Mostrar mensagens com a etiqueta Camões. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Camões. Mostrar todas as mensagens

17/12/2014

Tanto de meu estado me acho incerta



Tanto de meu estado me acho incerta. Assim mesmo, apropriado sem problemas de consciência nem direitos pagos a quem de direito - já vão tarde para lhe pagar o olho em falta e nos Jerónimos, pelo que diz, tem tudo o que precisa, que guarde eu os trocos e os use em proveito próprio. Guardo-os e guardo o verso que é quase uma segunda pele, a parca certeza de uma condição herdada pela força das circunstâncias. Tanto de meu estado me acho incerta, na vontade de ir e de ficar, entre o que quero e o que posso ter. São as sombras no fundo da caverna a descolorarem as ideias da perfeição, o fogo ateado por vislumbres semelhantes aos do poeta, porque a poesia toca a todos e de todos fala, assim a saibamos escutar. 


16/02/2013

Desconcerto

Diz que a poesia de Camões é, toda ela, feita de tensões entre o que ele queria e o que tinha, entre a perfeição idealizada e a imperfeição realizada, entre o amor espiritualizado à maneira de Petrarca e o amor sensual que sempre lhe cabia em sorte. 

Diz que a lírica camoniana continua a influenciar como escrevemos e sentimos. "Tanto de meu estado me acho incerto...", o resto é desconcerto.