo já falei, sobre o terceiro... bem, o terceiro custa-me mais a entender, tendo em conta que só lá está quem quer e condená-lo pela infidelidade e pelo número de pseudo-interessantes que por lá grassam equivale, quanto a mim, a condenar as operadoras móveis, os CTT, os transportes públicos e a via pública pelas mesmíssimas razões.

Posto isto, não resisti a partilhar aqui um desafio lançado por uma queridíssima pessoa com quem, pasmem-se lá!, tenho mantido o contacto às custas do supra mencionado causador dos maus costumes e desvio das pessoas honradas.

Sugeria-me, então, uma amiga que listasse os livros que mais me marcaram - tenho alguma dificuldade em dizer «da minha vida», porque todos são importantes, porque com todos se aprende qualquer coisa, mais não seja a não voltar a escolher o estilo ou o autor. 

Escolho 10, porque com o meu jeitinho para os nomes, lembrar-me destes já é uma sorte:

1) Bíblia – não há palavras para explicar;

2) Aventuras de João Sem Medo, José Gomes Ferreira – li-o aos 13, aos 18, aos vinte e pouco, aos vinte e muitos, cada leitura uma aventura, uma descoberta;

3) Ensaio sobre a cegueira, Saramago – um livro violento que me violentou da capa à contracapa;

4) Uma rapariga simples, Arthur Miller – porque contém a melhor descrição de mim mesma que já li;

5) Memórias de uma gueixa, Arthur Golden – a reinvenção das metáforas ou como a beleza do amor existe e resiste;

6) Fazes-me falta, Inês Pedrosa – por ter dito tudo o que quis verbalizar e não soube como;

7) O remorso de Baltazar Serapião, valter hugo mãe – pela colecção de personagens masculinas mais terríveis que li desde que me lembro;

8) De profundis, valsa lenta, José Cardoso Pires – no dia em que perdemos a consciência de quem somos, poder-se-á dizer que ainda somos?;

9) Raio de Luar, Luiz Pacheco – porque a sua leitura foi um prazer indescritível;

10) A resistência dos materiais, Rui Costa – porque nunca nenhum livro foi aberto nem lido pela primeira vez como este.


Se alguém quiser continuar o desafio, pois que o faça.