![]() |
| Ainda num dia feliz |
19/01/2015
17/01/2015
A certeza dos abismos
um homem e uma mulher dançam. ninguém ouve a música mas eles sabem-na de olhos abertos e ouvidos a ouvirem para dentro. não se tocam -- cada um dança no seu canto da sala. entre eles metros de chão, cada taco é um revés. se ao menos eles soubessem voar.
| Isabel Muñoz |
15/01/2015
Mais personne sait comment on fait des papas
Stromae é o cantor da moda por terra belgas e francesas - e outras que agora sai cansativo elencar - muito à custa de «Alors on dance». Junta ritmo, uma guarda-roupa muito sui generis, letras incisivas e uma postura corporal que escapa ao dito normal.
Este ano arrebatou três galardões nos prémios da música francesa, Les Victoires de La Musique, intérprete masculino do ano, melhor álbum e melhor vídeo. O vídeo em causa causou grande burburinho antes de se saber que tinha sido propositado, já que Stromae aparecia embriagado pelas ruas de Bruxelas, gritando a plenos pulmões «formidable». E quem nunca fez figuras tristes depois de lhe terem posto uns patins que ponha o dedo no ar para eu me vingar em glória.
Pelo que soube, o aparecimento deste cantor esteve durante muito tempo envolto em mistério, sabe-se agora que o pai, que teve pouca presença na sua vida, morreu no genocídio do Ruanda em 1994, e que lhe inspirou a música que se segue.
E por que me lembrei dela? Quem conseguiu que o último número de Charlie Hebdo (quem não conseguiu que clique aqui) vai encontrar nas páginas finais uma caricatura de Stromae a cantar «Papaoutai».
E depois? E depois, nada. Era só para partilhar.
Papaoutai - Stromae
Stromae
Dites-moi d'où il vient,
Enfin je saurais où je vais,
Maman dit que lorsqu'on cherche bien,
On finit toujours par trouver,
Elle dit qu'il n'est jamais très loin,
Qu'il part très souvent travailler,
Maman dit "travailler c'est bien",
Bien mieux qu'être mal accompagné, pas vrai?
Où est ton papa?
Dis-moi où est ton papa.
Sans même devoir lui parler,
Il sait ce qui ne va pas,
Ah sacré papa,
Dis-moi où es-tu caché?
Ca doit faire au moins mille fois que j'ai,
Compté mes doigts,
Où t'es papa où t'es?
Où t'es où t'es où papa, où t'es?
Quoi qu'on y croit ou pas,
Y aura bien un jour où on y croira plus,
Un jour ou l'autre on sera tous papa,
Et d'un jour à l'autre on aura disparu,
Serons-nous détestables,
Serons-nous admirables,
Des géniteurs ou des génies,
Dites-nous qui donnent naissance, aux irresponsables,
Ah dites-nous qui tient,
Tout le monde sait comment on fait les bébés
Mais personne sait comment on fait des papas,
Monsieur jesaistout en aurait hérité, c'est ça...
Faut l'sucer que son pouce ou quoi,
Dites-nous où c'est caché, ça doit,
Faire au moins mille fois qu'on a bouffé nos doigts,
Où t'es papa où t'es?
Où t'es où t'es où papa, où t'es?
Où est ton papa?
Dis-moi où est ton papa,
Sans même devoir lui parler,
Il sait ce qui ne va pas,
Ah sacré papa,
Dis-moi où es-tu caché,
Ça doit faire au moins mille fois que j'ai,
Compté mes doigts,
14/01/2015
Natureza humana
Gostamos do que nos dá estatuto. Tanto pode ser uma aliança no dedo, um smartphone no bolso ou um Charlie Hebdo debaixo do braço.
13/01/2015
As tesouras são nossas amigas
Mesmo aqueles que vivem os dias na companhia de pequenas angústias castradoras podem ter um momento de grito e libertação. Eu, que não cortava o cabelo há um ano, epiranguei-me. Despedi-me hoje dos meus fios castanhos que já quase chegavam à cintura e comecei um sério caso de paixão com o comprimento pelos ombros e com uma franja. Vinte anos depois.

12/01/2015
Passa das três
Passa das três. Finalmente as malas estão arrumadas. Desde ontem ao fim da tarde. A mala grande está realmente arrumada, chegou ao fim da linha. Há que procurar outra. As fotografias já descansam em pastas. Muitas foram amarrotadas para o fundo do balde do lixo. Está frio, um frio que me arrefece a mão direita e me deixa os dedos hirtos. Apago uma letra a cada duas que escrevo. É difícil escrever com tanto frio na carne. Passa das três. É preciso escolher o saco porque é preciso sair. Há pequenos acertos para que o fim deste ano seja como planeado no papel. O casaco vermelho olha-me da altivez do cabide. Desde que se pavoneou por um Casino que ninguém o atura. Penso naquela noite e nuns olhos sagazes que me perguntaram em francês: porque é que mesmo no meio de tantas pessoas estás tão sozinha? Divisão das partes, respondi. A minha cabeça abandona frequentemente o meu corpo. São as terras distantes que a atraem sem remédio. Passa das três. É hora de voltar a sair.
Sweet chariot
| foto minha - algures na cidade do Luxemburgo |
Sometimes I'm up, and sometimes I'm down,
But still my soul feels heavenly bound.
09/01/2015
Sobre Charlie?
E pensar que muitos que gritam pela blogosfera serem Charlie, todos e cada um, são os mesmo que moderam comentários, impedem Anónimos de dizer de sua justiça, apagam o que não lhes convém e até mimam os que pensam diferente com posts personalizados.
O ser humano é um bicho curioso. Ou será a liberdade de expressão?
07/01/2015
Na hora do regresso
Falta sempre espaço na mala para o bem que acumulámos.
Felizes aqueles que têm uma memória elástica e um cartão da máquina fotográfica com muitos gigas.
Felizes aqueles que têm uma memória elástica e um cartão da máquina fotográfica com muitos gigas.

Subscrever:
Mensagens (Atom)
