Para se fazer literatura, é preciso fazer assentar o novo texto nas ruínas dos textos antigos - a literatura nova baseada nas ruínas dos clássicos, pelo que a criação literária implica encontrar a morte, cada novo texto determina a morte do anterior.
Nenhum autor é capaz de contornar os túmulos - as ruínas dos textos antigos -, visto não haver literatura sem literatura. Trava-se então a batalha, que Harold Bloom refere em A Angústia da Influência, entre o escritor-criador e o seu precursor, num processo de angústia permanente da incerteza de a conseguir ganhar, de não conseguir que o seu texto não seja mais do que a mera repetição do que já foi escrito.
Também segundo Bloom, um texto nunca se lê correctamente, ler mal é a condição necessária para se ser um escritor forte, um escritor que vence as ruínas do texto precedente, ainda que o seu texto esteja condenado a morrer, a ser um túmulo, ruína de textos vindouros.