Voltar ao lugar onde vivo e não o sentir como a minha casa. Faltam-me os armários que começo a decorar e as portas que já não me engano em abrir. Voltar, querendo ficar. Deixar para trás um futuro que se vai escrevendo com paciência, em todos os recantos. O sol a espelhar-se no rio, a janela aberta, o calor cá dentro. Voltar, contando os dias que faltam para regressar. Inventar razões só porque é preciso suspeitar da distância. Planear, desejar, falar muito do que se quer. Suspirar sincronizadamente e analisar todas as variáveis, pela enésima vez. Apertar mãos, distribuir beijos, decorar nomes. Pertencer. Voltar ao lugar onde ainda não vivo e senti-lo já como a minha casa.
