29/11/2016

Coisas boas acontecem àqueles que já não esperam

Coisas boas acontecem àqueles que já não esperam. São pequenas insignificâncias que se juntam: alguns movimentos, algumas palavras, alguns gestos, consideráveis sacrifícios, e eis que se ergue perante os olhos um mundo novo em todo o seu esplendor.
É preciso ver a materialização do sonho para o considerar. Não sem esforço, não sem uma réstia de medo. O corpo despe lentamente as camadas da decepção, da insegurança, das angústias, de todos os maus finais. Uma a uma elas caem aos pés. Este é o meu corpo e a minha alma. Nus, desamparados, expostos. Toma-os ou deixa-os -- o quase não voltará a ser aceitável.
Duas mãos pacientes dão forma ao vazio, conhecem a solidão, recolhem os remanescentes e criam uma nova forma de dizer o amor.
Coisas boas acontecem àqueles que já não esperam. Coisas boas aconteceram-me a mim, e a nós. 

Andreas Heumann


(e é por isto que ando lamechas, piegas, mimalha, a negar todos os livros que sempre amei, as músicas que sempre ouvi, porque preciso de uma coisa nova e única)