30/04/2019
Não sei
Não sei como era a minha vida antes. Antes deles, antes deste nós tão bom que não me dá vontade de pensar muito. Não sei e nem é, sequer, relevante.
23/04/2019
10/04/2019
09/04/2019
Dúvida
Não havendo nada de muito negativo a acontecer e não havendo vontade de chafurdar na lama dos desgostos passados, o que sobra para tema de escrita?
08/04/2019
28/03/2019
25/03/2019
O tempo esquece tudo
De repente, o passado estranha-se. Está já tão longe, tão remoto na memória que só um exercício rebuscado de reflexão o pode resgatar - não por inteiro: partes, resquícios, fragmentos. Mais que perfeito, finalmente arrumado para não voltar a interferir no futuro.
21/03/2019
O grande mistério que há na luz do dia
Assim que te despes - Cristina Branco
poema: David Mourão-Ferreira
Assim que te despes
As próprias cortinas
Ficam boquiabertas
Sobre a luz do dia
Os teus olhos pedem
Mas boca exige
Que te inunde as pernas
Toda a luz do dia
Até o teu sexo
Que negro cintila
Mais e mais desperta
Para a luz do dia
E a noite percebe
Ao ver-te despido
O grande mistério
Que há na luz do dia
12/03/2019
Homem
não me espartilhes em comemorações vazias
pequenas cedências da tua masculinidade intocável
um par de calças condescendido por saberes que todos
os outros nos armários serão inequivocamente teus
não me chames «mulher» como se fosse um insulto,
sintoma de doença nervosa, quando pensas em segredo
que «as mulheres permaneçam caladas» onde quer que
seja o seu mundo – novo ou antigo, doméstico ou laboral
não me endeuses, não me pendures nas paredes,
nem me assentes em pedestais – sossegada, quieta,
inofensiva, agradável à vista dos teus amigos que fumam
charutos e bebem uísques com sabor a misoginia
não me dês flores nem atenções vazias em dias
marcados no calendário, como se fossem pílulas
douradas, da prescrição masculina contra a histeria,
suplemento vitamínico do sexo fraco
não aceito ser reduzida a um dia. quero o ano inteiro
para ser a mulher que sou eu, quero as mesmas
oportunidades, as mesmas lutas, a mesma retribuição do
meu trabalho, apesar do género que trago marcado no corpo
23/02/2019
O nome
Gastamos-lhe o nome. Some-se em segundos, com uma agilidade de gato. Esconde-se nos espaços esconsos da casa. como fosse um rato. É um bichinho-carpinteiro que só sossega quando dorme. Nem à chamada do nome responde. Às vezes, apenas ri.
21/02/2019
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